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Foto: Leonardo Silva/ParaibaOnline/Arquivo
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*Vídeo: ParaibaOnline
O futuro do Açude Velho, um dos principais cartões-postais de Campina Grande, está no centro de um conjunto de ações estruturantes que prometem recuperar a qualidade ambiental do reservatório. Em entrevista à Rádio Caturité FM, o engenheiro sanitarista e ambiental Cícero Felipe Diniz de Santana, doutor em Engenharia Civil e Ambiental e professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), detalhou os projetos em andamento para enfrentar décadas de degradação.
Segundo o especialista, o açude sofre há anos com o processo de eutrofização, fenômeno causado pelo excesso de nutrientes como nitrogênio e fósforo na água, que favorece a proliferação de algas e reduz o oxigênio disponível para a vida aquática. O problema ganhou ainda mais visibilidade após a mortandade de peixes registrada no início deste ano.
“O Açude Velho sofre há décadas com o processo de eutrofização e mais recentemente a gente teve a mortandade dos peixes, que ocorreu agora no início do ano. Foi causado por um fenômeno natural que foi se agravando: o nível da água foi baixando, a temperatura foi ficando maior e isso causou uma inversão térmica, que fez com que os peixes não tivessem acesso ao oxigênio dissolvido e isso levou à morte deles”, explicou.
Desde o segundo semestre do ano passado, a Secretaria de Obras de Campina Grande firmou parceria com a UFCG e o Parque Tecnológico da Paraíba para desenvolver soluções de revitalização. Entre elas está o projeto de uma estação de tratamento de água específica para o açude, coordenado por Cícero Felipe.
“Essa estação teria como principal objetivo a clarificação da água, torná-la menos turva. Também reduzir o odor, a matéria orgânica presente e aumentar o oxigênio dissolvido. Com isso, teríamos uma melhor qualidade de vida aquática e também para quem convive no entorno do açude”, destacou.

Foto: ParaibaOnline
O professor esclareceu que a estação não terá a finalidade de tornar a água potável, mas sim melhorar as condições ambientais do reservatório. Paralelamente, outra equipe trabalha na dragagem do açude, processo que consiste na raspagem e retirada do material acumulado no fundo.
“Já temos o mapeamento das áreas mais críticas onde será feita essa limpeza. A dragagem vai manter a lâmina d’água original. Hoje há pontos com menos de 30 centímetros de profundidade, e o ponto mais fundo tem entre dois metros e meio e três metros. Muita gente pensa que o açude é profundo, mas não é. Vamos uniformizar e retirar essa sujeira acumulada.”
De acordo com o professor, os projetos são financeiramente viáveis, pois contam com recursos de banco internacional que financia iniciativas de desenvolvimento.
“O projeto é financiado pelo Fonplata e temos um acordo de parceria entre a UFCG, o Parque Tecnológico da Paraíba e a Prefeitura. Dentro dos recursos estão contempladas essas ações.”
As duas medidas são independentes, mas vêm sendo planejadas de forma simultânea. O objetivo central é restabelecer o equilíbrio ambiental e fortalecer o microecossistema do açude.
“A vida aquática precisa de baixo nível de toxinas e de oxigênio dissolvido em condições ideais. Precisamos reduzir o material poluidor e resgatar esse oxigênio. Isso vai fortalecer toda a cadeia do ecossistema, desde algas até peixes e aves como as garças que frequentam o açude.”
Questionado sobre a possibilidade futura de pesca no local, o professor afirmou que, embora não seja o objetivo principal, pode se tornar viável.
“Nosso foco não é tornar a água própria para consumo humano, mas melhorar a qualidade ambiental. Possivelmente, com a melhoria das condições, a pesca pode voltar a acontecer de forma saudável, como era comum antigamente.”
Enquanto os projetos estruturais avançam, ações emergenciais estão sendo executadas pela Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma), como a instalação de aeradores para aumentar o oxigênio dissolvido em pontos estratégicos e o desvio de maior volume de água da chuva para o açude.
“Os aeradores ajudam no curto prazo, mas é uma solução limitada, porque a injeção de oxigênio não ocorre de forma uniforme. O ideal é que o próprio corpo hídrico tenha seu nível de oxigênio elevado de maneira natural e equilibrada.”
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