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Foto: PT/Divulgação
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O ex-secretário estadual da Fazenda Cadu Xavier (PT), 48, que adotou o nome Cadu de Lula na urna, foi eleito governador do Rio Grande do Norte neste domingo (25), segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Com 100% das urnas apuradas, ele registrou 50,77% dos votos válidos, contra seu adversário, o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil), que obteve 49,22% dos votos.
Para projetar a vitória de um candidato, o Datafolha acompanha os dados da apuração divulgados pelo TSE e, por meio de um sistema próprio, faz a projeção do resultado considerando o agrupamento de eleitores por mesorregião e natureza do município em cada estado. Quando há um número razoável de votos apurados nesses agrupamentos, é possível estimar que um candidato não poderá mais ser ultrapassado e, portanto, projetar sua vitória.
“Essa vitória é do povo potiguar! Obrigado a cada pessoa que acreditou, caminhou ao nosso lado e sonhou com um Rio Grande do Norte que continue avançando”, disse o governador eleito em sua página no Instagram.
A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Cristiano Zanin de prorrogar por duas horas a votação em todo o país, emitida pouco após as 17h, causou confusão entre mesários e presidentes de seção. Em alguns locais do país, urnas já haviam sido encerradas e contabilizadas, com a impressão de boletins de urna. A prorrogação do horário é inédita no país.
Cadu havia saído atrás no primeiro turno em uma disputa acirrada pelo governo. No último dia 4, ele recebeu 36,16% dos votos válidos, ante 36,94% de Allyson. Em números absolutos, a diferença entre os dois foi de apenas 15.509 votos. O Rio Grande do Norte foi o único dos nove estados nordestinos com segundo turno nesta eleição.
Filho de potiguares, nascido no Rio de Janeiro, Carlos Eduardo Xavier é engenheiro da computação e mestre em engenharia de produção pela UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).
Em 2005, ocupou o cargo de auditor fiscal, após aprovação em concurso público da então Secretaria de Estado da Tributação.
Entre janeiro de 2019 e março de 2026, na gestão de Fátima Bezerra, comandou a mesma pasta, que posteriormente passou a se chamar Secretaria da Fazenda.
Cadu também foi diretor do Sindicato dos Auditores Fiscais do Rio Grande do Norte e presidiu o Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal).
Ele deixou o cargo de secretário no início do ano para disputar o pleito estadual.
A campanha buscava a continuidade dos oito anos de governos do PT no estado, iniciados em 2019, mantendo a influência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um dos redutos petistas na região Nordeste do país.
Cadu disse ao longo da campanha que a gestão de Fátima Bezerra trouxe um “profundo processo de reconstrução” ao estado.
Apoiando-se também em sua trajetória como auditor e secretário da Fazenda, o petista destacou ter responsabilidade com as contas públicas. “Cadu sabe que responsabilidade fiscal e compromisso social não são caminhos opostos”, diz trecho do seu programa de governo.
Entre as propostas apresentadas pelo ex-secretário estão a implantação de centrais regionais de diagnóstico para ampliar o acesso a exames e aproximar a população de serviços, ampliação do ensino em tempo integral para todas as escolas do estado e complemento mensal de R$ 50 para estudantes beneficiários do programa Pé-de-Meia.
Na última semana antes do segundo turno, ele disse que metade do seu secretariado será composto por mulheres.
Na reta final do segundo turno, o ex-secretário também anunciou a proposta para zerar o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) de carros e motocicletas utilizados por motoristas de aplicativo, profissionais vinculados a cooperativas de transporte e mototaxistas cadastrados do interior.
No decorrer da campanha, ele criticou a posição de neutralidade sobre a disputa presidencial do adversário Allyson Bezerra.
Lula e Cadu tentaram colar em Allyson a pecha de bolsonarista. O PL teve como candidato no estado Álvaro Dias, apoiado pelo senador Rogério Marinho, que comanda a campanha de Flávio. Ele ficou em terceiro lugar, com 26,71% dos votos válidos.
No ato de Lula em Natal em 10 de outubro, Cadu acusou o adversário de não assumir que apoiava o bolsonarismo. “Aqui no primeiro turno, era uma candidatura de esquerda, progressista, do campo popular, contra uma candidatura bolsonarista assumida e uma enrustida. Agora, nós temos lado. É Cadu de Lula. O outro lado é bolsonarista enrustido”, declarou na data.
Allyson tentou se dissociar tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro (PL), apresentando-se nas redes sociais como um candidato de gestão “perseguido por duas estruturas nacionalmente fortes que estão com medo de perder” e dizendo que seria capaz de dialogar com qualquer um dos vencedores.
O ex-prefeito de Mossoró iniciou a trajetória política em 2018, quando foi eleito deputado estadual com 20 mil votos. Foi o deputado estadual mais jovem eleito naquele ano no estado.
Em 2020, venceu a eleição para a Prefeitura de Mossoró, tornando-se o prefeito mais jovem da história da cidade. Ele foi reeleito em 2024 com 78% dos votos.
Também concorreram, no primeiro turno, ao governo do Rio Grande do Norte Professor Robério Paulino (PSOL), Arinalda do MLB (UP), Dário Barbosa (PSTU), Henrique Lyra (PCO) e Godeiro Linhares (DC). Rodrigo de Bolsonaro (Agir) desistiu a oito dias da votação e declarou apoio a Álvaro Dias.
*folhapress
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