Fechar
O que você procura?
Paraíba
Foto: ParaibaOnline
Continua depois da publicidade
Continue lendo
* Vídeo/ParaibaOnline
A pressão por sucesso rápido, estabilidade financeira e realização pessoal tem provocado frustração crescente entre os jovens. O alerta foi feito durante entrevista ao Jornal da Manhã, da Rádio Caturité FM, pelo representante do Instituto Borborema, Caio Peroso, ao comentar o tema do evento “Cultura do Protagonismo: Manual para a Infelicidade”, realizado em Campina Grande.
Segundo ele, a sociedade atual vende a ideia de que é possível alcançar uma vida sem sofrimento, repleta de reconhecimento, prosperidade e satisfação constante. No entanto, a realidade acaba entrando em choque com essas expectativas.
“A gente sabe que o sofrimento é inevitável na vida. A única coisa que podemos escolher é como lidar com ele. O que acontece hoje é um bombardeio de modelos de vida perfeita, de protótipos de sucesso, que acabam criando uma ilusão coletiva”, afirmou.
Para Caio, as redes sociais intensificam essa sensação ao transformar estilos de vida em vitrines permanentes de felicidade e conquista. Ele compara esse processo a uma espécie de “pirâmide existencial”.
“A realidade pode até ser postergada, mas ela sempre chega. É como um esquema de pirâmide: uma hora desaba. Essa promessa de abundância e sucesso para todo mundo não se cumpriu e acabou caindo sobre muita gente ao mesmo tempo”, declarou.
Durante a entrevista, ele também criticou o modelo social e educacional que cria uma expectativa automática de ascensão profissional a partir da formação acadêmica.
“Você coloca milhares de jovens no mesmo roteiro: escola, vestibular, faculdade e garantia de emprego no final. Até a universidade, muitos acreditam que tudo vai dar certo naturalmente”, disse.
Segundo ele, quando essa expectativa não se concretiza, muitos acabam prolongando indefinidamente a vida acadêmica diante das dificuldades do mercado de trabalho.
“A pessoa termina o curso, não encontra trabalho e estica a etapa de estudante. Faz mestrado, depois doutorado, às vezes até uma terceira graduação. Isso acontece porque aquela promessa inicial simplesmente não se realizou”, pontuou.
Caio também destacou que profissões técnicas e manuais têm apresentado retornos financeiros maiores do que carreiras tradicionalmente valorizadas socialmente.
“Muita gente formada em Direito, por exemplo, vê profissionais da construção civil ganhando mais. E não existe problema nenhum nisso. Ser pedreiro é uma profissão extremamente digna. O ponto é perceber que a ideia de sucesso automático através do diploma já não corresponde mais à realidade”, concluiu.
Tudo a ver
Instituto Borborema promove debate sobre “cultura do protagonismo” em Campina Grande
© 2003 - 2026 - ParaibaOnline - Rainha Publicidade e Propaganda Ltda - Todos os direitos reservados.