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Não viu a reportagem do Fantástico sobre Cabedelo? Saiba em detalhes

Da Redação*
Publicado em 12 de maio de 2026 às 22:45

postes cabedelo frame tv globo

Foto: Frame/TV Globo

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Apesar da grande repercussão da reportagem veiculada no programa Fantástico da TV Globo, no último domingo, acerca do predomínio da criminalidade no cotidiano da cidade de Cabedelo, na Paraíba, muitas pessoas não tiveram acesso ao conteúdo.

A seguir, saiba o que foi relatado na aludida reportagem.

A mais de 2 mil quilômetros de distância, liderança do Comando Vermelho no Rio de Janeiro monitora ruas por câmeras, infiltra-se na gestão pública e dita as regras de uma cidade paraibana refém do crime e da corrupção.

Enquanto turistas lotam as praias de Cabedelo, no litoral da Paraíba, moradores convivem com medo, silêncio e um poder paralelo que, segundo investigações, é comandado a mais de 2 mil quilômetros dali: do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro.

Áudios, vídeos e relatórios obtidos pela polícia revelam como integrantes do Comando Vermelho transformaram comunidades do Rio em uma espécie de “home office do crime”, monitorando em tempo real a rotina da cidade paraibana, controlando territórios, intimidando moradores e até influenciando a política local.

Segundo as investigações, o principal nome por trás da operação é Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoca, apontado como líder da facção na região. 

Contra ele, existem 13 mandados de prisão por crimes como tráfico, homicídios e organização criminosa. 

Mesmo foragido no Rio, Fatoca continuaria comandando ações em Cabedelo.

Em um dos áudios interceptados, criminosos exibem um sistema clandestino de monitoramento instalado na cidade paraibana.

“Tem 30 câmeras geral”, diz um integrante da facção.

As câmeras, escondidas em postes, árvores e até dentro de estruturas camufladas com fita isolante, transmitem imagens em tempo real para traficantes no Complexo do Alemão. 

A polícia afirma que o sistema permite acompanhar movimentações de policiais, agentes públicos e rivais.

Ameaças constantes

Em bairros dominados pela facção, moradores relatam sensação de abandono e medo permanente. 

Em vídeos obtidos durante as investigações, homens armados circulam pelas ruas e fazem disparos para o alto.

A polícia afirma que os criminosos usam o chamado “ponteamento” – expressão usada para mapear territórios e eliminar rivais. 

Em outra gravação, um morador mostra o carro da mulher atingido por tiros e faz um apelo para que inocentes sejam poupados.

O pedido chegou até Fatoca, que respondeu em áudio:

“A gente está numa guerra.”

Segundo os investigadores, o grupo também monitorava reuniões comunitárias e interferia diretamente na escolha de lideranças locais. 

Em uma gravação, criminosos acompanham pelo celular uma votação em uma comunidade e fazem ameaças veladas aos moradores.

“Estamos presentes toda noite, toda madrugada”, dizem integrantes da facção em reunião registrada pela polícia.

Drones com explosivos

As investigações apontam ainda que traficantes discutiram o uso de drones para ataques com explosivos em Cabedelo.

Embora o plano não tenha sido executado na Paraíba, o uso desse tipo de equipamento já é realidade em comunidades do Rio controladas pelo Comando Vermelho, segundo especialistas em segurança pública. Os artefatos são usados para atingir alvos rivais.

As investigações também revelaram um esquema de infiltração do crime organizado dentro da administração municipal de Cabedelo.

 Segundo promotores, a facção usava cargos públicos, contratos terceirizados e esquemas de rachadinha para financiar atividades criminosas.

Os últimos quatro prefeitos da cidade são investigados por suspeita de ligação com organizações criminosas.

De acordo com o Ministério Público, uma empresa terceirizada contratada pela prefeitura teria sido usada para empregar indicados da facção. 

A estimativa é de que o prejuízo aos cofres públicos tenha chegado a R$ 270 milhões.

Em depoimento à polícia, uma mulher apontada como gerente financeira da organização afirmou que funcionários ligados ao grupo eram identificados internamente pela sigla “FTK”, referência a Fatoca.

Promotores afirmam que mais de 100 pessoas indicadas pela facção teriam ocupado cargos ligados à prefeitura e à Câmara Municipal.

Refúgio de criminosos 

Segundo autoridades, o Complexo do Alemão e outras comunidades dominadas pelo tráfico funcionam como abrigo para criminosos foragidos de vários estados.

Em um áudio, Fatoca afirma que a favela é o “canto mais seguro” para criminosos, inclusive para aqueles monitorados por tornozeleira eletrônica.

Dados da polícia mostram que o número de foragidos de outros estados presos no Rio aumentou 63% nos últimos quatro anos. 

Em 2025, foram mais de 1,1 mil prisões desse tipo.

Segundo investigadores, criminosos vindos da Paraíba também são enviados ao Rio para atuar em confrontos armados e reforçar áreas controladas pela facção.

Reações

Em nota, a empresa Lemon informou que emprega mais de 700 pessoas em Cabedelo e que exige certidões criminais negativas desde 2024. 

Afirmou que as denúncias de folha paralela atingem centenas de trabalhadores e que segue colaborando com as investigações.

A defesa de Fatoka afirma que não há elementos probatórios que o vinculem aos fatos narrados. 

Segundo a polícia, ele permanece foragido no Complexo do Alemão, monitorando Cabedelo: “Vou ser bem sincero pra tu: lá nas áreas, só cai uma folha se eu disser que sim”.

Em nota, a defesa do ex-prefeito Vitor Hugo repudia qualquer tentativa de vinculação do seu nome com organizações criminosas. E afirma que não há provas de participação, favorecimento ou conhecimento de prática ilícita envolvendo Vitor Hugo.

Os advogados do ex-prefeito Edvaldo Neto reafirmam sua tranquilidade quanto à apuração dos fatos e esclarecem que não há qualquer prova concreta de participação dele em organização criminosa ou em supostas fraudes investigadas.

A defesa de André Coutinho diz que o ex-prefeito é inocente e não tem participação nos atos investigados. E que seu afastamento da prefeitura não se justifica. 

O ex-prefeito Leto Viana não respondeu aos nossos contatos.

*fonte: reprodução redeglobo

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