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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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A vida humana é marcada por travessias. Todos nós, em algum momento, experimentamos o mar revolto das dificuldades, das perdas, das incertezas e dos medos. Há ventos contrários que parecem retardar nossa caminhada e ondas que ameaçam abalar a nossa esperança.
O Evangelho deste domingo nos apresenta justamente essa realidade: os discípulos enfrentam uma tempestade enquanto Jesus parece distante.
No entanto, é precisamente no meio da noite que o Senhor vem ao encontro deles, caminhando sobre as águas, e lhes dirige uma palavra que continua ecoando ao coração da Igreja: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27).
Neste mês vocacional, a Igreja no Brasil nos convida a rezar pelas diversas vocações, reconhecendo que toda vocação nasce da coragem de confiar na voz de Cristo.
No primeiro domingo de agosto rezamos pelos ministros ordenados — diáconos, sacerdotes e bispos — homens chamados a deixar a segurança da barca para seguir o Senhor e anunciar o Evangelho.
O Reino de Deus continua acontecendo na história por meio daqueles que, generosamente, emprestam a voz e as mãos a Cristo, para que Ele continue a caminhar no meio do seu povo.
Assim como Pedro, cada vocacionado é convidado a caminhar ao encontro de Jesus, sustentado não por suas próprias forças, mas pela confiança naquele que nunca abandona os seus.
No segundo domingo de agosto celebramos a vocação da família e, juntamente com ela, o Dia dos Pais. Com o Domingo da Família, inicia-se também a Semana Nacional da Família na Igreja do Brasil, um tempo especial de reflexão, oração e valorização da beleza da vida familiar.
A família é a primeira barca onde aprendemos a enfrentar as tempestades da vida. É no lar que os filhos descobrem o valor da fé, da perseverança, da oração e da confiança em Deus.
O Estado não cria a família; antes, a pressupõe e deve protegê-la. Por isso, precisamos reafirmar continuamente a beleza e a missão da vida familiar.
O próprio Filho de Deus quis crescer no seio de uma família humana: “Desceu então com eles para Nazaré e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, conservava a lembrança de todos esses fatos em seu coração. E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e diante dos homens” (Lc 2,51-52).
Em São José encontramos a figura do pai que conduz sua família mesmo quando o caminho parece escuro. Ele não eliminou todas as dificuldades da Sagrada Família, mas permaneceu fiel à vontade de Deus, conduzindo Jesus e Maria com prudência, fortaleza e confiança.
Também os pais de hoje são chamados a essa missão. Haverá ventos contrários, preocupações e desafios, mas a presença de Cristo é mais forte do que qualquer tempestade.
A maior herança que um pai pode deixar aos seus filhos não é um patrimônio material, mas uma fé viva, capaz de fazê-los caminhar sobre as águas das dificuldades sem perder a esperança.
O lar de Nazaré continua sendo a escola onde aprendemos que nenhuma tempestade tem a última palavra quando Cristo está presente.
Quando a família permanece unida na oração, ela descobre que, mesmo nos momentos em que a fé vacila, basta estender a mão para ouvir novamente a voz do Senhor: “Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!”
Escolhamos, pois, o Evangelho de Jesus, para que nossas famílias sejam sempre o lugar onde os filhos aprendam a confiar em Deus e a caminhar com os olhos fixos naquele que jamais deixa afundar quem nele deposita sua esperança.
Nos próximos dias, seremos convidados a participar da XI Caminhada da Família de nossa Arquidiocese da Paraíba. Será uma bela oportunidade para testemunharmos publicamente o valor da família e da vida humana, defendendo-as em qualquer circunstância. Que nossa presença manifeste a certeza de que, quando Cristo caminha conosco, nenhuma tempestade é capaz de vencer a família que permanece firme na fé.
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