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Enfermeira paliativista com mais de 10 anos de experiência na área da saúde. Especialista em cuidados paliativos, atua na promoção de um cuidado humanizado, integral e compassivo. É referência na Paraíba por sua atuação sensível e transformadora junto a pacientes e famílias.
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Foto: acervo pessoal
Os cuidados paliativos têm ganhado espaço nas discussões em saúde no Brasil e no mundo, não apenas como uma resposta ao fim da vida, mas como uma abordagem essencial para qualificar o cuidado em todas as fases de doenças graves ou que ameaçam a continuidade da vida.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os cuidados paliativos visam prevenir e aliviar o sofrimento por meio da identificação precoce, avaliação adequada e tratamento da dor e de outros problemas físicos, psicossociais e espirituais. Ainda assim, grande parte da população associa esse cuidado apenas aos últimos dias de vida, o que limita seu acesso e aplicação.
Estudos recentes reforçam que a introdução precoce dos cuidados paliativos melhora significativamente a qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias.
Pesquisas apontam redução de sintomas como dor, falta de ar, ansiedade e depressão, além de melhor adesão aos tratamentos e menor número de internações evitáveis. Ao contrário do que muitos acreditam, o cuidado paliativo não substitui tratamentos curativos quando eles existem, mas atua de forma integrada, oferecendo suporte contínuo e humanizado.
No Brasil, um marco importante foi a instituição da Política Nacional de Cuidados Paliativos no âmbito do SUS, publicada em 2024.
Essa política reconhece o cuidado paliativo como parte da atenção integral à saúde e propõe sua ampliação em diferentes níveis de assistência, da atenção básica aos serviços hospitalares. A proposta também valoriza a capacitação dos profissionais de saúde, entendendo que cuidar do sofrimento exige preparo técnico, sensibilidade e comunicação qualificada.
Outro aspecto central dos cuidados paliativos é o cuidado com a família e com os cuidadores. A doença grave não afeta apenas o corpo de quem adoece, mas todo o seu entorno emocional, social e familiar.
O acompanhamento paliativo oferece espaço para escuta, orientação e apoio emocional, inclusive no processo de luto, reconhecendo que o cuidado não termina com a morte, mas se estende a quem permanece.
Discutir e praticar mais os cuidados paliativos é um compromisso ético com a dignidade humana. É reconhecer que, mesmo quando não há possibilidade de cura, sempre há o que fazer: aliviar, acolher, respeitar escolhas e preservar histórias.
Avançar nesse tema significa transformar a forma como lidamos com a doença, a finitude e, sobretudo, com as pessoas que confiam seus momentos mais vulneráveis aos serviços de saúde.
Atenção: Os artigos publicados no ParaibaOnline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo ao exercício da pluralidade de opiniões.
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