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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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Vivemos tempos marcados por excessos: excesso de palavras, de ruídos, de exigências e de inquietações.
Em meio às tantas vozes que disputam nossa atenção, permanece uma pergunta silenciosa: onde reencontrar uma alegria verdadeira, capaz de sustentar a vida mesmo nas adversidades?
A resposta de Pentecostes continua atual: é o Espírito Santo quem educa o coração humano para a alegria que não passa.
O maravilhoso dom do Espírito Santo, recebido no Batismo, recorda-nos constantemente que Deus não abandona os seus filhos.
Mais do que uma presença distante ou uma força abstrata, o Espírito é o Consolador prometido por Cristo, aquele que nos conduz ao encontro com Deus, conosco mesmos e com os irmãos. É Ele quem lentamente educa nosso olhar para enxergar a vida não a partir do medo, mas da confiança.
Como recordou recentemente Papa Leão XIV: “O Espírito de Deus, em vez disso, faz-nos descobrir uma nova maneira de ver e viver a vida: abre-nos ao encontro com nós mesmos, para além das máscaras que usamos; conduz-nos ao encontro com o Senhor, educando-nos a experimentar a sua alegria.”
Em uma cultura frequentemente marcada pelas aparências, pela ansiedade e pela necessidade constante de desempenho, essa afirmação toca um ponto decisivo: o Espírito Santo nos liberta das máscaras e nos reconduz ao essencial.
Mas há ainda um nome profundamente belo com o qual a liturgia da Igreja chama o Espírito Santo em Pentecostes: “Pai dos pobres”.
Pobres não apenas no sentido material, embora também deles Deus cuide com predileção, mas também pobres de sentido, de esperança, de forças e de paz interior.
Quantos carregam pobrezas escondidas sob aparências de normalidade? Quantos vivem o peso do medo, do cansaço e da solidão? O Espírito Santo aproxima-se justamente aí.
Não espera perfeição para agir: consola os abatidos, fortalece os frágeis e sustenta aqueles que já não conseguem caminhar sozinhos.
Mas reconhecer o Espírito como Pai dos pobres exige também uma conversão do nosso olhar. O pobre não pode ser percebido apenas como estatística, problema social ou destinatário ocasional de caridade.
Como recordou Papa Leão XIV: “O cristão não pode considerar os pobres apenas como um problema social: eles são uma questão familiar. Pertencem aos nossos (…) a relação com eles não pode ser reduzida a uma atividade ou departamento da Igreja.” Há aqui uma provocação profundamente evangélica: o pobre não pertence à periferia da vida cristã, mas ao centro do coração da Igreja. Onde o Espírito age, nasce comunhão; e onde existe verdadeira comunhão, ninguém permanece distante ou invisível.
A verdadeira alegria cristã nasce também dessa experiência de fraternidade. Não é a alegria superficial de quem ignora o sofrimento, mas a alegria amadurecida de quem descobre que Deus não abandona seus filhos – especialmente os mais frágeis – e nos chama a carregar juntos os pesos uns dos outros.
O Domingo de Pentecostes permanece inseparável da manhã da Ressurreição. É o Cristo vivo quem comunica ao mundo o fogo do amor divino. Mas que luz o homem contemporâneo realmente necessita?
São inúmeras as conquistas humanas, muitas delas belas e necessárias; contudo, existe uma iluminação que somente a graça de Deus pode oferecer. Um mundo abalado por polarizações, ideologias e inquietações necessita da luz que vem do alto. Sem Deus, nossos projetos tornam-se frágeis; sem Sua graça, nossas forças revelam seus limites. Ainda carregamos marcas de sofrimentos pessoais e coletivos.
O que fazer diante das crises, das perdas e dos medos? Entregar-se ao desânimo? O Espírito Santo é consolo que fortalece e doce alívio que renova. Seu consolo não nos aprisiona em um conformismo passivo, mas nos impulsiona à esperança daqueles que confiam que Deus continua conduzindo a história. Como canta o salmista: “Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra” (Sl 103).
Celebrar Pentecostes é celebrar a confiança no amor constante de Deus. Não caminhamos sozinhos. Temos um Defensor, uma Presença Viva que sustenta nossos passos e nos recorda que a fé cristã nunca foi um abrigo de medo, mas uma experiência de renovação.
Naquele primeiro Pentecostes, a Igreja manifestou-se publicamente, e de sua voz ecoou um anúncio que atravessa os séculos: Deus ama todos os homens. O amor de Deus não aprisiona nem nos fecha em pequenos círculos de segurança. O amor verdadeiro rompe fronteiras.
Como lembrava Papa Francisco, o Espírito Santo não quer uma Igreja fechada em “ninhos”, acomodada em medos e cautelas, mas uma Igreja impulsionada para além de si mesma, capaz de anunciar Cristo com coragem.
Peçamos à Virgem Maria, Esposa do Espírito Santo, que nos ensine a permanecer disponíveis à ação divina. Que sua intercessão nos acompanhe, sobretudo quando nos faltar o ardor da fé e a alegria do anúncio. Porque o Espírito Santo, Pai dos pobres e educador da alegria, não nos aprisiona em nossas faltas ou medos: Ele nos conduz ao encontro com Cristo, onde o amor sempre liberta.
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