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Benedito Antonio Luciano

Benedito Antonio Luciano

Professor Titular aposentado do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

A tragédia de Maria Cabocla

Por Benedito Antonio Luciano
Publicado em 14 de janeiro de 2026 às 8:40

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O ano de 1970 ficou marcado por acontecimentos que foram registrados nos meios de comunicação e em nossas memórias, envolvendo fatos históricos, políticos, sociais, econômicos e artísticos, no Brasil e no mundo. Uns alegres, como a conquista do tricampeonato mundial pela Seleção Brasileira de futebol, outros trágicos e lamentáveis, como o fatídico acidente de trem ocorrido no distrito de Galante (PB).

No dia 13 de janeiro de 1970, uma terça-feira, a viagem de trem que partiu de Campina Grande (PB) com destino a Recife (PE) parecia tranquila. Porém, nesse dia, a composição que transportava 175 pessoas, ao chegar ao trecho localizado a 2 km da estação de Galante, próximo à curva conhecida como Maria Cabocla, descarrilhou, matando 12 pessoas no local e deixando dezenas de feridos.

Por esse motivo, em Campina Grande, por onde o trem tinha passado por volta de doze horas e quarenta minutos, antes do acidente, a notícia chegou às emissoras de rádio e às redações dos jornais e foi divulgada como “A tragédia da curva Maria Cabocla”.

Segundo Edjane Ferreira de Oliveira, em seu trabalho de conclusão de curso, apresentado perante a banca examinadora do Curso de Especialização em Estudos de História Local: Sociedade, Educação e Cultura da Universidade Estadual da Paraíba, em 2020, não se sabe ao certo o porquê de a curva ser conhecida por “Maria Cabocla”.

Conforme a pesquisadora citada, em conversa informal com moradores do Sítio Santana, sobre a curva ser denominada “Maria Cabocla”, eles relataram que mesmo antes da tragédia envolvendo o trem as pessoas já se referiam ao trecho por essa nomenclatura.

Seria o caso de especular se Maria Cabocla teria sido uma mulher de origem indígena?

Voltando aos desdobramentos do trágico acidente, relatos de testemunhas divulgados no blog Retalhos Históricos de Campina Grande, no jornal Diário da Borborema e um depoimento de José Gomes de Melo, maquinista do trem, publicado na revista Veja, em fevereiro de 1970, permitem ao leitor imaginar a dimensão do drama vivido por quem estava no interior do trem e pelos familiares das vítimas.

Segue a transcrição das palavras do maquinista: “na curva, senti um sopapo, como se os trilhos tivessem afundado. Olhei para trás e vi meus vagões virando, um por um. Naquele momento, eu não podia fazer nada.”

Na época do triste acontecimento, eu tinha 15 anos e morava no bairro da Bela Vista, em Campina Grande. Ao saber que os corpos das vítimas fatais estavam expostos no necrotério do Cemitério do Monte Santo, alguns colegas sugeriram que fôssemos até lá para presenciar a cena, que ficou tristemente marcada na minha memória.

Antes, em 1964, eu tinha viajado de trem, acompanhado por minha mãe, saindo da estação ferroviária de Campina Grande (Estação Nova), com destino a Mossoró (RN). Três anos depois da tragédia da curva Maria Cabocla, voltamos a viajar pela mesma ferrovia, em janeiro de 1973, saindo de Campina Grande com destino a Carpina (PE), passando pela fatídica curva Maria Cabocla, na ida e na volta.

Assim, o trem da vida seguiu seu trilho rumo ao futuro, deixando para trás os fatos pretéritos guardados nos alfarrábios e nas lembranças armazenadas na memória deste cronista.

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