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Foto: ParaibaOnline
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O Serviço Social do Comércio (Sesc), criado por decreto há exatos 80 anos, é uma instituição brasileira privada, sem fins lucrativos, que serve para promover o bem-estar e a qualidade de vida dos trabalhadores do comércio e de suas famílias.
É um bom exemplo de que uma instituição pode superar e engrandecer sua própria definição. O melhor jeito de explicar o impacto positivo que o Sesc, essa entidade que integra o chamado Sistema S, causa na sociedade brasileira está no modo geralmente carinhosa com que as pessoas se referem a ele.
“Olho para a piscina do Sesc Belenzinho pensando em serviço de primeiro mundo entregue ao público, que é valorizado e valoriza o oferecimento”, comenta o músico Tom Zé.
Nascido no mesmo ano em que a instituição foi fundada, o escritor Mário Prata diz que conheceu praticamente todo o Brasil por causa de eventos literários promovidos pelo Sesc. “Não tem o que falar sobre o Sesc, basta entrar em um”, sintetiza.
Prata define a instituição como “o verdadeiro Ministério da Cultura do Brasil“.
Sandoval Tibúrcio, artista visual, ator, escritor e cabeleireiro, teve sua vida mudada pelo Sesc. Autor do livro Magnitude, ele se habilitou profissionalmente graças a dois cursos realizados em unidades do Sesc do Rio – o de cabeleireiro e o de maquiagem.
“O Sesc tem o papel de abrir portas na vida das pessoas sem que elas percebam, diz ele.
Origem
O Sesc nasceu em um contexto de avanços sociopolíticos, trabalhistas e de bem-estar social.
O embrião da ideia foi proposto na 1ª Conferência das Classes Produtoras, evento realizado pelo empresariado do comércio e de serviços em Teresópolis, no Rio, em 1945.
No ano seguinte, o setor publicou a Carta da Paz Social, um documento de intenções para uma atuação estruturada na área social.
Desse compromisso nasceram a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o Senac e o Sesc – este último, oficialmente fundado por decreto federal de 13 de setembro daquele ano.
Acesso democrático
Gradualmente, unidades passaram a ser instaladas nas principais cidades brasileiras, e o Sesc se tornou uma rede profundamente capilarizada, com atividades culturais, educativas, de lazer e serviços de saúde.
O que era inicialmente restrito aos trabalhadores do comércio também se ampliou: hoje, o Sesc atende à população em geral e tem entre seus pilares o acesso democrático a bens culturais, educativos e a espaços de convivência.
O empresário José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, destaca a presença da entidade no dia a dia dos brasileiros: “Completar 80 anos é a expressão de uma trajetória construída com os trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e suas famílias e que, ao longo do tempo, passou a fazer parte da vida de milhões de brasileiros”.
Tadros salienta o papel da instituição tanto na melhoria da “qualidade de vida e formação de cidadãos mais conscientes e participativos”, quanto no peso da programação cultural da entidade, que “trabalha para disseminar vivências e valores, fortalecer a identidade do povo brasileiro e democratizar o acesso aos diversos ambientes culturais”.
“Um trabalho que forma plateias, valoriza artistas, promove a difusão das manifestações artístico-culturais e possibilita a troca de conhecimentos e experiências por todos os cantos do País”, comenta.
Especialistas concordam que se trata de um exemplo muito bem-sucedido.
Ex-diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ex-conselheiro do Sebrae, o executivo Ricardo Ramos afirma que o Sesc “ocupa um lugar raro no Brasil: trata a cultura como direito e não como luxo“.
Autor do livro Presença sob Pressão, Ramos frisa que ali predomina a visão de que o desenvolvimento do trabalhador não se resume à técnica – precisa também de formação humana.
“Quem trabalha merece acesso à beleza e ao pensamento, não apenas ao salário no fim do mês”, resume ele.
“O Sesc representa a função cultural que deixa de ser acessória e vira quase uma ferramenta de saúde mental coletiva ”
*com informações de Edison Veiga/conteúdo estado
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