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Foto: Banco Master
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Documentos apontam que Fabiano Zettel, cunhado e apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro (dono do Banco Master), realizou um aporte de R$ 26 milhões no fundo Leal no segundo semestre de 2022.
O Leal controla outro fundo, o Arleen, que era sócio do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli e familiares no resort Tayayá, em Rio Claro (PR).
A reportagem revelou em janeiro deste ano que o Arleen, que fazia parte da rede fraudulenta do Master, era sócio de dois irmãos de Toffoli no empreendimento hoteleiro.
Na época, o ministro era o relator do inquérito que apura possíveis crimes cometidos pelo Master e diversas decisões tomadas pelo ministro causaram estranheza entre os servidores que tocam as investigações.
Até então, Toffoli não tinha revelado que era sócio da firma.
O ministro deixou a relatoria do caso, que redistribuído para André Mendonça.
Com a revelação das ligações entre Toffoli e Vorcaro a pressão sobre o ministro começou a aumentar, até ficar insustentável após um relatório da PF (Polícia Federal) entregue ao STF trazer mensagens trocadas entre Vorcaro e Zettel, nas eles quais discutem pagamentos para a empresa Maridt, que tem entre seus sócios o magistrado.
Coaf
A Maridt foi criada em 2020, ano anterior a entrada do fundo de Zettel na sociedade do Tayayá.
Em setembro de 2021, pouco mais de um ano da abertura da companhia, a empresa entrou na sociedade do resort.
Procurado por meio da assessoria de imprensa do STF nesta quinta, Toffoli não respondeu aos questionamentos da reportagem.
O relatório do Coaf lista R$ 99,4 milhões em movimentações financeiras feitas por Zettel no período, sendo R$ 50 milhões que entraram em suas contas e R$ 49,4 milhões que saíram.
Os aportes no Leal -11, ao todo- representam 53% de tudo que saiu no período.
“As movimentações em conta estão incompatíveis com a capacidade financeira declarada”, diz o Coaf, segundo o qual Zettel teria uma renda mensal de R$ 66,6 mil.
A defesa do empresário afirmou que não se manifestaria sobre o assunto.
Zettel é casado com Natália Vorcaro, irmã do dono do Master, e foi pastor da Igreja Batista da Lagoinha.
O Coaf alerta para o fato de que ele teria pago boletos em nome da esposa, cujo beneficiário final era Vorcaro, “sem causa aparente”.
“A conta [do ex-pastor] aparentemente está sendo utilizada para o trânsito de recursos de terceiros”, diz o conselho.
Tal suspeita já havia sido apontada pelo ministro André Mendonça na decisão que determinou a prisão de Zettel, na semana passada.
Mensagens interceptadas pela PF apontam que o ex-pastor fazia a gestão de pagamentos em nome de banqueiro -indício que também é apresentado pelo Coaf.
Zettel foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, nas primeiras operações contra a fraude bilionária atribuída a seu cunhado.
Em março deste ano, alvo de uma nova ordem judicial, Zettel se entregou à polícia, no mesmo dia em que Vorcaro foi preso pela segunda vez.
Segundo as investigações, Zettel também seria dono da mansão em Brasília que funcionava como ponto central do ex-banqueiro.
Era lá que Vorcaro se reunia com políticos importantes, como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, e o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
*com informações de Lucas Marchesini, João Gabriel e Catia Seabra/folhapress
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