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Paraíba
Foto: Divulgação/IBS/Davi Probo
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O que antes terminava em cinzas ou no lixão, atualmente vira moda e geração de renda nas mãos de Maria Clara Cândido, de 16 anos.
Inspirada por um projeto de educação financeira em sua escola em Cabaceiras (Paraíba), a jovem deu um novo destino aos retalhos de couro descartados pelo pai artesão.
O que era resíduo agora se transformou em acessórios que conquistam o público e provam o poder do empreendedorismo jovem no Cariri paraibano.
“Queria comprar uma pulseira, mas, ao pesquisar preços, me deparei com opções de plástico na faixa dos R$ 25 e pensei: ‘Vou pagar isso por algo que não vai durar nem uma semana?’. Aí olhei para as tirinhas de couro do ateliê do meu pai e decidi fazer minha própria”, conta.
Ela tinha 9 anos. Da primeira peça, surgiram outras dezenas, vendidas a colegas, clientes do pai, frequentadores de feiras de artesanato e também seguidores nas redes sociais da Flor de Cactus, marca que a jovem empreendedora criou após passar pela formação do IBS (Instituto Brasil Solidário).
“Na escola, todo mundo se interessou. Perguntavam onde eu tinha conseguido aquela pulseira bonita e se poderiam comprar uma parecida. Comecei vendendo só para as amigas e fui ganhando espaço”, conta.
Inspirado pelo exemplo da filha, o artesão Saulo Ramos inovou nas suas mercadorias, produzindo novos modelos de sandália com os pedaços de couro que antes seriam descartados ou queimados.
Com a estratégia bem-sucedida, a renda da família cresceu cerca de R$ 2.000 por mês.
A seguir, Maria Clara conta como transformou o aprendizado da educação financeira em prática.
“No ensino fundamental, a escola nos apresentou o jogo Piquenique, que incentiva a pensar em um modo de vida mais sustentável e em maneiras de economizar”.
“Comecei a evitar gastos com coisas supérfluas e a analisar preços, questionando sempre se eu realmente precisava daquilo. Quando ia ao mercado com meus pais, escolhia marcas mais baratas que atendiam à mesma necessidade. Em casa, reduzi meu consumo de água e luz. Hábitos sustentáveis que realmente fazem a diferença”, relatou.
A jovem citou que “depois do jogo do IBS, foi implantado o JEPP (Jovens Empreendedores Primeiros Passos), do Sebrae, na minha escola. Pudemos investir aquele dinheiro que aprendemos a guardar com o Piquenique em algo que nos desse lucro”.
Maria Clara seguiu o seu relato:
“Foi nessa época que tive a ideia das pulseiras. Me senti tão importante quando vendi a primeira. Pensei: ´Meu Deus, estou que nem meu pai´. Fiquei muito feliz, porque estava conseguindo um dinheirinho que eu sabia que podia usar para comprar o que eu realmente queria. Meu tênis All Star de cano alto, uma boneca, meus livros.
“Meu pai também ajudou. Como ele vende sandálias para pessoas de outros estados, começou a mostrar as pulserinhas. E me levou para a Festa do Bode Rei, onde tive a oportunidade de realmente ter lucro, ver o retorno do que eu vinha fazendo.
“Além disso, criei um Instagram para divulgar as pulseiras e comecei a ganhar mais reconhecimento. A partir daí, passei a vender também outros acessórios pequenos. Isso não só me ajudou a ganhar meu dinheirinho para comprar o que eu queria como também fez meu pai repensar o próprio trabalho.
“Como ele produz diferentes tipos de sandália – alguns que usam mais couro, outros menos -, passou a reaproveitar as sobras de um modelo para fazer outros e vendê-los, em vez de descartar o material.
“Tive a oportunidade de ter meu próprio negócio, a Flor de Cactus, mas hoje não estou mais à frente dele porque estou focada nos estudos. Faço ensino médio em um instituto federal, e a rotina me demanda bastante.
“Mesmo assim, a marca é uma parte muito especial da minha história. Não é uma possibilidade que eu vá deixar de lado, porque faz parte de quem eu sou.
“A educação financeira realmente abre horizontes e traz novos pontos de vista. Aquilo que minha família antes via com desprezo, a gente passou a enxergar com outro olhar. Eu comecei a ver encanto ali. Muitas vezes, é nas coisas simples do dia a dia que as oportunidades surgem.”
A Causa do Ano ‘Educação Financeira Transforma conta com o apoio do IBS (Instituto Brasil Solidário).
*com informações de Victória Pacheco/folhapress
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