Nosso futuro nas mãos dos “independentes”
Em tempo
O chamado factual na política paraibana é tão intenso, que somente hoje ocorre a possibilidade de abordar de forma mais alongada (e merecidamente) sobre um importante evento pré-eleitoral, ocorrido dias atrás em João Pessoa.
Mantra
Uma expressão recorrente no universo político, mas que subsiste por sua precisão: pesquisas e cenários políticos de momento são ´fotos´, mas o processo eleitoral é um ´filme´, contínuo por assim dizer.
Rumo às urnas
Feita essa importante premissa, volto-me para o ´Abre Aspas´ que a Rede Paraíba de Comunicação promoveu com as participações do jornalista Gerson Camarotti, do canal de notícias GloboNews, e com uma das ótimas revelações da ciência política no país nos últimos anos: o professor Felipe Nunes, da Universidade Federal de Minas Gerais e diretor do Instituto Quaest, abalizado nos temas que trata e de uma simplicidade e afabilidade a toda prova.
Tudo em aberto
Na sua palestra aos convidados, Felipe demonstrou por meio de algumas variáveis estatísticas e constatações históricas e sociológicas que o pleito já precocemente em curso tem ainda a marca da indefinição, estando aberto às ações dos seus principais protagonistas: por enquanto, o presidente Lula na tentativa de mais uma reeleição em seu currículo ímpar na política brasileira; e o senador Flávio Bolsonaro (PL), cuja ascensão na pré-campanha pode ter sido tão célere quanto o seu definhamento, já atestado pela pesquisa mais recente do Instituto Datafolha.
Sem regatear
Da parte do presidente petista, Felipe pontificou o leque desmedido e bilionário que o governo está colocando em prática na direção de recortes expressivos da população – eleitoralmente falando -, com programas de nítido caráter eleitoral (ou eleitoreiro, como queiram).
O detalhe
O ´pacote de bondades´ já é estimado em (pelo menos) R$ 230 bilhões.
Subida
O palestrante grifou uma constatação relevante: via de regra, ao longo do tempo, os governos conseguem elevar os seus níveis de aprovação na reta final do mandato, certamente em função das concessões que o exercício do poder propicia.
À beira do precipício
Quanto ao senador Flávio Bolsonaro, Felipe Nunes mostrou que episódios marcantes num processo eleitoral, como é o caso do pedido de R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para fazer um filme em homenagem ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, costumam ser fatais, caso o despencar nas pesquisas após a propagação da informação atinja algo superior a 15 pontos percentuais.
Precedente…
O cientista político, com a ressalva de que o país mudou nesse intervalo de tempo, mas que os processos de desconstrução de lideranças só se modernizaram nos últimos anos, citou o caso da candidatura da ex-governadora do Maranhão, Roseane Sarney, filha do ex-presidente José Sarney, pelo antigo PFL, hoje União Brasil.
… Histórico
Só recordando, sumariamente: Roseana teve a sua pré-candidatura presidencial (em 2002) rapidamente ´desidratada´ em função de denúncias de corrupção envolvendo o seu esposo Jorge Murad.
Numa operação da Polícia Federal, chamada de Lunus, na empresa de Roseana e de seu marido, houve a apreensão de R$ 1 milhão 340 mil em dinheiro vivo e de origem clandestina. Em poucos dias, a postulação literalmente ruiu.
Sem recuo
No tocante a essa incerteza sobre o futuro da postulação de Flávio, Camarotti grifou uma observação capital: é mínima a possibilidade de os filhos de Bolsonaro aceitarem uma eventual candidatura da atual esposa do ex-presidente, Michelle.
Quase uma nulidade
Diga-se de passagem, que o mandato do senador do PL carioca é medíocre.
Flávio tem dois projetos aprovados em mais de sete anos de mandato.
Linha do tempo
É pertinente assinalar que o ´Abre Aspas´ ocorreu antes da audiência de Flávio com o presidente norte-americano e das medidas anunciadas por Trump acerca das facções criminosas brasileiras, que destamparam uma fresta de imprevisibilidade sobre a participação direta ou indireta dos EUA na eleição que se avizinha.
´Módulos´
É indispensável ressaltar outro aspecto da exposição de Felipe Nunes. Após grifar que a polarização política brasileira segue praticamente inalterada, com 1/3 dos eleitores perfilados como esquerdistas/lulistas, outro 1/3 como direitistas/bolsonaristas, o cientista político se debruçou sobre o 1/3 remanescente, que na sua opinião será quem deverá definir a sucessão presidencial.
Subdivisão
Grosso modo, se trata de um agrupamento de eleitores que está desapontado ou que faz restrições aos dois extremos mencionados.
Acontece, que o grau de indignação desse recorte do eleitorado é tamanho, que quase a totalidade dele caminha para três vertentes: não comparecer às urnas, votar em branco ou anular o voto.
Faixa exígua
Assim sendo, estaria em 10% dos chamados independentes – ainda segundo Felipe Nunes – o ´lote´ de votos que provavelmente decidirá o nosso futuro presidente.
Dito simplificadamente: para onde esses 10% ´pender´ haverá a sacramentação do vencedor.
Caminhada a ser percorrida
No mundo real predominante, a escolha do próximo presidente é algo que vai ficar para depois da Copa do Mundo, com possíveis reflexos de uma (atualmente impensável) conquista da seleção brasileira.
E até setembro os presidenciáveis (e demais candidatos) ficarão expostos à ´exumação´ de suas condutas pretéritas e ao teste prático, nas ruas, das estratégias que têm adotado para conquistar o voto de uma população (notadamente nos grandes aglomerados eleitorais) cumulativamente ressabiada com as condutas de seus agentes públicos.
Dois programas de rádio de Campina Grande vão ´pedir música no Fantástico´…