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Foto: Joyce N. Boghosian/Ascom/Casa Branca
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) que está banindo da Casa Branca alguns veículos de imprensa, acusando-os, sem provas, de publicar notícias falsas.
A emissora CNN, o site Politico e a rede MS NOW, antiga MSNBC, são alvo, e o republicano deixou em aberto a possibilidade de vetar outros veículos.
“Tenho orgulho de anunciar que, com efeito imediato, estou banindo a rede de notícias falsas CNN, a MS NOW e a Politico da Casa Branca”, afirmou o presidente em um post no Truth Social. “Isso se deve ao fato de que esses veículos de mídia constantemente ‘reportam’ notícias falsas!”
A CNN classificou o banimento de “ataque ilegal” contra a liberdade de imprensa. A emissora declarou ainda que sua cobertura é “justa e precisa” e está protegida pela Constituição dos EUA. Um banimento “seria um ataque ilegal a esse direito fundamental e constitucionalmente protegido”, afirmou o canal em nota.
Já o Politico, além de reafirmar a garantia constitucional que salvaguarda seu trabalho, prometeu “defender vigorosamente” seus direitos e afirmou que “continuará a noticiar de forma justa sobre esta Casa Branca e as futuras”.
O veículo ainda afirmou que “as acusações de que o Politico recebeu subsídios do governo são falsas e foram totalmente refutadas”. Trump acusou o veículo de ter recebido US$ 8 milhões do governo americano durante o governo de Joe Biden.
Sem dar exemplos do que vê como notícia falsa ou de detalhes da decisão, o presidente ainda escreveu que “os veículos de comunicação não deveriam poder escrever ou noticiar FICÇÃO e MENTIRAS constantemente quando estão cobrindo o presidente dos Estados Unidos ou o governo Trump”.
“É realmente o acúmulo de histórias dos últimos dois anos. Você se cansa disso”, disse Trump, ao ser questionado sobre por que decidiu adotar a medida agora. “Eles sabem [os fatos], são pessoas inteligentes, mas escrevem notícias negativas de propósito porque querem tentar diminuir os republicanos e uma gestão republicana.”
O anúncio ocorre a poucas semanas das eleições de meio de mandato, em que o partido de Trump enfrenta a possibilidade de perder o controle de pelo menos uma das Casas do Congresso. As mais recentes pesquisas de opinião mostram que os democratas estão mais motivados a votar e os índices de aprovação de Trump seguem em baixa acentuada.
O republicano já atacou diversos veículos de imprensa em outras ocasiões. Em março de 2025, o presidente chamou de ilegais e corruptos os meios de comunicação que o criticam e atacou também dois dos canais alvos da nova proibição.
“Acredito que a CNN e a MSNBC, que escrevem literalmente 97,6% de coisas ruins sobre mim, são braços políticos do Partido Democrata”, afirmou à época ao também criticar o que chamou de perseguição.
“Na minha opinião, são realmente corruptos e ilegais. O que fazem é ilegal”, disse Trump na ocasião. O republicano afirmou ainda que os meios de comunicação “influenciam os juízes”. Isso “está mudando a lei, e simplesmente não pode ser legal. Não creio que seja legal. E o fazem em total coordenação entre si”, afirmou.
O americano costuma atacar os meios de comunicação desde seu primeiro mandato, de 2017 a 2021, em intensidade sem precedentes para um líder americano recente.
Em várias ocasiões, o republicano já chamou jornalistas de “inimigos do povo” e de “produtores de fake news”.
Questionado nesta sexta sobre uma tentativa semelhante de restringir o acesso da CNN durante sua primeira vez na Casa Branca, Trump reconheceu que a nova medida também poderá ser alvo dos tribunais.
“Vamos ver. Acho que é bom deixar isso claro, sobreviva ou não [na Justiça]”, afirmou. “Não acho que um tribunal deveria permitir que notícias falsas sejam publicadas dia após dia. Acho que alguém tem o direito de mantê-los afastados se eles vão escrever histórias falsas o tempo todo.”
Trump se referia ao episódio de 2018 envolvendo Jim Acosta, então correspondente da CNN na Casa Branca. Na ocasião, o governo retirou a credencial do jornalista, mas um juiz federal determinou sua restauração.
Desde que começou seu segundo mandato, em janeiro de 2025, o presidente pressiona meios tradicionais de comunicação, como a agência de notícias americana Associated Press, ao mesmo tempo que facilita o acesso à Casa Branca de outros que antes eram marginalizados e de direita.
A presença de veículos amigáveis nas entrevistas coletivas na Casa Branca, inclusive influenciadores e blogueiros pró-Trump, tem mudado a dinâmica da cobertura na sede do Executivo, com perguntas adulatórias e porta-vozes do governo fazendo propaganda desses veículos próximos.
Um dos ataques à Associated Press, poucos meses depois de o republicano voltar à Presidência, teve relação com a recusa da agência de notícias de chamar o golfo do México de “golfo da América”, como queria Trump ao decretar a mudança do nome nas primeiras semanas do novo mandato.
Naquele momento, o republicano barrou a agência de acompanhar entrevistas coletivas no Salão Oval da Casa Branca, mas não impediu o veículo de entrar no prédio do governo.
Em defesa, a AP afirmou que, por ser uma agência de alcance internacional e o nome continuar golfo do México fora dos EUA, manteria a nomenclatura reconhecida fora do país.
É também por estes constantes ataques à imprensa que, pela primeira vez em 50 anos, os EUA perderam o status de “democracia liberal” e passaram a ser considerados uma “democracia eleitoral” pelo V-Dem, instituto ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia, que anualmente mede a qualidade das democracias globais.
No relatório referente ao ano de 2025, divulgado em março, o instituto, um dos mais renomados do mundo no acompanhamento do tema, alerta para o rápido declínio da democracia americana sob o republicano.
*folhapress
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