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Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
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Vez por outra, lembro-me do livro Tendências, lançado por Severino Gomes de Sousa Filho, em 18 de abril de 2015, na livraria Espaço de Cultura-PB, em Campina Grande (PB).
O livro citado é dividido em quatro capítulos: “O conceito de leitura: decifrando significantes”, “Os livros e suas casas”, “A propósito de rebanhos, pastores e mercenários” e “A dignidade da idade adulta”.
No terceiro capítulo, o professor Biu expõe suas reflexões mais contundentes sobre determinadas práticas adotadas por certos líderes religiosos ao arrecadarem recursos para construir templos.
Segundo ele, o pastor moderno, em geral, ama a si mesmo e ama o próximo, sobretudo quando o próximo é mais próspero. Este é apenas um exemplo da fina ironia presente no estilo do professor Biu, habilidoso no trato com a palavra, escrita ou falada.
Em Tendências, o leitor atento há de perceber no subtexto algumas tendências ideológicas do autor, o que é muito natural, pois não existe escritor neutro. No dizer do próprio professor Biu, “quem escreve se compromete e quem lê está se comprometendo mais ainda”.
Na Bíblia Sagrada, está escrito que o mandamento maior é amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. O problema começa quando o amor ao próximo passa por um criterioso exame de renda, de patrimônio e de potencial de retorno: amar, sim — desde que o próximo seja próspero.
Nos púlpitos modernos, a chamada teologia da prosperidade ganha planilhas. A parábola dos talentos transforma-se em palestra motivacional, e o dízimo, em investimento de alta performance.
O discurso é sedutor: “Deus quer você no topo! Deus quer você vencedor!” Entretanto, quanto mais largo o estacionamento do templo, mais estreita parece ser a porta que conduz os fiéis ao Reino de Deus. Pois Jesus disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6).
Neste contexto, o discurso do amor ao próximo dá lugar ao “amor ao próspero”, aquele que veste a caridade com cifras. Jesus Cristo não condena a riqueza em si, mas a avareza e o apego exagerado aos bens materiais, conforme se depreende da parábola do jovem rico, narrada nos evangelhos de Mateus (19: 16-29), Marcos (10: 17-31) e Lucas (18: 18-30).
Agindo assim, parafraseando o professor Biu, “esses padres, pastores e missionários se agarram aos valores e dão adeus ao que é de Deus! ”.
Por isso, à luz do catolicismo, tal distorção revela-se grave. A tradição da Igreja sempre ensinou a primazia da caridade, entendida como amor gratuito, que tem sua fonte no próprio Deus.
Assim, durante sua vida terrena, Cristo, o Filho de Deus, não se aproximou dos poderosos por sua influência, mas dos pecadores, dos enfermos e dos pobres, revelando que a dignidade humana não depende de êxito material, mas do fato de cada pessoa ser imagem e semelhança do Deus Pai, Criador do universo.
Portanto, em Cristo, não há distinção preferencial: todos, ricos e pobres, são chamados à conversão.
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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