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Economia
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
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Em entrevista ao Jornal da Manhã, o coordenador do Procon de Campina Grande, Waldeny Santana, destacou a importância da informação clara e acessível como ferramenta essencial para proteger os consumidores, especialmente diante do aumento dos casos de endividamento.
Segundo ele, a proposta da nova cartilha lançada pelo órgão é justamente garantir a preservação do chamado “mínimo existencial”, princípio que assegura condições básicas de sobrevivência ao consumidor, mesmo diante de dívidas.
Com experiência na área bancária, o coordenador ressaltou que muitas práticas do mercado financeiro ainda são pouco compreendidas pela população.
Um dos principais alertas envolve a contratação de empréstimos consignados e créditos automáticos.
De acordo com Santana, é comum que essas operações incluam seguros embutidos, conhecidos como “crédito protegido”, sem que o consumidor tenha plena consciência dos custos envolvidos.
Ele enfatiza que o problema não está na contratação do seguro em si, mas na falta de transparência quanto ao custo efetivo total.
Outro ponto crítico citado foi a oferta do chamado “cartão de reserva consignável”. Muitos consumidores acreditam estar contratando um empréstimo tradicional, mas acabam recebendo um cartão de crédito em casa.
Nesse modelo, apenas o valor mínimo da fatura é descontado diretamente do benefício, o que faz com que a dívida se prolongue indefinidamente, sem redução significativa do valor principal.

Foto: ParaibaOnline
“Nem sempre a menor taxa representa a melhor condição. O consumidor precisa entender exatamente o que está contratando”, reforçou Santana.
A cartilha também aborda situações como a antecipação do saque-aniversário do FGTS. Nesse caso, o trabalhador perde o acesso ao saldo do fundo em caso de demissão até que a operação seja totalmente quitada, o que pode comprometer planejamentos futuros, como a compra da casa própria.
O material foi lançado em parceria com a OAB de Campina Grande, durante evento realizado no auditório da instituição.
A iniciativa faz parte de uma série de ações conjuntas voltadas à educação financeira da população.
Dados apresentados durante a entrevista apontam que cerca de 43% dos paraibanos estão com restrições em órgãos de proteção ao crédito, o que reforça a necessidade de orientação e suporte. Nesse sentido, o Procon anunciou a criação de uma sala de apoio ao superendividado, que contará com equipe multidisciplinar, incluindo contador, assistente social e psicólogo.
Além disso, o coordenador destacou que consumidores também podem buscar auxílio da Defensoria Pública e do Ministério Público, instituições que têm competência legal para atuar na mediação de conflitos e renegociação de dívidas.
A proposta, segundo Santana, não é condenar a atividade financeira, mas promover um consumo mais consciente.
“Não se trata apenas de crédito fácil, mas de crédito responsável. O consumidor precisa ter acesso às duas versões da história para tomar decisões mais seguras”, concluiu.
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