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Eleições
Foto: Ascom/PT
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O presidente prometeu mais investimentos na área da Defesa. Ele destacou o tamanho das fronteiras e das riquezas naturais brasileiras.
Ele também prometeu “brigar” com os parlamentares por causa de emendas parlamentares.
“A minha quarta Presidência é pra mudar muita coisa nesse País. Vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o papel que tem hoje o Poder Legislativo”, discursou a apoiadores reunidos na Zona Norte de São Paulo.
“Eu sou triste com a política de hoje. Esse negócio de fundo partidário não me agrada. Está levando os partidos à promiscuidade”, afirmou.
Lula criticou o que vê como uma perda de poder do Executivo. “Eu não posso permitir que o presidente da República vá perdendo os seus direitos. Vai perdendo o direito de criar agência, de indicar ministro da Suprema Corte… Ou seja, daqui a pouco, qual é o direto que tem o presidente da República? Nenhum!”
Apesar de prometer “briga” e “ousadia” nessas duas questões, no restante do discurso Lula prometeu diálogo e união. Ele destacou sua longa trajetória política, afirmando estar jogando a “sétima Copa” do Mundo e querendo ser “tetra”.
Ao longo da fala, Lula citou muitos aliados históricos, como Eduardo Campos, Miguel Arraes, Antônio Cândido, Henfil, Betinho e Paulo Freire. O petista buscou posicionar seu partido como representante da democracia.
“A essência do PT é um partido político que ensinou a esquerda a viver democraticamente na diversidade. A esquerda não conversava”, afirmou.
Ele acrescentou que a ideia de criar o PT ajudou a construir o Brasil. “A gente conseguiu criar um partido em que é quase todo mundo sindicalista. Quase toda a esquerda revolucionária passou a trabalhar conosco, mesmo tendo divergências, cada um continuou com sua tese revolucionária, mas todos acatam as decisões que o partido toma, porque o partido é o guarda-chuva que unificou a esquerda”, disse.
Janja
Lula chegou acompanhado da primeira-dama Janja da Silva, vestida com uma camiseta estampada com uma imagem do presidente criança.
Antes de começar o discurso, Lula criticou a decisão do partido de não colocar mulheres para discursar ao vivo – além do presidente, apenas Haddad, Alckmin e Edinho Silva falaram no palco. Ele então passou a palavra para Janja, que falou que são as mulheres que vão eleger Lula.
A primeira-dama afirmou que Lula “é o único líder que tem a coragem de sentar numa mesa do G7” e falar sobre o combate à violência contra as mulheres. Janja disse dividir com Lula a missão de transformar o Brasil em um País inclusivo.
Esse foi um tema retomado por Lula em seu discurso: “O cara tem que escolher: ou ele vota em mim ou ele bate na mulher. Eu quero criar uma sociedade de respeito, de compartilhamento, em que as pessoas vivam em harmonia. A luta contra a violência contra as mulheres, não é só das mulheres, é de nós homens, que somos os violentos, que achamos que somos os donos delas”.
Seguindo a linha de campanha proposta pelo partido, Haddad descreveu Lula como um líder experiente e seguro, preparado para defender com “altivez” a soberania do Brasil.
O ex-ministro da Fazenda citou a “trajetória épica” de Lula, reforçando que ele é uma figura estável e confiável. Haddad disse que o presidente “saiu das entranhas desse País, de Garanhuns” e “nunca traiu os seus princípios de vida, nunca traiu o Brasil”.
No seu discurso, Alckmin também falou de democracia. Ele disse que a eleição de 2022 foi fundamental para evitar um golpe de Estado e fez indiretas ao adversário Flávio Bolsonaro, que divulgou afirmações falsas sobre o processo eleitoral.
“Imagine se eles tivessem ganhado as eleições; quem não acredita no voto popular não deveria nem ser candidato a presidente. A descrença nas urnas é cheiro de derrota. A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino nem de americano”, afirmou, em referência a aliados de Flávio, os presidentes Javier Milei e Donald Trump.
O discurso de Alckmin também buscou contrastar os feitos do governo Lula com os da gestão de Bolsonaro. Ele listou avanços na Reforma Tributária, na indústria e no meio ambiente.
Outras figuras que subiram ao palanque foram os dirigentes partidários das legendas em coligação com o PT: PSOL, Rede, PV, PCdoB, PSB e PDT. O presidente do PT, Edinho Silva, discursou dizendo que as eleições brasileiras vão influenciar o futuro da América Latina e da democracia mundial, pedindo união do campo político da esquerda. “O Brasil pode derrotar o fascismo e mostrar que o mundo também pode”, afirmou.
Ele também convidou a militância para um grande evento previsto para acontecer na Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, daqui a duas semanas. A expectativa é que esse seja o grande marco inicial da campanha.
Lula chegou ao palco ao som do jingle “Tapete Vermelho”. A música, de inspiração gospel, diz que o mundo estendeu um “tapete vermelho para o filho do Nordeste”.
Apesar de exibir cenas de Lula sendo recebido por Trump nos EUA, o discurso do petista tem falado em soberania e colocado o presidente norte-americano como um oponente que quer interferir nas eleições brasileiras.
Proposta ‘cênica’
O PT realizou neste domingo, 2, em São Paulo convenção nacional do partido que oficializou Lula como candidato à reeleição pela legenda, novamente com Alckmin como vice.
Milhares de petistas se reuniram para acompanhar o evento, que teve proposta mais “cênica”, com pronunciamentos curtos dos principais nomes da legenda e da campanha para serem divulgados nas redes sociais.
A cerimônia foi transmitida pelo canal do YouTube do PT. Entre os nomes que falaram, estavam Marina Silva, Simone Tebet, Benedita da Silva e Márcio França. Durante a transmissão, no momento em que Benedita discursava, apareceu, fazendo L, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, condenado no processo do mensalão. Também estava na plateia o ex-presidente do PT José Genoino, outro que foi condenado no caso do mensalão, processo julgado pelo Supremo Tribunal Federal na primeira gestão do petista.
Lula vai disputar a sétima eleição ao Palácio do Planalto tendo como mote de campanha a ideia de que representa o caminho seguro para impedir a entrega do Brasil a “aventureiros”. A convenção do PT deu pontapé inicial nesta estratégia, definida nos bastidores como a versão 3.0 do “nós contra eles”.
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