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Foto: Rafa Rezende/Febraban
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O presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Isaac Sidney, contratou um empréstimo de R$ 5,5 milhões com o Banco Master em 2020 para a compra de um apartamento duplex. O empréstimo foi divulgado pelo jornal Valor Econômico e confirmado pela reportagem.
A operação consta em um documento encaminhado pelo liquidante do Master à 2ª Câmara Reservada de Direito Empresarial do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) há cerca de um mês.
Ele faz parte de um processo no qual Henrique Vorcaro e Natalia Vorcaro Zettel, pai e irmã de Daniel Vorcaro, se defendem contra a alienação de bens ligados aos dois. O liquidante tenta demonstrar, com uma série de documentos, que ambos usaram operações financeiras (cédulas de crédito bancário, cessões de crédito e investimentos) para desviar recursos bilionários do banco em liquidação — o que teria beneficiado a família Vorcaro.
Para isso, são listadas 112 operações de crédito vendidas a terceiros, na maioria empresas e fundos relacionados ao universo Master, como o Astralo 95 FIM, o BRB (Banco de Brasília) e a Lormont Participações S.A., ligada ao empresário Nelson Tanure.
Operações de cessão de crédito costumam ocorrer alheias ao devedor, que muitas vezes não sabe que quem lhe emprestou o dinheiro vendeu o direito de receber a terceiros. No caso do empréstimo de Isaac Sidney, ele foi vendido pelo Banco Master, credor original, à Urbaniza Empreendimentos e Participações.
Isaac Sidney é listado logo no início da planilha como cliente. Nela está relacionado um empréstimo de R$ 5,5 milhões, assinado em 26 de novembro de 2020, e a cessão de crédito, realizada em 29 de dezembro de 2021, com valor atualizado de R$ 6,1 milhões.
O presidente da Febraban, porém, não é parte no processo e sequer é mencionado no agravo do liquidante. Também não há indicação do motivo para a lista ter sido enviada dessa forma ao Poder Judiciário. O documento não apresenta cabeçalho nem identifica as similaridades entre as operações.
A reportagem teve acesso a documentos ligados à operação que, segundo Isaac Sidney, comprovam a destinação dos recursos do empréstimo para a compra do imóvel e a quitação da dívida em dezembro de 2021.
Entre os documentos estão a escritura do apartamento, simulações do mesmo financiamento em outra instituição financeira, registros da transferência do valor ao vendedor do imóvel, comprovantes das prestações pagas e os termos de quitação da operação.
Em nota, Isaac Sidney afirmou que a divulgação da informação representa uma forma de retaliação às críticas públicas ao Banco Master e à atuação da Febraban, negando qualquer irregularidade na operação.
“Está muito claro para mim que é criminosa a conduta da ou das fontes da matéria, ao buscarem uma de 112 operações de uma lista sem cabeçalho e sem correlação entre elas, para atingir quem está à frente de uma entidade que continuará a enfrentar esses delinquentes da mais grave fraude no sistema bancário”, afirmou o presidente da Febraban.
O executivo também declarou que buscou cotações em outra instituição financeira na época e afirmou desconhecer o motivo de a operação constar na lista apresentada pelo liquidante. Segundo ele, não foi comunicado, notificado, intimado ou citado por qualquer autoridade administrativa ou judicial.
De acordo com o documento do liquidante, na data da venda do crédito à Urbaniza, em 29 de dezembro de 2021, o valor atualizado da operação era de R$ 6.141.212,57, o que indica juros de aproximadamente 0,85% ao mês e 10,73% ao ano, dentro da média de mercado.
Empresa do setor imobiliário, a Urbaniza mantinha relações com Daniel Vorcaro e recebeu o crédito três dias após a quitação da dívida pelo presidente da Febraban.
A reportagem procurou o escritório que representa a EFB para esclarecer a lista em que o nome de Isaac Sidney aparece, mas não obteve resposta. A Urbaniza também não se manifestou.
Em 2018, Isaac Sidney prestou assessoria jurídica ao então Banco Máxima (atual Banco Master) para auxiliar Daniel Vorcaro na obtenção da autorização do Banco Central para assumir o controle da instituição. O trabalho foi realizado por meio do escritório Warde Advogados, do qual Sidney era colaborador.
Servidor de carreira do Banco Central, Sidney deixou a autarquia antes de ingressar no Warde Advogados. Quando Daniel Vorcaro recebeu a autorização para adquirir o banco, no fim de 2019, Sidney já não fazia parte do escritório. Ele havia ingressado na Febraban em maio de 2019 e assumiu a presidência da entidade em março de 2020.
No agravo, o liquidante também relaciona a planilha a supostas irregularidades do Banco Master envolvendo a emissão e repactuação de cédulas de crédito ligadas ao Grupo Promed, seguida da cessão de créditos de R$ 136 milhões ao fundo Astralo 95.
Também são citadas cessões de recebíveis ao fundo City, envolvendo R$ 248,3 milhões da Simetria Planos de Saúde e R$ 234,8 milhões da Benefício Intelectual Administradora e Corretora de Seguros, empresas ligadas à família Vorcaro.
Segundo o liquidante, o fundo City teria sido utilizado em operações envolvendo a venda de recebíveis de baixo valor da Simetria.
Com informações de Júlia Moura e Diego Felix/Folhapress.
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