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Dom Delson

Dom Delson

Arcebispo Metropolitano da Paraíba.

A Luz de Cristo não confunde!

Por Dom Delson
Publicado em 14 de março de 2026 às 16:00

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Nestes domingos da Quaresma, a liturgia, através dos textos do Evangelho de João, nos conduz por um caminho que recorda o sentido do Batismo.

No domingo passado, Jesus prometeu à samaritana o dom da água viva; neste domingo, ao curar o cego de nascença, revela-se como a luz do mundo; e, no próximo domingo, ao ressuscitar seu amigo Lázaro de Betânia, apresenta-se como a ressurreição e a vida.

Água, luz e vida são sinais que nos ajudam a compreender o Batismo, sacramento pelo qual somos libertados do pecado e chamados a viver a vida nova em Cristo. Uma vida chamada também a iluminar o mundo como sinal de esperança.

Dentro desse caminho espiritual, o quarto domingo da Quaresma apresenta o encontro de Jesus com o cego de nascença (Jo 9,1-41).

Mais do que um milagre físico, trata-se de um sinal profundo da ação de Deus na vida humana. Ao devolver a visão ao homem que nunca havia visto, Jesus revela que Ele mesmo é a luz capaz de iluminar a existência humana e conduzi-la para a verdade.

O cego representa toda a humanidade. Muitas vezes caminhamos pela vida sem perceber plenamente o sentido das coisas, condicionados por visões limitadas ou pela lógica do mundo.

Essa cegueira espiritual nos impede de reconhecer a presença de Deus na história e nas pessoas. O encontro com Cristo, porém, abre nossos olhos e nos conduz a uma nova forma de ver a realidade: ver o mundo com a luz da fé.

Esse novo modo de olhar é fundamental para a vida cristã.

Em meio às muitas “luzes” que o mundo apresenta – o brilho do sucesso, da aparência, da busca constante por reconhecimento e aprovação – o discípulo de Cristo é chamado a não se deixar seduzir ou distrair.

Muitas dessas luzes parecem intensas, mas são passageiras; em vez de iluminar de verdade, acabam alimentando o autorreferencialismo e o egoísmo, colocando o próprio “eu” no centro de tudo e obscurecendo o sentido mais profundo da vida.

Com frequência, essas luzes criam uma ilusão: prometem realização imediata, mas não oferecem direção segura.

Assim, o ser humano corre o risco de perder o horizonte, deixando-se guiar apenas por interesses pessoais, pelo desejo de aparecer ou pela necessidade de afirmar-se diante dos outros.

Quando isso acontece, a pessoa pode até acreditar que vê claramente, mas na realidade permanece em uma espécie de cegueira interior.

A luz de Cristo, porém, é diferente. Ela não confunde nem ilude; ao contrário, ilumina o coração e orienta o caminho. Quem se deixa tocar por essa luz começa a olhar a vida com mais verdade, aprende a reconhecer a presença de Deus nas pequenas coisas e descobre que a verdadeira felicidade não nasce do egoísmo, mas do amor que se doa.

Assim, o cristão é chamado a sair de si mesmo, a viver em comunhão com os outros e, no meio do mundo, tornar-se também um farol de esperança, capaz de apontar caminhos de fé, de caridade e de sentido para a vida.

Por isso, a mensagem da Quaresma é exigente e profundamente transformadora. Quem se deixa iluminar por Cristo passa a olhar a realidade de maneira diferente e já não pode simplesmente seguir a lógica do mundo.

Como recordava Papa Bento XVI: “A fé não é uma teoria, mas o encontro com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, com isso, a direção decisiva.”

Quando Cristo ilumina o coração humano, muda também o modo de pensar, sentir e agir. A fé, portanto, não é apenas uma convicção interior, mas um modo concreto de viver que se manifesta nas atitudes e nas escolhas do cotidiano.

Contudo, esse caminho não é simples. A experiência cristã recorda que não basta desejar viver na luz por nossas próprias forças.

Sem a graça do Senhor nada conseguiremos, a não ser sermos infiéis. É Ele quem abre nossos olhos, sustenta nossa caminhada e nos conduz da escuridão para a verdade.

Enxergar de novo, à luz deste evangelho, significa permitir que Deus transforme também o nosso olhar.

Quem encontra Cristo não apenas recupera a visão interior, mas é chamado a tornar-se sinal de luz para os outros. Deus deseja fazer de cada cristão um farol de esperança em meio às incertezas do mundo.

Ver com a luz da fé é aprender a olhar o mundo, as pessoas e a nós mesmos com o próprio olhar de Deus, um olhar que reconhece a dignidade, desperta a misericórdia e abre sempre horizontes de esperança.

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Dom Delson: A caridade cristã não é um adorno!

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