Eleições e a “farra” dos impulsionamentos
Na Serra da Borborema
O jornalista e escritor gaúcho Milton Jung, âncora matinal da rede CBN de rádio, esteve ontem em Campina Grande para participar do II Encontro Mídiacom Paraíba, realizado no auditório da Federação das Indústrias da Paraíba e que teve como tema “Mídia e Entretenimento: Negócios, Tecnologia e Informação”.
Ele falou sobre o evento, sobre mídia, eleições presidenciais e o futuro do rádio.
Confira um resumo do que ele disse a seguir.
“Mais do que uma mídia”
“O rádio continuará presente. A voz do rádio continuará presente na vida das pessoas. Com todas as mudanças e ampliação dos canais de comunicação, o rádio resiste graças à sua qualidade, às características que ele tem desde a origem – algumas muito próximas das redes sociais -, e ao trabalho que os profissionais de rádio continuam fazendo.
“O rádio é mais do que uma mídia, é uma forma de se comunicar. E essa forma de se comunicar, ela só existe e está presente na vida das pessoas porque são pessoas falando com pessoas.
Foco principal
“Por mais que a tecnologia seja importante, por mais que a inteligência artificial ajude o nosso trabalho, é preciso investir menos em chat e mais em gente para trabalhar.
Jornalista X escritor
(como conciliar o tempo) “Isso é tranquilo, porque tudo é comunicação e eu sou apaixonado por essa prática. E vejo também como uma responsabilidade: nós que, ao longo do tempo, tivemos o privilégio de trabalhar com comunicação – no meu caso, mais de 40 anos -, a gente tem uma obrigação, uma responsabilidade de compartilhar esse conhecimento com outras pessoas. Até porque, que graça tem a gente adquirir um conhecimento para ficar só para a gente?
“O mais bonito desse trabalho é você levar à frente. Depois, passado o seu tempo, você perceber que deixou um legado. Então, isso é um tempo muito bem ocupado diante de tudo o que a gente tem no dia a dia.
Sucessão presidencial
“Não é a questão do nível da campanha (baixo) deste ano, mas como a política está se transformando através, inclusive, da necessidade de se comunicar por plataformas digitais, o que está diminuindo a qualidade da discussão. E isso é um cuidado que a própria política e os políticos vão precisar ter.
“Aliás, é uma responsabilidade nossa também, da sociedade, de fazer essa escolha; uma escolha mais apurada, mais aprofundada. Nós não podemos ser contaminados por esse discurso fácil que nos oferecem. Nós temos a obrigação de cobrar dessas pessoas que querem nos representar no espaço público suas posições.
“Exercício constante”
“E aí cabe também ao jornalista fazer essa mediação. Ao longo do tempo, nós, como jornalistas, perdemos o protagonismo desta mediação. Temos que retomar isso, porque não basta um candidato ir para a rede social e dizer o que quer, recortar o que ele pode – isso vai acontecer, é inevitável. Agora, diante de um jornalista profissional, o jornalista tem que cobrar, tem que saber argumentar, exercitar, testar os argumentos e contextualizar, trazendo a verdade. Porque o jornalismo é um exercício constante da busca da verdade.
Conduta…
“O rádio tem feito o seu papel de diferentes maneiras. Quando abre espaço para o debate público, ele está fazendo o seu papel. Quando ele promove sabatinas, ele está fazendo o seu papel. Talvez o que a gente tenha que aprofundar é a forma como essas sabatinas são feitas, a maneira como nós questionamos as autoridades e tomar um pouco de cuidado para não faltar o respeito, mas, principalmente, não ser subserviente.
… Recomendada
“Isso é um cuidado que nós devemos ter como jornalistas. Porque, por mais que a autoridade mereça o respeito – aliás, como qualquer cidadão merece o respeito -; você tem obrigação, como jornalista, de questionar, cobrar, identificar quando está errado. Esse é o nosso papel. Se não, a gente se transforma apenas em alguém segurando um microfone para que a pessoa fale o que ela bem pensa. Para isso, bastam as redes sociais. E nós nos diferenciamos porque temos jornalistas profissionais”.
“Eu não faria isso”
O senador eleito João Azevedo (PSB-PB) cobrou publicamente que o prefeito de João Pessoa, Leo Bezerra (PSDB) “desça do muro” acerca da sucessão presidencial.
“Não existe possibilidade nenhuma de alguém, numa eleição presidencial como essa, se colocar na condição de isento, de dizer: ‘eu não quero opinar’. Você tem um conjunto de pessoas que respeitam e que seguem (o prefeito) administrativa e politicamente. E você não dá a sua posição. Eu não concordo”, salientou João.
“Isso não existe. Acho que é um equívoco não declarar o seu posicionamento. Eu não faria isso”, reforçou João.
Tchau
A federação partidária PP-União Brasil anunciou que abandonará Davi Alcolumbre (União-AP) na disputa pela presidência do Congresso Nacional em fevereiro próximo.
Dúvida remanescente: se eventualmente o presidente Lula for reeleito, as citadas legendas preservarão esse posicionamento?
Palanque
“Pior que a truculência de Flávio Bolsonaro, pior que a falta de preparo dele, é o cinismo. Um cara que mente e que não respondeu absolutamente nada porque não tem compromisso em dizer sobre o que pensa. Ele foi treinado só para isso”.
Deputado federal eleito Ricardo Coutinho (PT-PB) sobre o debate na Band, domingo último.
Garantia dada
Ao transitar por Campina Grande no último domingo, para participar de um evento em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o seu candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar (PL-AL), declarou que “a nossa vinda é para garantir ao povo do Nordeste que Flávio, quando me chamou para ser candidato a vice, fez uma sinalização ao Nordeste de prestígio, investimento, e que o Nordeste terá um olhar completamente diferenciado”.
“No segundo turno, a diferença vai ampliar muito, porque o povo brasileiro cansou da corrupção, do crime organizado, dos juros absurdos, da falta de oportunidades”, asseverou Alfredo.
Sob controle
A circulação “orgânica” (natural) de conteúdos eleitorais na internet está literalmente travada, como forma de induzir os candidatos e partidos ao pagamento de impulsionamentos.
E isso tem acontecido.
Tilintar
Reportagem do jornal O Globo mostra que as chamadas “bigtechs” nunca ganharam tanto dinheiro num processo eleitoral brasileiro.
As redes sociais da Meta (Facebook e Instagram) absorveram a demanda dos candidatos por impulsionamento digital e já faturaram R$ 290 milhões neste ano.
O valor é 85% maior, em valores corrigidos pela inflação, que as receitas da Meta nas eleições federais de 2022.
Cifras milionárias
A Meta absorveu, até agora, em 2026, 6% de todos os gastos dos candidatos com fornecedores de campanha.
Quem mais gastou dinheiro com impulsionamento de conteúdo nas redes sociais foi Flávio Bolsonaro: R$ 7,5 milhões no Facebook e no Instagram.
A campanha do atual presidente Lula pagou R$ 2,6 milhões nas redes.
No debate das Band, as crianças deveriam ter sido retiradas do ambiente…