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Engenheiro Eletrônico, MBA em Software Business e Comércio Eletrônico, Diretor da Light Infocon Tecnologia S/A e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP – Associação Brasileira de Fomento à Inovação em Plataformas Tecnológicas.
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Antes de apresentar a matéria, cabe uma ressalva importante: a dessalinização é uma “tecnologia estratégica” para enfrentar a escassez hídrica, especialmente em regiões áridas e semiáridas. No entanto, ela não é uma solução direta para os efeitos do “El Niño”, é mais uma ferramenta de adaptação às secas prolongadas, que esse fenômeno pode intensificar em determinadas regiões do planeta (como no Nordeste brasileiro). À medida que eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes, governos e especialistas em recursos hídricos, intensificam a busca por soluções capazes de garantir o abastecimento de água potável. Entre essas alternativas, a “dessalinização da água do mar e de aquíferos salobros”, vem assumindo papel estratégico em diversas partes do mundo, especialmente em regiões sujeitas a longos períodos de estiagem. Nesse cenário, a dessalinização deixa de ser apenas uma alternativa tecnológica e passa a integrar políticas nacionais de segurança hídrica. Segundo a IDRA (International Desalination and Reuse Association – “Associação Internacional de Dessalinização e Reutilização de Água” idrawater.org) – anteriormente conhecida como IDA, uma organização global focada em soluções sustentáveis de uso da água – existem atualmente mais de 22 mil Plantas (Usinas) de dessalinização em operação no mundo, produzindo diariamente cerca de 110 milhões de metros cúbicos de água potável, suficiente para abastecer centenas de milhões de pessoas. O objetivo de uma Planta de Dessalinização é relativamente simples: remover o sal e outros minerais, presentes na água do mar ou em águas subterrâneas salobras, tornando-a própria para consumo humano, agropecuária e/ou uso industrial.
“Tecnologia de Dessalinização” ganha importância diante do Fenômeno “El Niño” (II)
Atualmente predominam duas tecnologias. A primeira é a “osmose reversa”, responsável por aproximadamente 70% a 80% da capacidade instalada mundial. Nesse processo, bombas de alta pressão forçam a água através de membranas microscópicas capazes de reter sais e outras impurezas. Suas principais vantagens incluem menor consumo de energia em comparação com tecnologias térmicas, elevada eficiência operacional, possibilidade de expansão modular e custos progressivamente menores devido à evolução das membranas filtrantes. A segunda família de tecnologias utiliza processos térmicos, nos quais a água é evaporada e posteriormente condensada, separando-se naturalmente o sal. Embora apresentem maior consumo energético, continuam sendo amplamente utilizadas em países produtores de petróleo do Oriente Médio, onde existe abundância de energia (petróleo). Nos últimos anos, sistemas baseados em IA (Inteligência Artificial) e sensores inteligentes para monitorar o processo de dessalinização, passaram a integrar as plantas de dessalinização, aumentando bastante a eficiência das usinas. Esses sistemas conseguem monitorar milhares de parâmetros em tempo real, ajustando automaticamente por exemplo, a pressão, fluxo de água, qualidade das membranas e consumo energético. Essa automação reduz custos operacionais, aumenta a vida útil dos equipamentos e diminui desperdícios de energia, considerado o principal “componente do custo” da água dessalinizada. Outra tendência, consiste na integração das usinas de dessalinização com parques solares e eólicos, reduzindo emissões de carbono e tornando a operação mais sustentável.
“Tecnologia de Dessalinização” ganha importância diante do Fenômeno “El Niño” (III)
A liderança mundial no uso/desenvolvimento dessas tecnologias, permanece concentrada em países com baixa disponibilidade natural de água doce. A Arábia Saudita é considerada uma das maiores produtoras mundiais de água dessalinizada, obtendo grande parte do abastecimento urbano por meio dessa tecnologia, começando a combinar energia solar (para diminuir o uso de petróleo), IA e automação industrial para reduzir custos e ampliar a produção. Os Emirados Árabes Unidos são outros usuários importantes dessas tecnologias, cidades como Dubai e Abu Dhabi dependem fortemente, da dessalinização. No momento eles estão investindo na migração das antigas plantas térmicas para sistemas de osmose reversa, mais eficientes e sustentáveis. Já Israel, tornou-se referência mundial em gestão hídrica. Mais de 70% da água destinada ao consumo doméstico israelense, provém da dessalinização. O país combina dessalinização com reuso de esgoto tratado, irrigação altamente eficiente e monitoramento digital dos recursos hídricos, sendo um dos melhores exemplos de política integrada de segurança hídrica. A Espanha possui um dos maiores parques de dessalinização da Europa. As regiões espanholas do Mediterrâneo, especialmente sujeitas à escassez de chuvas, utilizam a água dessalinizada tanto para abastecimento urbano quanto para agricultura. Na Austrália – devido a ocorrência de severas secas nas últimas décadas – grandes cidades construíram modernas plantas de dessalinização para aumentar sua resiliência frente às mudanças climáticas. Hoje, essas unidades permanecem prontas para ampliar rapidamente a produção durante períodos críticos. Nos Estados Unidos, as usinas (maior parte) estão localizadas nos estados da Califórnia, Texas e Flórida. Embora represente parcela relativamente pequena do abastecimento nacional, a dessalinização tornou-se importante em regiões costeiras vulneráveis à escassez de água. Outro país que vem aumentando investimentos em dessalinização, é a China. Nos últimos anos, os investimentos aumentaram bastante, visando atender regiões costeiras com elevada demanda industrial. Além de ampliar a produção de água potável, o país investe intensamente no desenvolvimento de membranas mais eficientes, equipamentos e sistemas inteligentes de operação, com uso de IA.
“Tecnologia de Dessalinização” ganha importância diante do Fenômeno “El Niño” (IV)
Na América Latina, Chile e Peru destacam-se pelo uso crescente de tecnologias de dessalinização. No Chile, além do crescente uso para abastecimento de água nas cidades (“tirando” água do oceano Pacifico), grande parte das plantas também, atendem a indústria mineradora instalada no deserto do Atacama, uma das regiões mais secas do planeta. Já no Brasil a dessalinização de água avança lentamente. Apesar de possuir cerca de 12% da disponibilidade mundial de água doce superficial, o Brasil apresenta forte desigualdade na distribuição dos recursos hídricos. Enquanto a região Norte concentra a maior parte da água disponível, o Semiárido nordestino convive historicamente, com secas recorrentes. Nesse contexto, a dessalinização vem sendo utilizada principalmente, para atender comunidades rurais.
Entre os estados do Semiárido, a Paraíba figura entre aqueles com maior experiência na utilização de “dessalinizadores comunitários”. A UFCG (Universidade Federal de Campina Grande) desenvolve pesquisas relacionadas ao tratamento de água, reuso, energias renováveis e aproveitamento do rejeito salino produzido pelos dessalinizadores. Pesquisadores também investigam soluções que utilizam energia solar para reduzir o custo operacional dos equipamentos, fator considerado decisivo para ampliar sua utilização em comunidades isoladas. Embora o custo da dessalinização tenha caído significativamente nas últimas duas décadas, a tecnologia ainda enfrenta desafios importantes. O elevado consumo de energia, a necessidade de destinação ambientalmente adequada, do rejeito altamente salino gerado pelo processo e o custo dos investimentos iniciais, continuam sendo obstáculos para sua expansão em muitos países. Mesmo assim, organismos internacionais avaliam que a dessalinização deverá desempenhar papel crescente na segurança hídrica global. Com a combinação de membranas mais eficientes, IA, energias renováveis e novos materiais, a produção de água potável a partir do mar tende a tornar-se mais acessível e sustentável nas próximas décadas. Desta forma, o clima, o crescimento populacional e o aumento contínuo da demanda por água, torna a dessalinização uma das principais “tecnologias de adaptação” à escassez hídrica do século XXI. Com informações da IDRA, da ONU e do IWMI (International Water Management Institute – Instituto Internacional de Gestão da Água).
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Engenheiro Eletrônico, Mestrado em Engenharia Elétrica, MBAs em Comércio Eletrônico e Software Business, pela N.S. University (Estados Unidos), Curso de “Liderança Transformadora Global” pela Nova School of Business & Economics (Portugal), Curso “Nuevos Retos Y Desafios para El Desarrollo Local Sostenible” pela Universidade de Valencia (Espanha), Acionista da Light Infocon Tecnologia S/A, Diretor da LightBase Software Público Ltda, Conselheiro-Titular do SEBRAE-PB, Fundador e Membro do Conselho de Administração do SICOOB Paraíba, Co-autor do livro: “Ecossistema de Inovação de Campina Grande, sua trajetória e conexão com o Sebrae Paraíba”, Ex-Presidente da ACCG e da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado da Paraíba e Diretor de Relações Internacionais da BRAFIP.
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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