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Alexandre Moura

Alexandre Moura

Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Diretor da Light Infocon Tecnologia S/A e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP – Associação Brasileira de Fomento à Inovação em Plataformas Tecnológicas.

A ascensão da IA nas Forças Armadas: de suporte logístico à vanguarda da guerra moderna

Por Alexandre Moura
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 8:09

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No último dia 9 de janeiro, durante encontro em Roma com mais de 400 diplomatas, sua Santidade o Papa Leão XIV, fez a seguinte observação em relação a situação mundial atual: “A guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico está se alastrando”. A “inspiração” para essa coluna foi exatamente, essa frase do Papa.

Com o “crescimento exponencial” do uso da tecnologia de IA (Inteligência Artificial) pelas forças armadas de muitos países, a colocação do líder da Igreja Católica fica ainda mais contundente e preocupante. Nos últimos anos, o uso de IA nos armamentos de uma forma geral, deixou de ser tema de ficção científica para integrar de forma substancial, as estratégias e táticas das operações militares em todo o mundo.

Vale lembrar que esse uso já vem de décadas (mesmo de forma incipiente, remonta a metade da década de 60, do século passado). À medida que governos e forças armadas, intensificam investimentos em capacidades autônomas e assistidas por algoritmos (leia-se IA) dos equipamentos bélicos, o campo de batalha contemporâneo está se transformando rapidamente (é só observar o que vem acontecendo na guerra da Ucrania).

E esse fato tem impacto direto nas doutrinas de defesa, na ética e na segurança internacional.

A ascensão da IA nas Forças Armadas: de suporte logístico à vanguarda da guerra moderna (II)

Como escrevi acima, o uso de “sistemas automatizados” no contexto militar não é novo, mas foi a partir da década de 2010 que a IA começou a ganhar protagonismo nesse campo. Programas como o “Project Maven” (programa militar que usa IA para análise de dados de vigilância e identificação de alvos) criado em 2017 nos Estados Unidos, marcaram um “ponto de virada” ao aplicar “aprendizado de máquina”, na interpretação de vídeos feitos pelos drones e como auxiliar na análise de dados de inteligência. O sistema com IA passou a integrar, “normalmente”, gestão e fluxos de “análise e identificação de alvos, acelerando decisões em campo, ainda com supervisão humana”.

Já na presente década, a “militarização da IA” se expandiu globalmente. Grandes potências militares, como Estados Unidos, Índia, Israel, Inglaterra, França, Rússia e China, lideram a corrida tecnológica, dedicando dezenas de bilhões de dólares à P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) de “algoritmos para reconhecimento de padrões, logística automatizada e guerra eletrônica” e seus equipamentos associados (hardware).

Em paralelo, “startups de tecnologia militar”, como a “Harmattan AI” criada em 2024, “atraem muitos investimentos para desenvolver sistemas autônomos de reconhecimento e ataque”.

Nos Estados Unidos, “grandes empresas de tecnologia têm contratos com o governo para integrar IA em logística, planejamento e operações de inteligência, refletindo uma participação cada vez mais profunda e preocupante, das forças armadas no desenvolvimento da tecnologia de IA”.

Esses investimentos resultaram/resultam, rapidamente, em “soluções de IA” voltadas para o “campo de batalha”, cobrindo um “amplo e crescente, espectro de funções”.

A ascensão da IA nas Forças Armadas: de suporte logístico à vanguarda da guerra moderna (III)

Como exemplos dessas aplicações, podemos citar: “Sensoriamento Remoto e Inteligência” — “sistemas processam volumes massivos de dados de satélites, radares e comunicações, oferecendo análises em tempo real, que seriam impossíveis de serem processadas apenas por equipes humanas”;

“Autonomia em Plataformas não Tripuladas” (os famosos drones) — que podem ser aéreos, marítimos (inclusive submarinos) e terrestres, com sistemas de IA que conseguem realizar navegação, reconhecimento e cooperação em “enxames” (swarms), reduzindo a necessidade de controle direto, embora a maioria (ainda) opere sob supervisão humana para “decisões letais”, segundo informações do “The Defence Horizon Journal”;

“Comando e Controle” — Sistemas como o indiano “Akashteer”, que faz controle de defesa aérea automatizado, exemplificam a integração de IA em redes conjuntas que monitoram e respondem a ameaças em tempo real e “sem interferência humana”;

e, como exemplo final e atualmente sendo o mais importante, “Guerra Cibernética e Defesa Digital” — Redes automatizadas detectam e mitigam ataques cibernéticos (ataques hackers de governos e/ou de grupos de criminosos internacionais) “com velocidades que superam as capacidades humanas”, com essa tecnologia servindo também, para atacar adversários.

A ascensão da IA nas Forças Armadas: de suporte logístico à vanguarda da guerra moderna (IV)

O Papa Leão XIV não está sozinho em suas preocupações. O uso militar de IA também vem gerando debates intensos em nível global, entre organizações da sociedade civil, cientistas de renome e líderes empresariais do setor de tecnologia. Todos, em maior ou menor grau, estão constantemente alertando para o uso indiscriminado de IA, em praticamente todas as áreas da atividade humana, especialmente nas guerras.

Especialistas alertam para os riscos de decisões militares automatizadas, sem transparência ou responsabilidades claras. Além disso, a ausência de regulamentação específica para armas autônomas e sistemas de IA militares torna o cenário geopolítico ainda mais complexo.

A IA consolidou-se como elemento estratégico central das forças armadas no mundo, da mesma forma que nas empresas e nos governos. E isso não tem retorno. Sua incorporação em operações militares, desde a logística (inicialmente) até o combate, está redefinindo a natureza da guerra.

Ao mesmo tempo, a rápida evolução tecnológica — acompanhada por lacunas legais e éticas — exige vigilância contínua por parte da comunidade internacional. Infelizmente, com o uso militar da IA já temos a “guerra dos filmes de ficção científica”, acontecendo na nossa frente!

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