O livro que espelha um homem singular
Outra mudança de rota
O deputado federal Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, iniciou o atual processo eleitoral como pré-candidato à Presidência da República. Posteriormente recuou.
Nesta sexta-feira, ele anunciou que desistiu da reeleição e que vai tentar um novo mandato de senador por Minais Gerais.
“Explosão”
Na última quinta-feira, o psiquiatra e presidenciável Augusto Cury, do Avante, virou “uma sensação” nas redes sociais e conquistou (num único dia) mais de 1 milhão de seguidores no Instagram.
Decolagem
O fato que desencadeou o “encantamento” com Augusto Cury foi a sua participação no debate da Band, domingo último.
Prometeu quase o céu
De acordo com o canal de notícias CNN Brasil, no jantar que participou esta semana com banqueiros o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) garantiu “blindar a economia do (grupo) Centrão” e “resolver o Supremo Tribunal Federal”.
Cartada decisiva
O grupo Globo colocou em prática uma nova tentativa de repatriar o narrador esportivo Galvão Bueno.
Conforme o site iG, a emissora teria realizado uma proposta que gira em torno de R$ 1 milhão mensais, com possibilidades de o profissional escolher quais jogos transmitir, retomar as transmissões da Fórmula 1, uma de suas paixões, e ainda ter um programa semanal na TV Globo.
2025: o ano que ainda não acabou
O Ministério Público Federal abriu um inquérito para investigar falhas no sistema de loterias da Caixa Econômica Federal durante a Mega Sena da Virada em 2025, informou a revista Veja.
Motivação: o banco cobrou, mas não processou as apostas de “vários apostadores”, segundo o órgão.
´Injeção na veia´
Os partidos políticos já transferiram R$ 1,3 bilhão para os candidatos que disputam as eleições de outubro, com base em dados da plataforma Divulgacand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O Fundo Eleitoral vai distribuir no total quase R$ 5 bilhões entre as legendas, conforme o jornal Folha de São Paulo.
Outras fontes
Os candidatos também já arrecadaram R$ 91 milhões por meio de doações de pessoas físicas, financiamento coletivo e repasses de outros candidatos.
Outros R$ 46,5 milhões foram injetados nas campanhas pelos próprios candidatos.
O detalhe
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência é a que mais recebeu recursos até ontem: R$ 42 milhões.
Resgate histórico
Na noite da última quinta-feira ocorreu o lançamento, em Campina Grande, do livro que homenageia o centenário de nascimento do empresário José Carlos da Silva Júnior.
A publicação é uma compilação de textos escritos por pessoas que tiveram a oportunidade (e o privilégio) de conviver com o visionário paraibano que impulsionou o Grupo São Braz muito além das fronteiras da Paraíba.
A força do exemplo
A professora e acadêmica Elizabeth Marinheiro foi a primeira oradora da noite. Ela pontuou que ´Zé Carlos´ “não se preocupou com ideologias de esquerda ou de direita e construiu a sua própria história”.
“Nessa caminhada, a Zé Carlos nunca faltou autoridade moral”, assinalou.
“Processo de inovação”
“José Carlos era um cidadão que desafiava as rotinas (…) Ele sabia que “o risco é inerente ao processo da inovação. Toda inovação corre riscos”.
“Ele vivenciou, observou e inventou – essa última palavra raríssima nos dias de hoje”, acentuou a acadêmica.
Índole
Elizabeth ressaltou o “espírito conciliador” de José Carlos, “que falava menos e ouvia mais”.
Trilha própria
“Caminhante, não há caminho, faz-se caminho ao caminhar”, arrematou a professora, invocando o poema “Cantares” do poeta espanhol Antonio Machado.
Lembrança afetiva
A oradora seguinte da cerimônia foi a engenheira química Ângela Maria Limeira Melo, gerente de Projetos e de Diversificação de Negócios do Grupo São Braz.
Ela inicialmente agradeceu “essa oportunidade de falar um pouco sobre a história que coincide com o seu José. Tenho certeza que muitos de vocês aqui presentes lembram de forma afetiva do Café São Braz e dos demais produtos São Braz. Uma fábrica de alimentos que se tornou uma marca presente nas cozinhas e lares da maioria das pessoas. Que era e é sinônimo de qualidade e de sabor na mesa. Ou ainda, os produtos preferidos de gerações e mais gerações”.
“Focado no trabalho”
“Essa fábrica, que inicialmente começou pequena, foi crescendo, se modernizando, mudando de cidade, se expandindo, diversificando os negócios e produtos, e hoje é um grande grupo de empresas (…) Tudo isso foi um sonho de um homem audacioso. O sonho do seu José Carlos, o seu José, como o chamávamos lá na fábrica. O sonho de um homem trabalhador, honrado, correto, extremamente dedicado e focado no trabalho, que tive a honra de ter sido sua colaboradora e convivido nos seus últimos bons anos na indústria de Cabedelo”, discorreu a engenheira.
Trajetória
Ela avançou: “Falo da lembrança da memória afetiva, porque já nas décadas passadas de 1980 e 1990, a São Braz já era uma indústria e que chamava atenção pela organização, pela qualidade de seus produtos e pela presença marcante em todo o Nordeste. E por trás dessa imagem super positiva, dentro dos muros da indústria, havia um homem visionário e vibrante”.
Percalço…
Ângela resgatou um momento tenso, que desaguou numa virada de chave: “A indústria e as marcas chamavam a atenção de multinacionais, que pelas pressões do mercado e o cenário econômico da época, forçaram o seu José a vender a indústria de Campina Grande. Estive presente na reunião quando ele, muito emocionado, anunciou para um grupo de colaboradores que havia vendido a indústria”.
… Superado
“Foi um dia de muita tristeza na empresa – prosseguiu. Mas o que parecia ser o fim de um negócio promissor, de um sonho, foi apenas o encerramento de um ciclo de atividades. E o seu José renasceu com uma nova indústria e com novos sonhos na cidade de Cabedelo, onde já havia se estabelecido a torrefação de café em anos anteriores. Ele ressurgiu semelhante a um broto de planta, que nasce com força e teimosia, mesmo diante de adversidades. A partir daí, a indústria só cresceu e expandiu. O seu José, através dos seus sonhos, do seu trabalho, foi responsável pelo crescimento profissional de muitas pessoas e de muitas famílias”.
Exigente
Ângela pontificou que “desde o estágio na indústria até um contrato de trabalho, como foi gratificante ver o crescimento das pessoas através do aprendizado, da escola São Braz, cujo professor era implacável com a qualidade dos processos e produtos e com a exigência na perfeição das atividades”.
“Aprendizados”
Ela disse à plateia que atuar na São Braz “foi uma segunda universidade, cheia de aprendizados e novidades estimulantes. Aprendemos com a exigência de Seu Zé Carlos de querer fazer sempre o melhor; a melhor ação, a forma mais organizada, mais limpa, pois nos aspectos relacionados à qualidade e à organização, valores éticos e morais e de justiça, o seu José era o campeão”.
Incentivador
“Preocupado sempre com a produtividade e a qualidade, ele estimulava todos a buscar níveis superiores (…) Seu José não só era um trabalhador, era também estudioso, pesquisador, leitor ávido de jornais, revistas e livros. Estimulava quem estudava, inclusive proporcionando condições para estudo àqueles que se interessavam. Tinha plena consciência de que através do estudo havia o progresso”, verbalizou a colaboradora.
Sonho que virou legado
Na parte derradeira de suas palavras, Ângela disse que estamos aqui “para honrar e aplaudir os 100 anos de sua história de vida e de trabalho, que transformou seu sonho em legado. Hoje estamos aplaudindo os 100 anos de um homem ávido pelo conhecimento e pelo trabalho”.
“Seu legado não está apenas nas indústrias, nas máquinas e processos, ou nas empresas que desenvolveu, mas primordialmente nas vidas que ele ajudou a construir, nas oportunidades que ele gerou, nos aprendizados que direta ou indiretamente seu José promoveu. Viva seu José!” – arrematou.
Atemporal
Em nome da família, quem falou no evento foi o caçula de seus filhos, Ricardo Carlos, que contextualizou a iniciativa de conceber o livro que estava sendo lançado: “O (livro) “Zé Carlos 100 anos” foi pensado como um produto perene, porque os livros são produtos perenes. E nós queríamos algo assim no centenário do nosso pai. Algo que a gente pudesse levar para as nossas casas; que a gente pudesse abrir suas páginas e ver a história de Zé Carlos, resgatar sua memória tão viva e tão presente nas nossas memórias, nas lembranças que sempre guardaremos dele”.
“Um visionário”
Ele observou que “este livro é um retrato do meu pai, um perfil com várias facetas dele e da sua vida. Aqui tem o homem, o pai, o amigo, o empresário, o político; sobretudo, um visionário que contribuiu com o desenvolvimento e a construção da Paraíba”.
“Aprendizado permanente”
“Conviver com Zé Carlos era um aprendizado permanente, um aprendizado do ponto de vista humano e aprendizado do ponto de vista profissional. Me permitam não ser modesto. Meu pai foi, em todos os sentidos, um homem extraordinário e raro. Nós, da família, sabemos, os que tiveram o privilégio de conviver com ele sabem”, assinalou Ricardo.
Duas vertentes
Ricardo frisou que a obra “revisita a memória do meu pai para quem o conheceu e faz outra coisa que, talvez, seja ainda mais importante: apresenta Zé Carlos a quem não o conheceu. Sobretudo aos mais jovens e aos das novas gerações. A memória do meu pai está presente em todos os dias.
O tempo todo
“Eu amanheço e anoiteço lembrando dele. Em muitos momentos, diante de decisões que preciso tomar, lembro dos conselhos, das conversas e dos ensinamentos que recebi ao longo da minha vida”.
Além do horizonte
“Meu pai pensava na frente. Muitas vezes ele dizia alguma coisa e eu pensava: como é que ele está imaginando isso? Depois as coisas aconteciam, exatamente o que ele tinha dito, como ele tinha dito. Ele sempre pensava no futuro.
Ensinamentos
“Nós o perdemos em março de 2021, mas ele segue com a presença permanente em nossas vidas. Uma presença permanente e muito forte. São os ensinamentos dele que nos guiam cotidianamente, que apontam os caminhos que devemos seguir na vida e à frente dos projetos e das ações que um dia foram deles. É por isso que estamos reunidos aqui em Campina Grande, a cidade que ele amava”, discorreu Ricardo.
“Desfrutem”
O filho asseverou que “essa é uma noite de comemoração, de celebração e de homenagem a José Carlos da Silva Júnior. (…) Vocês sairão daqui com esse livro. Leiam, desfrutem. Suas páginas e suas imagens contam uma bela história. Revisitem Zé Carlos ou, sobretudo os mais jovens, conheçam Zé Carlos”.
“Serena sensação”
“Vou terminar com algo que extraí do livro, algo que é muito verdadeiro e que nos comove. Talvez seja o legado mais raro. Não apenas celebrado, mas continuamente presente: poucos deixam fortunas, alguns deixam instituições, raríssimos deixam métodos. José Carlos da Silva Júnior deixou os três. E deixou também algo mais difícil de construir: a serena sensação de que certos homens, quando partem, continuam habitando nas cidades”, finalizou Ricardo Carlos.
Como o Brasil é singular, qualquer dia desses Flávio Bolsonaro e Lulinha podem virar sócios…