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Saúde e Bem-estar
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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Um estudo do Instituto Lado a Lado pela Vida revela que a maioria dos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) recebe o diagnóstico de câncer de pulmão quando a doença já está em estágio avançado, reduzindo significativamente as chances de cura.
Com base em dados da plataforma Data Câncer 360º, foram analisados 14.145 diagnósticos registrados no SUS em 2023.
Entre os casos que possuíam estadiamento informado, 89,6% dos pacientes já estavam nos estágios 3 ou 4 da doença.
Desse total, 2.015 pessoas foram diagnosticadas no estágio 3 e 5.252 no estágio 4.
Em contrapartida, apenas 698 pacientes (10,4%) descobriram o tumor nas fases iniciais: 307 no estágio 1 e 391 no estágio 2.
Segundo o oncologista Igor Morbeck, integrante do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, entre 70% e 80% dos casos de câncer de pulmão no mundo já são identificados em fase avançada ou com metástase. No Brasil, o cenário é ainda mais preocupante.
O especialista atribui esse quadro ao aumento da exposição a fatores de risco, como tabagismo, sedentarismo, obesidade e alimentação inadequada.
Doença silenciosa
De acordo com Igor Morbeck, o câncer de pulmão costuma apresentar sintomas apenas quando já está em estágio mais avançado. Tosse persistente, falta de ar e quadros semelhantes a bronquite, gripe ou infecções respiratórias podem retardar o diagnóstico.
O médico recomenda que pessoas com maior risco, especialmente fumantes e ex-fumantes, realizem tomografia de tórax anualmente. Segundo ele, o exame está disponível no SUS, mas o Brasil ainda não possui um programa estruturado de rastreamento para diagnóstico precoce da doença.
Falhas no diagnóstico
O estudo também chama atenção para a qualidade das informações registradas no sistema público de saúde. Em cerca de 40% dos casos analisados, não havia dados sobre o estágio do câncer, o tamanho do tumor ou a presença de metástases.
Dos diagnósticos avaliados, 3.857 registros tiveram o estadiamento classificado como “ignorado” e outros 2.100 como “não se aplica”.
Morbeck destaca ainda que o raio X de tórax não é suficiente para detectar o câncer de pulmão em muitos casos. Segundo ele, pacientes frequentemente recebem apenas esse exame nas unidades básicas de saúde, são tratados como se tivessem infecções respiratórias e acabam tendo o diagnóstico retardado.
Prevenção
Para o oncologista, o Ministério da Saúde deveria investir em campanhas permanentes de conscientização e em programas de rastreamento voltados principalmente para fumantes e ex-fumantes. Segundo ele, o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura e reduz os custos do tratamento para o sistema público.
Números
Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o Brasil deverá registrar cerca de 35.380 novos casos de câncer de pulmão por ano no triênio 2026-2028. Em 2024, a doença foi responsável por 32.555 mortes no país.
Embora o tabagismo esteja associado a cerca de 85% dos casos, especialistas alertam que fatores como poluição do ar, exposição a agentes químicos, predisposição genética e doenças pulmonares crônicas também aumentam o risco de desenvolver a doença.
Campanha
Durante o mês de agosto, o Instituto Lado a Lado pela Vida promove a campanha Respire Agosto, voltada à conscientização sobre o câncer de pulmão e à importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
Entre os participantes da campanha está Mônica Chain Montone, que enfrentou a doença em 2008 e voltou a ter câncer em 2010.
Curada desde então, ela faz acompanhamento anual com tomografia de baixa radiação e defende a criação de políticas públicas para ampliar o acesso aos exames preventivos para fumantes e ex-fumantes.
Segundo ela, o diagnóstico precoce foi fundamental para o sucesso do tratamento.
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