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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.
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A alegria cristã não nasce da ausência de problemas, mas da certeza de que somos amados e enviados por Deus. Mesmo pequenos e frágeis, podemos experimentar uma alegria profunda quando abrimos o coração ao Evangelho. É a alegria de saber que a nossa vida tem sentido, que não caminhamos ao acaso, que somos chamados pelo nome e enviados com confiança.
Mas é preciso falar da verdadeira alegria. Ela não se confunde com euforia, entusiasmo passageiro ou satisfação imediata. A verdadeira alegria é fruto da verdade acolhida e do bem vivido. Ela nasce quando o coração está reconciliado com Deus e consigo mesmo. É uma alegria que pode coexistir com lágrimas, porque não depende das circunstâncias externas, mas da comunhão interior com o Senhor.
Essa alegria está intimamente ligada ao sentido de vida. O ser humano não se sustenta apenas de prazeres; ele precisa de significado. Quando sabemos por que vivemos e para Quem vivemos, o sofrimento não nos destrói, as dificuldades não nos paralisam.
A alegria floresce quando descobrimos que nossa existência é resposta a um chamado e participação em uma missão. Ter sentido é saber que cada gesto, cada sacrifício, cada fidelidade escondida possui valor eterno.
Jesus não nos convida a uma missão pesada, mas a participar da Sua própria alegria: a alegria de anunciar que o Reino está próximo. Há uma felicidade discreta e luminosa em saber que Deus conta conosco. Não porque sejamos fortes, mas porque Ele é fiel. A verdadeira alegria brota dessa confiança, não estamos sozinhos, caminhamos sustentados pela graça e orientados por um propósito.
Essa alegria amadurece na oração. Quando paramos para escutar Deus, quando deixamos que Ele nos fale no silêncio do coração, algo se reorganiza dentro de nós. A pressa diminui, o medo perde força, e nasce uma paz serena. Na oração, reencontramos o eixo da vida. E quando a vida tem eixo, ela tem sentido; quando tem sentido, ela pode sustentar a alegria.
Vivemos também sob o medo constante da solidão. Buscamos distrações, relações apressadas e ocupações contínuas para não nos encontrarmos conosco mesmos. No entanto, a alegria do Evangelho não foge do silêncio nem teme a interioridade. Ela amadurece justamente quando aprendemos a estar sós diante de Deus, sem máscaras e sem ruídos. Bento XVI recordava que “a maturidade humana se manifesta, de modo particular, na capacidade de aceitar a própria solidão”.
Não se trata de isolamento, mas de profundidade. Quando a solidão é habitada por Deus, ela deixa de ser ameaça e torna-se espaço de crescimento. A verdadeira alegria nasce dessa maturidade interior: de um coração que não precisa fugir de si, porque encontrou em Deus sua companhia e seu sentido.
Nos próximos dias iniciaremos a Quaresma, tempo forte de graça e conversão. A Igreja nos convida a um caminho de retorno ao essencial, de revisão interior, de purificação do coração. Não se trata apenas de práticas externas, mas de um movimento profundo que recoloca a vida em seu verdadeiro eixo.
A oração, o jejum e a caridade — pilares da Quaresma — não são fins em si mesmos, mas meios para restaurar o sentido da existência. Ao rezar, reencontramos nossa origem e nosso destino em Deus. Ao jejuar, aprendemos que não somos definidos pelos nossos impulsos ou desejos imediatos. Ao praticar a caridade, descobrimos que o amor é o verdadeiro significado da vida.
A Quaresma, portanto, não é um tempo de tristeza, mas de lucidez. É o tempo de retirar o que é superficial para que permaneça o essencial. Quando a vida se alinha novamente com Deus, a alegria ressurge — não como euforia, mas como serenidade firme e confiante.
No fundo, a verdadeira alegria nasce de uma vida reconciliada, orientada e cheia de sentido. Mesmo entre desafios, permanece a certeza de que vale a pena amar, servir e confiar. Essa é a alegria que amadurece no silêncio, se fortalece na fé e prepara o coração para a plenitude da Páscoa, firme, profunda e enraizada em Deus.
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