Cícero Lucena: esfinge que pode mutilar a oposição
“No altar”
Conforme o senador Efraim Filho (PL), pré-candidato a governador, o casal Bruno Cunha Lima/Juliana até amanhã vai responder sobre o convite para que a 1ª dama de Campina Grande seja a sua companheira de chapa (vice-governadora).
Com base na ´semiótica´, tudo caminha para um ´sim´ no altar das eleições 2026.
Reticentes
Vereadores do União Brasil em Campina Grande estão ´cabreiros´ com a documentação obtida por Efraim Filho para que deixem a legenda e se filiem ao PL.
Pré-datada
A ´carta de anuência´ (liberação) é datada de fevereiro último, quando Efraim ainda presidia o União na Paraíba.
Condicionante
Acontece que uma Resolução da direção nacional do União, do mês passado, estabelece que “no ano de 2026, a competência para a expedição de carta de anuência em favor de mandatários municipais será exclusivamente da Comissão Executiva Nacional, sob pena de nulidade”.
Imprevisibilidade
Efraim conseguiu uma garantia do advogado Antonio Rueda, presidente nacional do União, garantindo que o partido não ingressará judicialmente contra os edis campinenses, mas pelo caminho há o interesse dos suplentes.
Sem tinta no papel
Concretamente, não houve o ingresso partidário dos edis no ato de filiação ocorrido na tarde de ontem no Garden Hotel, em Campina Grande.
Sob apuração
O Tribunal de Contas da União instaurou uma auditoria para verificar a regularidade de uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão destinada pelo presidente da Câmara Federal, paraibano Hugo Motta (Republicanos), à cidade de Patos – noticiou o site Metrópoles.
Em detalhes
Veja aqui a matéria.
Perseverante
O empresário campinense Artur Bolinha Almeida, que ontem retornou ao Partido Liberal, deseja concorrer ao Senado.
Não se sabe se aceitaria uma suplência.
Em cogitação
O ex-ministro (da Saúde) Marcelo Queiroga e o deputado federal Cabo Gilberto disseram ontem à Aparte que o PL poderá abrir mão de ter um segundo candidato ao Senado, como forma de viabilizar aliança com outros partidos.
Vai às urnas
A empresária Rosália Lucas está deixando a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado para tentar um mandato de deputada estadual pelo Progressistas.
No lugar do governador
Rosália (aparentemente) ´atravessou o enredo´ da liturgia do poder e apresentou a sua sucessora: a também empresária Mariane Góes.
Mariane “conhece como ninguém o setor privado, o comércio, o setor de serviços”, assinalou a agora ex-secretária.
Sempre atual
O ex-tribuno e jurista Vital do Rêgo, recorrentemente, invocava uma frase lapidar de um dramaturgo romano – Terêncio: “Tudo que é humano, não surpreende”.
Fora de hora
A hesitação do prefeito pessoense Cícero Lucena (MDB) em levar adiante a sua pré-candidatura a governador não encontra parâmetro algum, a essa altura do calendário, no que diz respeito à racionalidade.
Quando trincou
Recorde-se que o ´marco zero´ dessa postulação foi o desapontamento do prefeito pessoense com a pré-candidatura – considerada natural – do vice-governador Lucas Ribeiro (PP) à sucessão do governador João Azevedo (PSB).
Argumentos
Cícero focou em dois pilares a sua insubordinação: que liderava as intenções de voto para o pleito de 2026, e que seria a sua última chance de governar a Paraíba
Sem afogadilho
Não dá para creditar a um “rompante” o rompimento de Cícero com a base governista em setembro do ano passado.
Em primeiro lugar, porque não cabe no prefeito da Capital o figurino de amador, dado os muitos mandatos eletivos que acumula e as décadas cumulativas como homem público.
Meditação à distância
Adicionalmente, lembro que Cícero se permitiu mais um ciclo de caminhada, na distante Santiago de Compostela, no ano passado, para refletir longamente sobre a decisão de concorrer ao governo do estado, com a particularidade de que, até em função do aspecto etário, a eleição que se avizinha é a última oportunidade de Lucena de ser governador da Paraíba por um mandato inteiro e pela força do voto.
Por conta própria
Ao decidir se rebelar contra a “chapa familiar” do Progressistas, o seu partido na época, Lucena o fez de forma unilateral, por opção própria e sem o estímulo ostensivo (pelo menos público) da então oposição na Paraíba.
Mais: sabendo dos desafios que é encabeçar uma chapa de oposição na Paraíba.
Linear
Ao pé da letra, em nenhum instante até o presente Cícero assumiu, na plenitude, uma postura de oposição ao atual modelo administrativo estadual.
Pé na estrada
Nos últimos meses, tamanha era a ânsia de Cicero em disputar o governo estadual, seus finais de semana eram dedicados às visitas às cidades interioranas, recebendo, inclusive, a critica de estar abandonando João Pessoa.
Nesse período, ele proclamava que só Deus o impediria de disputa o pleito de 2026.
Coroamento
Ele também tratou de lançar ´pontes´ na direção da reconciliação com o grupo Cunha Lima, cujo ápice foi a sua presença no lançamento de um filme de curta-metragem em homenagem ao poeta Ronaldo Cunha Lima, em Campina Grande.
Por antecipação
Ao longo dos últimos meses, de forma enfática, Cícero ouviu renovadamente do ex-deputado Pedro Cunha Lima a sua intenção de não concorrer ao processo eleitoral deste ano.
Não vingaria
Noutra perspectiva, o prefeito pessoense conhece muito bem o deputado Romero Rodrigues – até pelos vínculos familiares – e sabe que seria em vão cobrar dele definições por antecipação em termos de eventual participação numa chapa majoritária, até porque mais de três meses nos separam do período das convenções partidárias.
Cobrança incisiva
No afunilamento do prazo para desincompatibilização dos cargos executivos, para quem quer concorrer ao pleito, subitamente emergiram dúvidas no imaginário de Cícero Lucena, a começar pela exigência da indicação imediata do seu companheiro de chapa, ao ponto de ter fixado um prazo para essa escolha, sob pena de sua desistência.
Imposição
Ele foi mais além numa dessas rodadas internas de tratativas: avisou que só aceitaria como vice Pedro Cunha Lima ou Romero Rodrigues, já referidos acima.
Cara nova
Nesta semana final para decisões, emanou o nome de um membro da família Cunha Lima (Diogo), até onde se sabe assimilado por todo o entorno do prefeito.
Cultura eleitoral
Em declarações no começo desta semana, o próprio Cícero admitiu em entrevista que é tradição na política local que a escolha do vice seja feita às vésperas das convenções, citando o seu próprio exemplo.
Resgate recente
Dia 30/03: Na última segunda-feira, Cícero derivou em entrevista ao ser abordado sobre o seu afastamento do cargo esta semana: “Tu viu o tamanho das pias do banheiro dessa creche? Tu viu (vistes) o tamanho da bacia sanitária? Tu viu o solário, o chuveiro? Ô coisa linda. Isso é o que me empolga, me anima. Eu já disse que o futuro a Deus pertence”.
Dia 31/03
Na última terça-feira, indagado sobre a desincompatibilização do cargo, o prefeito respondeu “Ainda não me passaram essa pauta”.
Dia seguinte
Ontem, Cícero foi – ao mesmo tempo – lacônico e enigmático: “Quem sabe é Deus”.
Novas situações
Ainda nesta quarta-feira, a questão da vaga de vice ficou pelo caminho e – ao que se informa – surgiram novas cobranças da parte do prefeito, como forma de consumar a sua renúncia a 3 anos e 8 meses de mandato.
Sintonizadas
Também ontem – e estranhamente – houve uma proliferação de declarações de lideranças governistas, puxadas pelo próprio governador João Azevedo (PSB), relativizando os atritos com o prefeito da Capital e acenando favoravelmente para uma eventual reaproximação.
Fora da agenda
De maneira inesperada, João Azevedo suspendeu a sua intensiva agenda desta quarta-feira para conceder uma entrevista à ´Arapuan FM´ de João Pessoa – momentos após ter dado uma entrevista coletiva no Espaço Cultural José Lins do Rêgo – e fazer acenos ao prefeito Cícero Lucena (MDB-JP).
Sem estremecimento
“Na minha relação pessoal com ele (Cícero) não tem abalo. Agora, não concordo até hoje com a escolha que ele fez, porque os motivos alegados não me convenceram nunca”, verbalizou Azevedo.
“Isso é óbvio”
Para o governador, o distanciamento com Cícero não é um ´cristal quebrado´.
“Evidentemente, se ele não fosse candidato mais, e dissesse que voltaria a estar junto com o grupo, a gente ia sentar para discutir. Isso é óbvio”, salientou.
Sem agressões
Azevedo sublinhou que “mesmo com essa decisão de ele (Cícero) ser candidato, nunca houve agressões de parte a parte”.
Quanto a uma eventual reaproximação política com o prefeito da Capital, João Azevedo afirmou que “não vejo problema. Na política é possível sim uma reconstrução de um momento. Mas teria que haver uma mudança de direção”.
Não habitual
Combinemos que não é comum esse tipo de atitude pública, salvo exista algum aceno ou expectativa.
Derradeiras interações
Na noite desta quarta-feira, Cícero Lucena esteve reunido com algumas lideranças para compartilhar cenários e possíveis desdobramentos, como forma de até sábado anunciar a sua opção: sequenciar o projeto desencadeado há seis meses ou permanecer na Prefeitura de João Pessoa e cobrir com um véu a súbita mudança de rota.
Nos últimos dias, os semblantes de Cícero e de Léo Bezerra (vice-prefeito pessoense) indicavam – para usar uma expressão disseminadas por ambos – que João Pessoa continuaria a ter “dois prefeitos”.
A festejada poetisa brasileira Cecília Meireles dizia que “o mistério das coisas é que não há mistério nenhum”. Simples assim.
Emoções à vista em Campina Grande…