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Jornalista, professor universitário, escritor e membro da Academia de Letras de Campina Grande.
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Hoje, 16 de fevereiro, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Independente do Sanharol (MIS), uma tradicional agremiação carnavalesca do município de Várzea Alegre, vai levar para a avenida o enredo “Da Véia a Renascença: 50 anos de história contada em 50 Carnavais”, que tenta
Embora a Escola só tenha saído na avenida pela primeira vez no carnaval de 1987, desde a década de 1970 que blocos carnavalescos, criados e organizados por jovens do Sítio Sanharol animavam os foliões durante o período de Momo. A junção de integrantes das famílias Bitus e Andrés foi responsável por esse pontapé inicial. No começo, os ensaios improvisados aconteciam debaixo de uma mangueira localizada às margens do Riacho do Machado. Quando tiveram a ideia de formar uma escola de samba, não havia um nome para a agremiação. Foi então que Bilé de Chico André, um dos jovens membros do grupo, inspirado na Mocidade Independente de Padre Miguel, escola de samba do Rio de Janeiro, sugeriu este nome, que foi aceito por todos.
No primeiro desfile, naquele ano de 87, apenas vinte oito integrantes saíram pelas ruas da cidade cantando um samba enredo em homenagem a própria agremiação “Do Sanharol Desceu a Mocidade” e ao jovem Antão Leandro, fundador do Bloco “A Véia Debaixo da Cama”. Antão Leandro Bitu faleceu tragicamente aos 24 anos, em setembro de 1976, vítima de acidente automobilístico em Ponta Grossa, no Paraná. As cores verde e branco fazem alusão ao Riacho do Machado e a vegetação esverdeada às suas margens. A letra do primeiro samba da escola foi de autoria do Dakson Aquino, o mesmo que escreveu o samba enredo desse ano.
Para o carnaval de 2026 a previsão de investimentos é algo em torno de R$ 40 mil. A receita é oriunda de mobilizações, doações e patrocínios, além de apoio oficial da Prefeitura de Várzea Alegre. O samba enredo tem início com o seguinte refrão: “Carrego no peito e na memória, Feitos que o tempo não desfaz! Viva pra sempre essa história, Contada em cinquenta carnavais! Viva pra sempre a minha história, Cantada em cinquenta carnavais!”.
É na tentativa de resumir essas décadas de história, fazendo referência aos diversos temas abordados pela MIS desde a década de 1980 que a escola entra na avenida esse ano. Entre 2009 e 2016 a MIS viveu o seu auge com grandes desfiles, altos investimentos e homenagens marcantes. “Chorei a tragédia de Maria!”, faz alusão ao desfile de 2009 quando o carnavalesco Jorge Queiroz levou com muita sensibilidade para a avenida a história de Maria de Bill.
Em 2011 o enredo foi: “Várzea Alegre mundo afora pelas mãos de Padre Vieira e Zé Clementino”. Nessa época a MIS uniu carnaval e forró. “Viajei por cada recanto, para cantar essa terra de canto a canto”, refere-se ao enredo do ano de 2012 quando a escola entrou na avenida homenageando todos os distritos do município e a sede urbana com um desfile temático. Falou sobre o campeão nacional de matemática, Ricardo Oliveira, a Festa do Padroeiro, São Raimundo Nonato, a parteira Ana Alves Bezerra (Mãe Ana), que residia no distrito do Canindezinho, além do artista plástico polonês Maciej Babinski e o compositor Zé Clementino que renunciou a fama para ser simplesmente um Zé.
“Cantei lendas e riquezas do Velho Chico”, faz menção ao desfile de 2013 quando o tema abordado foi “Salve o Rio São Francisco”. Em 2014, o enredo foi: “Futebol, paixão infinita de um povo” o que já preparava os carnavalescos para a Copa do Mundo que aconteceu aqui no Brasil em junho daquele ano. Em 2015, com o tema “Ceará bonito”, a agremiação destacou as riquezas do estado e fez menção ao centenário de Humberto Teixeira, ao abolicionista Dragão do Mar, o líder religioso Antônio Conselheiro, o artista Belchior, o Padre Cícero, as tribos indígenas, a cultura da Carnaúba, caju, as praias…
Em 2016 o destaque foi para a “Nação Cariri” com o tema: Só deixo o meu Cariri no último pau de arara. E resgatado no samba enredo deste ano com os seguintes versos. “Não saio desta terra, meu destino é aqui, Sou povo, sou paz eu sou a guerra, Sou verde e branco, sou nação sou Cariri!
Pela primeira vez fui convidado a desfilar na Mocidade Independente do Sanharol. Nenhuma das três escolas de samba de Várzea Alegre ainda tinha me feito esse convite. Aceitei e vou sair na comissão de frente junto com a Velha Guarda da escola. Espero ter disposição para atravessar a avenida cantando o enredo e sambando do inicio ao fim. Aproveito a oportunidade para agradecer aos organizadores e amigos varzealegrenses que, há 50 carnavais, cantam e contam, com muita alegria e responsabilidade, histórias e estórias.
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