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Benedito Antonio Luciano

Benedito Antonio Luciano

Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

Código para a eternidade

Por Benedito Antonio Luciano
Publicado em 4 de março de 2026 às 8:00

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Em 27 de fevereiro de 2026, no auditório do Instituto Histórico de Campina Grande (IHCG), às 19 horas, assisti à apresentação de uma obra-prima: o filme-documentário intitulado “Código para a eternidade”, curta-metragem sobre o padre paraibano Francisco João de Azevedo, autor do projeto e da realização do primeiro protótipo da máquina de escrever, denominada inicialmente “máquina taquigráfica”.

Construída em madeira e inspirada nas teclas de um piano, a “máquina taquigráfica” foi premiada com medalha de ouro na Primeira Exposição Nacional, realizada no Rio de Janeiro (RJ), entre 2 de dezembro de 1861 e 16 de janeiro de 1862. No ato solene de premiação, ocorrido no Paço Imperial, em 14 de março de 1862, o inventor recebeu a honraria pelas mãos do Imperador Dom Pedro II.

Na cena em que o padre inventor observa, com atenção, as mãos do seu irmão percutindo as teclas do piano, lembrei-me de como a arte aproxima a criatura do Criador, a exemplo das obras de compositores como Johann Sebastian Bach, Georg Friedrich Händel, Antonio Vivaldi, Wolfgang Amadeus Mozart e Ludwig van Beethoven, em especial no quarto movimento da Nona Sinfonia.

Em outra cena, ambientada no Convento São Francisco, em Campina Grande (PB), o padre Azevedo tenta mostrar a seu superior, no Seminário de Olinda, em Pernambuco, a beleza das equações matemáticas e das leis físicas que regem a mecânica como uma dádiva de Deus; não haveria, portanto, nenhuma separação entre ciência, engenharia e fé. Afinal, Deus está presente em tudo, desde a criação do universo.

Na realização do “Código para a eternidade” destacam-se: o meticuloso trabalho de pesquisa e de caracterização dos personagens, empreendido pela diretora e roteirista Natalí Toledo; a qualidade técnica de Jonatas Santos na direção de fotografia; Sílvio Toledo na produção e arte; a composição dos figurinos a cargo de Magna Fontes e Natalí Toledo; Tarsila Arruda e Bianca Lemos na maquiagem e nos efeitos especiais; e a trilha sonora creditada a Marcelo Barros e à SND Arts.

No elenco destacam-se: Douglas Emanuel (Francisco, criança), Erinaldo Sousa (Bispo), Edmilson Roberto (Dom Pedro II), Fábio Lourenço (Acadêmico), Fábio Ramon (Jerônimo, adulto), José Carlos Feitosa (Cadeirante), Marcelo Barros (Empresário), Pedro Miguel (Jerônimo, criança), Sebastião Formiga (padre Francisco Azevedo), Rosane Bonaparte (Voz da máquina de escrever), Vanderley de Brito (Acadêmico) e Yuri Levitan (Empresário).

Com 22 minutos de duração, o “Código para a eternidade” foi produzido pela Stairs Filmes e pela SND Arts, contando com o apoio financeiro da Lei Aldir Blanc e de órgãos culturais da Paraíba.

Francisco João de Azevedo, personagem principal do documentário, nasceu na Parahyba, atual João Pessoa, capital do estado da Paraíba. Ele era filho de um tipógrafo e topógrafo português, de mesmo nome.

Órfão de pai ainda menino, o futuro padre Azevedo passou a maior parte da infância na pobreza, em companhia de seu irmão, José Jerônimo de Azevedo Cirne, que se tornou professor de música. Esse irmão era hábil em mecânica, sendo capaz de consertar pianos, realejos e, sobretudo, relógios. A educação que ambos receberam teve de ser custeada por amigos do pai falecido.

Aos 21 anos, o jovem Francisco Azevedo conseguiu matricular-se no Seminário de Olinda, em Pernambuco, e, após três anos de estudos, foi ordenado presbítero secular no dia 18 de dezembro de 1838. Foi nesse Seminário que ele começou a conceber seus projetos inovadores, ali permanecendo até 1843.

Em 19 de agosto de 1879, com a saúde debilitada, Francisco Azevedo regressou à cidade onde nasceu, à procura de tratamento, e ali faleceu no dia 26 de julho de 1880, aos 66 anos de idade, sendo sepultado numa catacumba da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, no Cemitério da Boa Sentença, no bairro do Varadouro, em João Pessoa.

Esta é uma breve crônica sobre o documentário “Código para a eternidade”, filme realizado em Campina Grande, com um baixo orçamento, mas de altíssima qualidade artística, digno do reconhecimento do público e da crítica — o que começa a acontecer em nível local e internacional, com sua exibição no Reino Unido.

Ao final, percebe-se que “Código para a eternidade” é mais do que uma feliz escolha para o título do documentário. De fato, ele se configura como metáfora do próprio impulso humano de legar para a posteridade sua memória, suas ideias e suas obras.

Nesse contexto, a máquina inovadora idealizada pelo padre Azevedo não pretendia apenas registrar palavras e fixar ideias. Assim como toda grande obra de arte, o documentário sobre esse inventor paraibano também escreve o seu código, ao lembrar-nos de que aquilo que é criado com zelo e fé pode, de algum modo, transcender e atingir a eternidade.

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