Paraíba

Ilza Nogueira: uma vida dedicada a ensinar e abrir caminhos

Da Redação com Ascom
Publicado em 5 de março de 2026 às 20:47

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Foto: Ascom/UFPB

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A trajetória de Ilza Nogueira, professora aposentada da Universidade Federal da Paraíba, passa por ocupar espaços em uma das áreas da música em que as mulheres historicamente enfrentaram mais barreiras: a composição.

Acreditando que a melhor forma de prever o futuro é criá-lo, ela construiu seu caminho aprendendo, compondo, ensinando, pesquisando e liderando, enfrentando o sexismo histórico, como costuma dizer, “com argumentos consistentes e incontestáveis”. Mais um capítulo dessa trajetória se inicia na noite desta quinta-feira (05), quando toma posse como presidenta da Academia Brasileira de Música (ABM), eleita com mais de 97% dos votos dos acadêmicos.

Nascida em Salvador, na Bahia, Ilza construiu uma carreira acadêmica e artística que a transformou em uma das referências brasileiras na composição, na teoria e na análise musical. Em 1978, entrou na UFPB para fazer parte do núcleo fundador do curso de música, tendo participado da estruturação do Departamento e coordenado o bacharelado em seus primeiros anos. Ao longo de mais de duas décadas como professora da universidade, formou gerações de músicos e pesquisadores e contribuiu para consolidar o campo da pesquisa em música no Brasil.

O olhar coletivo sempre foi uma marca de sua trajetória. Em 1988, ela fundou a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música (ANPPOM). Ilza também fundou a Associação Brasileira de Teoria e Análise Musical (TeMA) em 2014 e, ao longo da carreira, coordenou diversos grupos de pesquisa que reuniram estudiosos de diferentes instituições. Pesquisadora do CNPq há décadas, ela afirma que seu trabalho sempre buscou ir além da produção individual.

“Currículos preenchidos valem muito menos do que ideias projetadas no sentido da originalidade e justificadas por argumentos contextualizados no avanço do conhecimento e no benefício coletivo”, afirma. Segundo ela, esse olhar para o coletivo talvez seja um dos fatores que explicam as lideranças que assumiu ao longo da carreira, especialmente no campo da pesquisa em música.

Mesmo em uma área tradicionalmente marcada pela predominância masculina, Ilza afirma que nunca adotou uma postura defensiva diante das desigualdades. “Em minha trajetória profissional, em raras ocasiões experienciei atitudes sexistas, que vêm sempre apoiadas em arrogância ou ironia. Mas isso se combate com argumentos consistentes e incontestáveis”, resume.

Para ela, parte dessa postura vem da autoconfiança e da forma como escolheu conduzir sua carreira. “Não projetar ideias já antecipando possíveis atitudes sexistas, nem assumir uma atitude pré-defensiva, também é uma forma de enfrentar essas estruturas”, explica.

Agora à frente da Academia Brasileira de Música, instituição fundada por Heitor Villa‑Lobos em 1945, Ilza Nogueira acrescenta mais um marco a uma trajetória já repleta de pioneirismos. Em oito décadas de existência da entidade, ela é a primeira mulher a assumir a presidência.

Aceitar o desafio, segundo ela, foi também uma forma de levar adiante ideias que vem desenvolvendo há anos dentro da própria instituição. “Aceitei a incumbência porque quero concretizar ideais que venho incorporando em metas estratégicas para a Academia”, explica.

Entre esses projetos está uma proposta ambiciosa: a realização do “Ano Villa-Lobos”, em 2029, quando as obras do compositor entrarão em domínio público. A iniciativa prevê uma programação ampla, com a participação de instituições culturais e educacionais de todo o país e possivelmente do exterior, incluindo concertos, concursos, publicações musicológicas, gravações e séries televisivas e radiofônicas. “A preparação para uma meta grandiosa como essa é progressiva e exige muito trabalho”, observa.

Se a eleição para a presidência da ABM representa uma conquista pessoal, Ilza faz questão de destacar também o significado coletivo desse momento, especialmente para as mulheres nordestinas.

“Represento, e com muito orgulho, a mulher nordestina”, afirma. “E representá-la significa incorporar qualidades que nos distinguem: determinação, resiliência, empreendedorismo, versatilidade e solidariedade.”

Segundo ela, essas características também se refletem na forma como as mulheres exercem a liderança. “Como gestoras, temos senso de equilíbrio e organização, principalmente quando precisamos administrar grandes sonhos com poucos recursos. É aí que entram a criatividade, a determinação e até o bom humor que sempre guardamos no bolso para enfrentar situações difíceis.”

Para a compositora, transformar desafios em oportunidades é uma habilidade que nasce da própria experiência social e cultural de ser mulher no Nordeste. “Persistimos até conseguir”, resume.

Ao olhar para trás, Ilza reconhece que muitas das conquistas mais importantes de sua trajetória não aparecem em currículos ou formulários acadêmicos, mas estão presentes nas ideias, nos projetos coletivos e nas instituições que ajudou a construir.

É esse legado, de criação artística, produção intelectual e liderança acadêmica, que agora acompanha a professora aposentada da UFPB em mais uma etapa de sua história, reforçando o papel das mulheres na condução das instituições culturais e científicas do país.

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