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Foto: Ascom
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O PT da Paraíba vai apoiar a chapa do governador Lucas Ribeiro (PP), composta pelo pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou à reportagem a presidente estadual do partido, Cida Ramos (PT).
A decisão sobre a aliança será confirmada em reunião do diretório estadual neste sábado (11).
O presidente Lula (PT), no entanto, fará campanha por outros dois candidatos ao Senado: o ex-governador João Azevedo (PSB), que está na chapa de Ribeiro, e o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), irmão do presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Vital do Rêgo, e que está em outra chapa.
Neste ano, são duas cadeiras em disputa por estado.
Pelo menos por enquanto, a decisão do diretório nacional do partido é que o presidente não endosse a candidatura do ex-prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos), pai de Motta.
O presidente da Câmara ainda aguarda uma conversa para tratar da eleição na Paraíba.
A decisão de aderir à chapa do governador Lucas Ribeiro foi informada à reportagem pela presidente do partido na Paraíba.
“Essa é a tendência. Isso tem como objetivo aumentar a votação do presidente Lula, que já tem hoje em torno de 62% dos votos válidos na Paraíba, e fortalecer as bancadas estadual e federal do partido”, afirmou Cida Ramos nesta quinta (9).
No dia anterior, ela se reuniu com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e com o deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), tio do governador, para sacramentar a aliança.
Em troca, o partido pedirá também a vaga de vice da chapa e apresentará uma carta com compromissos para o candidato.
O apoio do PT à chapa do governador impedirá que Veneziano, que está em outra chapa, utilize a imagem de Lula nos programas eleitorais.
Por outro lado, o pai de Motta só se beneficiará do tempo de TV do PT se a sigla decidir reproduzir a coligação do governo também para o Senado.
A presidente do PT evitou confirmar o apoio ao resto da chapa ao Senado, dizendo que isso também será discutido pelo diretório no sábado.
“No sábado vamos tirar todos os indicativos. Fizemos reuniões em vários municípios para ouvir a militância”, disse.
Nos bastidores, parte dos petistas afirma que Lula não terá como negar apoio ao pai de Motta, sob risco de esgarçar a relação em Brasília, da qual o presidente da República também depende para aprovar seus projetos.
Aliados do presidente da Câmara esperam no mínimo gestos do petista, como fotos ao lado de Nabor, e querem evitar um confronto direto.
Ele também aguarda uma conversa com Lula sobre o assunto.
Como mostrou a Folha de S. Paulo em dezembro, os desentendimentos causados pela política nacional entre Motta e o governo Lula faziam com que o PT na Paraíba se afastasse do apoio ao pai do presidente da Câmara e tensionavam ainda mais a relação em Brasília.
O partido local estava dividido entre o apoio às candidaturas ao governo de Lucas e do então prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB).
No ano passado, também fazia críticas a Motta pela tentativa de aprovar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Blindagem e a escolha do deputado bolsonarista Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do projeto antifacção.
A situação incomodava Motta, que além de virar alvo de críticas do partido, buscava apoio de Lula para eleger seu pai ao Senado.
O petista teve 66,6% dos votos na Paraíba em 2022, contra 33,4% do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e é um importante cabo eleitoral no estado.
Desde então, o presidente da Câmara intensificou as relações com o governo e a presença em atos e eventos no Palácio do Planalto.
Segundo a presidente do PT local, o partido pedirá a vaga de vice da chapa, mas essa não é uma contrapartida ao apoio para o governador, que já está pavimentado.
“O PT tem quadros, tem expertise política e de gestão, tem tamanho eleitoral para isso”, disse.
Cida Ramos afirma ainda que Lula é maior do que o PT e terá um palanque triplo no estado: de Lucas Ribeiro, do historiador Lúcio Flávio (PSOL) e de Cícero Lucena.
A fala corrobora a posição do diretório nacional, que espera uma frente com mais de um candidato defendendo o presidente na Paraíba.
Lucena, no entanto, tinha condicionado o apoio a Lula à aliança formal do PT local com ele, o que aumentaria seu o tempo de propaganda eleitoral na TV e rádio.
Ele tem aparecido à frente nas pesquisas de intenção de voto.
O senador Veneziano, irmão do presidente do TCU, também disputa o apoio de Lula com o pai de Motta – mas a tendência, hoje, é que o petista peça votos apenas para o emedebista e para Azevedo.
Veneziano é um dos principais parlamentares da base aliada do presidente no Senado.
*com informações de Raphael Di Cunto/folhapress
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