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Técnico da seleção brasileira se diverte com pedidos por Neymar na Copa do Mundo

Da Redação*
Publicado em 18 de maio de 2026 às 16:23

neymar

Foto: Ascom/Santos

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Carlo Ancelotti minimiza a pressão popular e afirma se divertir com a polêmica sobre a convocação de Neymar.

O atacante do Santos é o centro dos debates às vésperas do anúncio oficial dos 26 jogadores da Seleção Brasileira, que acontece nesta segunda-feira (18), às 17h.

Confira os bastidores.

O sentimento não é uma vaidade pela decisão que é aguardada por todo o país, mas sim mais uma prova do que ele tem dito a várias pessoas de que o Brasil tem uma relação especial com a seleção nacional.

Plena liberdade

Desde que foi contratado, em maio do ano passado, Ancelotti tem mergulhado nas particularidades do Brasil e nada o impressiona mais que a equipe ser vista como um patrimônio nacional.

Em entrevistas, ele tem reforçado esse pensamento e dito que “nenhum país dá tanta importância ao time nacional como o Brasil”.

Para a convocação desta tarde, a grande expectativa está em cima de Neymar. Desde 2002, quando Luiz Felipe Scolari optou por não chamar Romário, nenhum treinador sofreu tanta pressão pela convocação de um jogador como o italiano tem sofrido.

Cobranças de influenciadores, campanhas na internet e até lobby de outros atletas marcaram as últimas semanas, situação que o treinador trata como “divertida”.

“Eu tenho prazer e uma paixão por desfrutar deste momento que vivo por comandar a seleção mais importante do mundo. Mas isso eu não vejo como pressão. Todo mundo tem falado agora da convocação, mas é como aquela história da montanha. Todo mundo fala, mas eu sozinho é quem tomo a decisão. Isto é bem divertido”, afirma o treinador à reportagem.

Carlo Ancelotti tem muitos motivos para justificar a sua alegria neste primeiro ano no comando da seleção brasileira.

Diferente da rotina diária de clube, ele tem uma carga de trabalho mais reduzida e pode dividir o seu tempo entre o Rio e Vancouver, cidade do Canadá em que vive com a esposa Mariann.

O ambiente da seleção brasileira também tem encantado Carlo Ancelotti. Conhecido mundialmente por ser um técnico que preza pela boa relação com os atletas, ele revela que não tem tido dificuldades em trabalhar com um grupo de jogadores de outra nacionalidade que não é a sua.

“O que eu vi neste período na seleção é que o ambiente de trabalho é muito bom. Isso é uma coisa que eu gostei muito de trabalhar com a seleção. Todos falam o mesmo idioma e têm a mesma cultura. Em clubes não é assim”, comentou.

Ainda Ancelotti: “Quando você tem esse ambiente como nós temos, o trabalho fica mais fácil para poder agregar todos os jogadores para que eles possam falar, brincar e fazer coisas juntos. Em um clube é muito mais difícil ter esse ambiente de união, de harmonia”, comentou o técnico.

Vários outros motivos o levam a agir com tamanha naturalidade.

O técnico de 66 anos é um dos mais vitoriosos do futebol, com títulos nacionais por Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália, além de ser o maior vencedor da Liga dos Campeões, com cinco taças.

Após deixar o Real Madrid em maio do ano passado, Ancelotti assinou com a seleção brasileira até o fim da Copa do Mundo de 2026 e já estendeu o acordo até 2030.

O contrato com a CBF se tornou o cenário perfeito para o italiano.

Além de poder buscar o hexacampeonato, ele também poderá preencher a sua sala de troféus com o Mundial, um título que ele não tem nem nos tempos de jogador.

As condições de trabalho da CBF oferecidas ao treinador também dão uma tranquilidade e uma liberdade que ele nunca teve no futebol.

Quando era técnico do Milan, ele convivia diariamente com Silvio Berlusconi, bilionário empresário, dono do clube e primeiro-ministro da Itália.

O treinador já admitiu várias vezes que o dirigente tentava interferir no trabalho, pedindo mais atacantes.

A lista de poderosos com quem ele trabalhou é longa.

No Chelsea, ele foi contratado por Roman Abramovich, empresário russo que figurava nas listas dos mais ricos do mundo.

No Real Madrid, a ligação era com Florentino Pérez, presidente do clube e uma das figuras mais históricas do futebol espanhol.

Ancelotti também lidava com famílias de forte influência política e econômica.

Entre 1999 e 2001, ele foi técnico da Juventus, clube que é gerido pela família Agnelli, dona da Fiat e de grande poder na Itália.

Na França, ele comandou o PSG, da família real do Qatar.

Apesar do peso destas figuras que extrapolam o esporte, Ancelotti não teve dificuldades no relacionamento com nenhuma delas e soube administrar cada situação sem deixar com que o trabalho fosse afetado.

A única exceção aconteceu na Alemanha, quando comandou o Bayern de Munique e teve problemas com algumas figuras históricas do clube, como Karl-Hein Rummenigge e Uli Hoeness, com comentários e críticas durante o período.

“Eu prestava contas a várias figuras importantes. Era difícil saber quem tinha mais poder”, escreveu o treinador em seu livro “O Sonho”.

“Não é preciso um presidente errático ou um dono imprevisível para acionar a guilhotina. Acionistas corporativos também sabem fazer isso. Foi a demissão mais impiedosa da minha carreira”, completou.

Sem interferências

No Brasil, Carlo Ancelotti não tem de se preocupar com palpites da alta cúpula da CBF.

Eleito presidente no ano passado, o presidente Samir Xaud não interfere no trabalho do treinador e do departamento de futebol profissional.

Diferente dos outros dirigentes com quem Ancelotti trabalhou, Xaud tem uma trajetória curta no futebol.

Foi eleito vice-presidente em 2022 da Federação de Roraima, estado que não conta com nenhuma equipe nas três principais divisões do Brasil, e não exerce grande influência política no seu estado e no Brasil.

Próximo da convocação, Samir Xaud tem sido questionado sobre Neymar e respondido que nem ele tem conhecimento sobre a decisão.

O dirigente tem recebido cobranças de pessoas próximas e dirigentes para interceder a favor do atacante, com o argumento de que Neymar traria mais visibilidade à equipe e qualidade técnica.

Mas o presidente da CBF tem ignorado os pedidos e garantido que não fará nenhuma interferência no trabalho do italiano.

O único pedido que a CBF fez a Carlo Ancelotti, fora acordos comerciais em que ele aceitou, foi um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro deste ano.

A reunião, que também contou com Gianni Infantino, mandatário máximo da Fifa, fez parte do lançamento da Copa do Mundo Feminina de 2027.

Banho de mar

Enquanto não chega o início da preparação para a Copa do Mundo, Ancelotti tem dedicado tempo nas gravações de seu documentário, com direção de Paolo Sorrentino, vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2014 com o filme A Grande Beleza.

A filmagem teve início assim que ele chegou ao Brasil e tem a produção de Chloe Barrena, enteada do treinador.

O documentário vai mostrar bastidores do dia a dia do treinador com a seleção brasileira e a sua vida no país.

Além do Maracanã, onde ele foi entrevistado, o italiano foi à praia e tomou banho de mar pela primeira vez desde que foi contratado.

*com informações de Thiago Rabelo/folhapress

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