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Madalena Barros

Madalena Barros

Jornalista, Pós-Graduada em Comunicação Educacional, Gerente de Negócios das marcas Natura e Avon.

A noite em que a farra acabou… e a história começou

Por Madalena Barros
Publicado em 28 de novembro de 2025 às 11:00

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Joselito sempre foi daqueles sertanejos boêmios que parecem ter nascido com um violão na mão, um verso na ponta da língua e uma sede que só se acalma com a famosa “loira gelada”.

Para ele, música, poesia e uma roda de conversa eram quase religião- e, como em toda boa religião, havia rituais, longas risadas, histórias mirabolantes e cervejas que evaporavam mais rápido que sinceridade em época de eleição.

E quando a alegria subia, Joselito jurava que as cervejas vinham pela metade, “ou tão furadas”, dizia, desconfiado, olhando a garrafa como quem procura a improvável e desfaçatez de um furinho.

E quando se despediam, lá ia ele na sua moto, e era aí que começavam os ziguezagues. Não por charme, longe disso, mas porque, na visão já delicadamente temperada de álcool do nosso herói, a rua criava curvas novas, sinuosas, quase com movimento próprio. “Curvas femininas”, como ele gostava de poetizar.

Numa dessas noites de farra, lá vai Joselito e sua moto dançando pela rua, quando dá de cara com uma blitz. E, no impulso do coração alegre, cumprimenta o guarda como se estivesse chamando o cabra para se sentar na mesa e beber uma:

— Diga aí, caba véi!

O guarda não achou tanta graça. Mas deixemos esse capítulo para outra prosa.

Numa certa noite, Joselito viu que o dinheiro na carteira estava menos que a espuma de um chopp mal tirado. Como o bar só aceitava pagamento em espécie, seguiu para o caixa eletrônico do Banco do Brasil. Deixou a moto na porta, chave na ignição, capacete no guidão, afinal, seria “coisa rápida”.

O local estava completamente vazio, e Joselito teve livre escolha entre os 10 caixas disponíveis.

Fez o saque e, satisfeito, foi para a porta. Só que… nada. A porta não abriu. Olhou para um lado, para o outro, tentou girar a maçaneta de todos os jeitos, empurrou, puxou, bateu, chamou, gritou… e nada.

Ali, sozinho, preso no caixa eletrônico, sem telefone, porque o celular estava mais morto que ressaca antes do café, José começou a sentir aquela preocupação que nem a cerveja cura. Como vou chegar no bar?

Horas se passaram, ninguém apareceu, ninguém veio ajudar e a noite avançou.

Em casa, os filhos notaram que a hora de sua chegada habitual já havia há muito passado.

Liga daqui, cai na caixa postal.

Liga para amigos, ninguém sabe.

Liga para hospital, para delegacia… e o aperto no peito começou. Até que decidiram: “vamos rodar a cidade”.

Depois de muito procurar, passam em frente ao Banco do Brasil e surpresos, reconhecem a moto. O capacete. A chave. Mas… cadê o pai?

Aproximam-se do vidro e, lá dentro, avistam uma sombra encolhida, dormindo no chão, tendo como travesseiro as próprias botas, naquele sono profundo de quem já tomou umas boas conseguindo, merecidamente, mergulhar no mundo de Hipnos, depois de passar pelo de Baco e Dionisio.

Bateram com força e depois de vários socos no vidro, que por sorte era resistente, Joselito acorda, meio perdido, e em seguida explica:

— Tô preso aqui dentro. A porta não abre nem com a peste!

Um dos filhos, advogado, já começa a juntar evidências, indignado, faz filmagens:

— Isso é um absurdo! Um homem de mais de 60 anos preso num caixa eletrônico! Que segurança é essa?!

Fotografou, filmou, narrou tudo com a firmeza de quem achou o caso do ano.

Mas aí, no meio dessa indignação toda, o advogado olha para um botão preto, discreto, tímido no canto interno da porta:

— Pai… o senhor apertou esse botão?

Joselito nem respondeu. Andou direto, meteu o dedo no botão… clique.

A porta abriu com a naturalidade de um “boa noite” dito sem pensar.

Silêncio.

Depois, risos. Muitos risos. Riso de alívio, de susto que passou, e daquele constrangimento que vira piada de família para o resto da vida. É claro que o processo morreu ali mesmo, junto com o orgulho do advogado.

Hoje, quando Joselito conta essa história, sempre com uma cerveja na mão e brilho maroto no olho, o bar inteiro gargalha. E ele arremata com a sabedoria simples de quem já viveu muito:

— Por pior que seja a situação, por mais desesperada que pareça, sempre tem um botão preto esperando para ser apertado. Basta respirar, analisar e procurar direitinho. Ele sempre aparece.

E assim segue a vida: entre risadas, histórias que ganham mais detalhes a cada repetição e o nosso herói, que aprendeu uma grande lição, não sobre álcool, responsabilidade ou prudência… mas sobre ler as instruções da porta.

E se você, leitor, algum dia se sentir preso numa situação sem saída, lembre-se do sábio ensinamento de José:

— Calma, cumpadi… procura o botão preto que resolve.

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