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Alexandre Moura

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Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Diretor da Light Infocon Tecnologia S/A e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP – Associação Brasileira de Fomento à Inovação em Plataformas Tecnológicas.

“El Niño 2026”: O Nordeste brasileiro pode enfrentar grandes desafios e ter, também, oportunidades

Por Alexandre Moura
Publicado em 11 de junho de 2026 às 8:00

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A possibilidade cada vez maior de formação de um forte fenômeno “El Niño” no segundo semestre deste ano, já acende um sinal de alerta entre especialistas em clima, economistas e representantes do empresariado da Região Nordeste.

De acordo com a “WMO – World Meteorological Organization” (Organização Meteorológica Mundial), entidade ligada à ONU – Organização das Nações Unidas, existe atualmente cerca de 80% de probabilidade de instalação do fenômeno entre este mês de junho e no mês que vem, com mais de 90% de chance de sua permanência até o final do ano, podendo atingir intensidade muito forte.

Embora ainda exista “incerteza sobre sua intensidade máxima”, os “modelos climáticos convergem para um cenário de aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial capaz de alterar significativamente os regimes de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta”.

No Brasil, historicamente, “os maiores impactos costumam ser observados nas regiões Norte e Nordeste, especialmente no semiárido nordestino”.

Evidentemente, a agropecuária nordestina tende a ser o segmento econômico mais vulnerável aos efeitos do “El Niño”.

Em eventos anteriores, verificou-se redução das chuvas em grande parte do semiárido, aumento das temperaturas médias e maior frequência de ondas de calor.

Caso esse padrão climático se confirme, culturas importantes para a economia regional, como milho, feijão, mandioca, algodão e diversas frutas produzidas fora dos perímetros irrigados, poderão sofrer graves perdas de produtividade e qualidade.

“El Niño 2026”: O Nordeste brasileiro pode enfrentar grandes desafios e ter, também, oportunidades (II)

A pecuária também enfrentará dificuldades, em razão da redução da disponibilidade de pastagens naturais e do aumento dos custos com alimentação do rebanho.

Especialistas observam que os impactos mais severos costumam ocorrer não apenas durante o fenômeno, mas também nos meses subsequentes, quando os reservatórios ainda não conseguiram recuperar seus níveis normais.

Historicamente, “os reflexos econômicos podem se estender por até dois anos após o início do evento climático”.

Por outro lado, parte da agricultura irrigada do Nordeste poderá apresentar maior capacidade de adaptação.

Estados como Bahia, Pernambuco, Ceará e Paraíba ampliaram significativamente seus investimentos em sistemas de irrigação e manejo eficiente dos recursos hídricos nos últimos anos.

Os polos produtores de frutas para exportação localizados no Vale do São Francisco, por exemplo, tendem a sofrer menos impactos diretos, desde que os reservatórios mantenham níveis adequados e a gestão hídrica seja eficiente.

Mesmo assim, a eventual redução dos volumes armazenados em açudes e barragens poderá elevar custos de produção e exigir maior controle do uso da água.

A redução da produção agrícola poderá repercutir diretamente nos preços dos alimentos (a chamada “inflação dos alimentos”), impactando o custo de vida da população.

Experiências recentes em outras regiões do mundo mostram que eventos climáticos já provocaram aumento de preços de grãos e produtos agrícolas devido à queda da oferta.

Diversos países asiáticos já estão preocupados com as possíveis perdas agrícolas decorrentes dos efeitos do “El Niño”.

No Nordeste, produtos básicos consumidos pelas famílias, como feijão, milho, leite e carne, poderão apresentar maior volatilidade de preços caso ocorram perdas significativas de safra.

“El Niño 2026”: O Nordeste brasileiro pode enfrentar grandes desafios e ter, também, oportunidades (III)

Para os economistas, o impacto inflacionário poderá ser um dos principais efeitos indiretos do fenômeno sobre a economia regional ao longo de 2027.

Outro setor que preocupa e merece atenção é o “energético”. Menores índices pluviométricos no Nordeste podem reduzir a geração hidrelétrica, especialmente no “Complexo de Paulo Afonso”.

Embora o Brasil tenha ampliado significativamente sua matriz eólica e solar – especialmente no Nordeste, que hoje lidera a produção nacional dessas fontes – períodos prolongados de seca costumam aumentar a necessidade de acionamento de usinas termelétricas, elevando os custos do sistema elétrico nacional, como um todo.

Caso isso ocorra, empresas e consumidores poderão enfrentar reajustes tarifários ou bandeiras tarifárias mais elevadas no ano que vem.

A situação dependerá da intensidade do “El Niño” e da “capacidade de compensação” pelas fontes renováveis já instaladas.

Por outro lado, nem todos os efeitos econômicos tendem a ser negativos. O setor de turismo pode ser favorecido pelo aumento da incidência de dias ensolarados em importantes destinos do litoral nordestino.

Estados como Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e principalmente a Paraíba, poderão registrar crescimento do número de turistas, contribuindo para o fortalecimento das atividades de hospedagem, alimentação, transporte e entretenimento.

Evidentemente, a gestão hídrica deverá ocupar posição central na preocupação e nas estratégias, dos governos estaduais e municipais do Nordeste nos próximos meses.

“El Niño 2026”: O Nordeste brasileiro pode enfrentar grandes desafios e ter, também, oportunidades (IV)

Hoje a situação é bem mais “confortável” visto que nas últimas décadas, a região ampliou significativamente sua infraestrutura hídrica, com construção de adutoras, barragens, sistemas de dessalinização e integração de bacias, incluindo obras associadas à transposição do Rio São Francisco.

Apesar desses avanços, um “El Niño” forte pode representar um teste importante para a capacidade de armazenamento e distribuição de água, especialmente em municípios do semiárido que ainda apresentam elevada vulnerabilidade.

A avaliação predominante entre especialistas é que os próximos 18 meses exigirão monitoramento constante das condições climáticas e adoção de medidas preventivas por parte dos setores público e privado.

Se o “El Niño” confirmar as projeções atuais e alcançar intensidade forte, o Nordeste brasileiro poderá enfrentar uma combinação de menor disponibilidade hídrica, “pressionando” a produção agropecuária e, assim, aumentando custos em alguns setores econômicos.

Por outro lado, segmentos como turismo (como colocado acima), de energia solar e determinados polos agrícolas irrigados, poderão encontrar oportunidades de crescimento e consolidação.

Atualmente, a “principal diferença em relação aos grandes eventos climáticos do passado está na maior capacidade de previsão, monitoramento e planejamento disponível”.

Segundo a WMO, “o momento é de preparação antecipada para reduzir perdas econômicas e proteger atividades sensíveis ao clima”.

Resumindo: caso as previsões se confirmem, o “El Niño” de 2026 poderá se tornar um dos fatores econômicos mais relevantes para o Nordeste brasileiro, neste segundo semestre e no ano que vem, influenciando desde a produção rural até os preços dos alimentos, a geração de energia e os investimentos em geral.

Com o cenário descrito acima, se “juntando” ao início da Reforma Tributária e suas incertezas para as empresas, “nuvens de tempestade estão se formando no horizonte econômico de 2027”. Espero estar errado.

Com informações da “World Meteorological Organization” e da Agência de Notícias Reuters.

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