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Foto: Ascom
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A irregularidade das chuvas é uma das principais características do clima no semiárido brasileiro e representa um dos maiores desafios para quem vive e produz na região. A explicação é da meteorologista e tecnologista da área de desertificação do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), Morgana Almeida.
Durante participação semanal do Insa dentro do Jornal da Manhã, da Rádio Caturité FM, a especialista destacou que o regime de chuvas no semiárido é marcado por grandes variações tanto no espaço quanto no tempo.
“O semiárido brasileiro tem uma característica marcante da irregularidade espacial e temporal das chuvas. A gente tem anos em que essas chuvas vêm com mais regularidade, mas tem anos em que praticamente não chove. Essa variação entre os anos depende muito das condições dos oceanos, principalmente do Pacífico e do Atlântico, que regulam o comportamento climático”, explicou.
Segundo Morgana Almeida, além da irregularidade, o período chuvoso na região costuma se concentrar em poucos meses do ano, o que aumenta a ocorrência de eventos extremos.
“O regime de chuva é complexo. O período chuvoso se concentra praticamente em quatro meses do ano e no restante temos a estiagem. Muitas vezes a chuva esperada para o mês inteiro acontece em um ou dois dias, como vimos recentemente no final de fevereiro e início de março”, destacou.
A meteorologista também chamou atenção para os impactos das mudanças climáticas no semiárido, apontando que a região está entre as mais vulneráveis do planeta.
“O semiárido é uma das regiões do planeta mais vulneráveis às mudanças climáticas. Estudos apontam aumento das temperaturas e diminuição das chuvas, o que pode ampliar áreas com características ainda mais áridas”, afirmou.
Mesmo com essa tendência de redução no volume de precipitações, eventos de chuvas intensas tendem a ocorrer com maior frequência, o que também provoca impactos ambientais e no solo.
“As temperaturas mais elevadas e a diminuição das chuvas não significam ausência de eventos extremos. Pelo contrário, as chuvas fortes estão ocorrendo com mais frequência e isso pode potencializar processos como a desertificação”, alertou.
Diante desse cenário, Morgana Almeida reforça a importância do uso de tecnologia e de estratégias de convivência com o clima semiárido para fortalecer a atividade rural.
“É essencial trazer ferramentas tecnológicas para o homem do campo, como melhoramento genético de culturas mais resistentes ao estresse hídrico, manejo adequado da água e aproveitamento de cisternas. Também é importante garantir alimentação para os rebanhos e incentivar práticas como a estocagem de alimentos para os períodos de estiagem”, pontuou.
A pesquisadora destacou ainda que o acesso à informação climática pode ajudar agricultores a planejar melhor a produção e reduzir riscos.
“A gente não pode mudar o clima, mas pode usar o conhecimento e as previsões climáticas para orientar o agricultor a adotar estratégias que minimizem perdas e melhorem a convivência com as condições do semiárido”, disse.
Por fim, Morgana lembrou que, apesar da fama de região seca, o problema do semiárido não é apenas a quantidade de chuva, mas principalmente a forma como ela se distribui.
“O semiárido é um dos semiáridos do mundo que mais chove dentro da sua realidade, com médias entre 250 e 800 milímetros por ano. O grande problema é a irregularidade. Pode chover em uma cidade e não chover em outra próxima, e isso traz muitas dificuldades para o planejamento da produção”, concluiu.
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