Lucas em céu de brigadeiro; “Senado em guerra”
Pista livre para Lucas
A nova (e esperada) rodada de pesquisas contratada pelas TVs Cabo Branco e Paraíba ao Instituto Quaest, divulgada na noite desta terça-feira, espelhou um estado de espírito latente entre os aliados do governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro (PP): que a consumação da vitória poderá acontecer já no 1º turno, dia 4 próximo.
O percentual obtido na pesquisa estimulada (49% das intenções de voto) lastreia esse sentimento.
“Desidratação”
O resultado igualmente retrata o estágio atual da campanha do ex-prefeito pessoense Cícero Lucena (MDB), que não consegue se mostrar (convincentemente) ao eleitorado como uma candidatura de oposição; como alternativa de mudança nas prioridades administrativas atuais.
Sem o “dever de casa”
Flagrantemente sem conseguir fazer agudos reparos ao ex-aliado e ex-governador João Azevedo (PSB), Cícero (15% de intenção de votos na pesquisa de ontem) patina com a sua campanha até mesmo em seu ´reduto-mor´: a capital paraibana.
Conta que não fecha
Querer se opor à gestão de alguns meses de Lucas, mas passando ao largo da administração de João, parece ser uma missão inglória, para não atestar que se mostrou natimorta.
Incógnita
Remanesce a dúvida se a estratégia da campanha de Cícero encarna uma falha incrivelmente comezinha, ou se o seu marketing está tendo que se moldar aos limites fixados pelo candidato.
Oposição “raiz”
Quanto a Efraim Filho, inegavelmente é o único candidato a governador que busca peremptoriamente se contrapor ao modelo administrativo atual.
A nova pesquisa atesta o que se desenhava na rodada anterior: a ultrapassagem de Efraim (16% de intenções de voto) sobre Cícero e a conquista da 2ª posição, apesar de colados na margem de erro.
Cenário desafiador
O que pode estar represando a campanha de Efraim na perspectiva de assegurar a realização de um eventual segundo turno – pouco provável à luz dos números da Quaest – é a sua vinculação ao bolsonarismo, com as restrições automáticas que isso enseja num país repetida e deploravelmente dividido.
Noutra angulação
Os números atribuídos a Efraim sequer se aproximam do que tem sido obtido pelo presidenciável Flávio Bolsonaro (23%) no Estado.
Opção a ser feita
Desnacionalizar (ou não) a disputa pelo governo da Paraíba se constitui num dilema para a campanha de Efraim nos próximos dias. Em qualquer missão, será uma missão hercúlea.
Acirrada
No capítulo inerente ao Senado, vivenciamos a mais movimentada das disputas, em função de particularidades do pleito de 2026.
No primeiro plano está João Azevedo (PSB), em posição confortável (28% das intenções de voto), ao ponto de se permitir “ancorar” as campanhas de Lucas e de seu companheiro de chapa para o Senado: o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos).
“Blindado”
João avança nessa campanha como uma espécie de “Moises” atravessando o mar inteiramente intacto, para invocar uma analogia bíblica.
Salvo algumas “espetadas” do também concorrente ao Senado, Major Fábio (Novo), e de seu antecessor Ricardo Coutinho (PT), que não está na chapa majoritária, Azevedo está passando ao largo de fatos obscuros, e de repercussão milionária nos cofres públicos, ocorridos em seu governo.
Espremido
A campanha à reeleição de Veneziano Vital (MDB) enfrenta adversidades à medida que o calendário avança, a começar pelo definhamento da candidatura de Cícero e pela mobilização da volumosa engrenagem governista para eleger a chapa completa – governador e dois senadores.
Os percentuais obtidos por Lucas e João impulsionam nessa direção.
Entre adversários
O senador (18% de intenções de voto) encontra-se “ensanduichado” entre a liderança de João e o “rolo compressor” que o deputado Hugo Motta (Republicanos), desmedidamente, imprime à campanha de seu pai, Nabor, para o Senado.
Enfrentamento
O ´V´ pode ter se equivocado ao não ter buscado estabelecer um debate conceitual sobre a vaga de senador com João Azevedo, optando pela polarização com Nabor.
O ex-governador “faz a diferença” justamente no “1º voto” do eleitor.
A favor do emedebista, está a ressignificação que implementou em seu mandato, com um acervo robusto de entregas e a reconquista de boa parte do eleitorado de Campina Grande e região.
Sem decolar
A postulação ao Senado do ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga (PL), até o presente, mostra-se restrita (7% das intenções de voto) em termos de adesão popular, até mesmo no núcleo do agrupamento que diz representar no Estado: o bolsonarismo.
A prova disso é o hiato que o separa das intenções de voto de Efraim e (principalmente) do próprio presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
A fórceps
Nabor Wanderley encarna literalmente uma postulação de “laboratório”, alavancada pelo poderio imensurável que é oferecido ao ocupante da presidência da Câmara Federal.
A arregimentação do apoio da grande maioria dos prefeitos paraibanos para Nabor não é articulação a ser explicada pela ciência política, mas deve ser creditada ao elástico orçamentário pilotado sem cerimônias por Hugo Motta.
O que vai pesar mais?
E aí emana uma dúvida a ser dirimida nas urnas: toda a multimilionária mobilização feita em favor de Nabor tem aniquilado (ou atenuado expressivamente) a corrosão ilimitada que padece o próprio Hugo, que até no plano nacional amarga um desgaste monumental que se avoluma diante das revelações sobre a sua vinculação acentuada com o banqueiro Daniel Vorcaro?
Como variável em favor de Hugo e de Nabor, o fato visível de Cícero e Efraim terem abdicado – até o momento – de estabelecer qualquer vinculação entre o conjunto da chapa majoritária governista e o deputado ´vilão nacional´ do momento.
Os ministros do Supremo Tribunal tornaram as eleições 2026 apáticas…