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Foto: ICMBIO/divulgação
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O pesquisador da área de desertificação do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Aldrin Perez, participou nesta segunda-feira do quadro semanal do instituto no Jornal da Manhã, da Rádio Caturité FM, e fez um alerta sobre os impactos da desertificação no Semiárido brasileiro e na vida da população.
Aldrin explicou que a desertificação vai muito além de um problema ambiental e afeta diretamente a produção de alimentos, o abastecimento de água e a permanência das famílias em seus territórios.
“A desertificação é quando o uso da terra vira algo sombrio. A gente usa o solo de qualquer jeito, sem cuidado, e ele vai perdendo força até ficar sem vida. A terra fica nua, o solo vai embora, a água some, o chão resseca, as plantas não brotam mais, as fontes de água secam e os rios se tornam intermitentes. No fim dessa história, quem é forçado a ir embora somos nós que habitamos esses territórios”, destacou.
Segundo o pesquisador, o problema já alcança proporções preocupantes no país.
“As áreas afetadas pela desertificação somam cerca de 18% do território nacional e atingem aproximadamente 39 milhões de pessoas. Não podemos tratar isso como um mito. Estamos falando de qualidade de vida, alimentação, água e do futuro de milhões de famílias”, afirmou.
Aldrin também esclareceu uma dúvida comum entre a população: a diferença entre seca e desertificação.
De acordo com ele, a seca é um fenômeno natural caracterizado pela redução das chuvas em determinado período.
Já a desertificação é resultado da ação humana sobre o ambiente.
“A seca faz parte do clima do Semiárido. A desertificação é diferente. Ela acontece quando a terra perde sua capacidade produtiva de forma permanente. É causada por ações humanas como desmatamento, queimadas e uso inadequado do solo. E, justamente por ser causada por nós, também pode ser solucionada”, explicou.
O pesquisador ressaltou que ainda há tempo para reverter parte dos danos, mas alertou para os índices de degradação já registrados na Caatinga.
Segundo ele, cerca de 21% do bioma apresenta níveis severos de degradação, enquanto quase metade da vegetação original já foi desmatada ao longo da história.
Entre os fatores que contribuem para o avanço da desertificação estão o desmatamento, a exposição do solo ao sol, ao vento e à chuva, além de modelos de exploração que priorizam ganhos rápidos em detrimento da conservação ambiental.
Aldrin também destacou a relação direta entre a degradação ambiental e as mudanças climáticas.
“O solo é o terceiro maior reservatório de carbono do planeta. Na Caatinga, cerca de 70% desse carbono está armazenado no solo. Quando degradamos esse ambiente, liberamos esse carbono para a atmosfera e agravamos o aquecimento global”, explicou.
Apesar dos desafios, o pesquisador apontou caminhos para enfrentar o problema, com destaque para a agroecologia e as tecnologias sociais adaptadas ao Semiárido.
“A agroecologia é uma das principais formas de enfrentamento da crise climática. Ela diversifica a produção, cuida da terra e fortalece a segurança alimentar. Enquanto alguns sistemas produzem apenas um produto, os sistemas agroecológicos podem produzir dezenas de alimentos diferentes, gerando renda, preservando o meio ambiente e fortalecendo as comunidades”, concluiu.
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