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Economia
Foto: Divulgação/Bradesco
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Dois anos após o início da grande reestruturação do Bradesco, a gestão de Marcelo Noronha começa a colher frutos sólidos.
O banco registrou um avanço notável no lucro e na rentabilidade, confirmando a eficácia do novo plano.
No entanto, o mercado financeiro mantém o sinal de alerta: investidores demonstram inquietação com a velocidade das mudanças, exigindo resultados ainda mais agressivos para o gigante bancário.
O banco projeta um crescimento da carteira de crédito neste ano entre 8,5% e 10,5%. Já a expectativa para margem financeira líquida vai de R$ 42 bilhões a R$ 48 bilhões. Em 2025, esses números ficaram em 11% e R$ 40 bilhões, respectivamente.
Apesar da pressão por resultados, Noronha diz que se atém ao plano traçado em 2024.
Com fechamento de agências, investimentos em tecnologia e aumento de participação de mercado, especialmente na alta renda, o banco recupera aos poucos a sua rentabilidade.
Para se adaptar aos novos tempos de concorrência com fintechs, o plano em marcha muda a estratégia de um banco que tradicionalmente gostava de ter agências em pequenos municípios brasileiros.
A situação provocou uma mudança na gestão e Noronha, então vice-presidente do varejo do Bradesco, assumiu o comando do banco em novembro de 2023 e deu início a um plano de cinco anos para colocar a instituição de volta ao topo.
REESTRUTURAÇÃO
A tarefa de transformar o banco está sob a responsabilidade de um chamado escritório de transformação, com 800 funcionários, em diferentes frentes. Semanalmente, Noronha acompanha o progresso.
O objetivo do banco é aumentar a participação de mercado nesses segmentos de mais alta renda e, em seguida, ampliar o relacionamento com um público que oferece um alto retorno, com menos risco de inadimplência e maior ganho em serviços.
Na parte tecnológica, o investimento está focado na migração dos sistemas para a nuvem. Há também um gasto com pessoal, com a contratação direta de mais funcionários para essa área. Antes da reestruturação, 70% dos funcionários desse setor eram terceirizados, agora essa fatia caiu para 60%. A tendência é que contratações próprias ganhem mais espaço.
FECHAMENTO DE AGÊNCIAS
O banco planeja fechar entre 600 e 700 agências e pontos de atendimento neste ano com o objetivo de reduzir custos. Em 2025, o Bradesco fechou cerca de 1.400 pontos, depois de ter encerrado uma quantidade similar no ano anterior.
Com a competição mais acirrada com as fintechs, que oferecem serviços gratuitos, o banco tem visto sua receita de conta corrente cair, assim como a anuidade de cartão para pessoas de mais baixa renda.
“Você ter atendimento em papel custa uma fortuna. A gente tinha receita com conta corrente, que hoje cai, e tinha receita com anuidade de cartão”, afirmou o executivo, acrescentando que o custo de transportar dinheiro também é elevado.
“A gente perdeu receitas que, na hora de fazer todo esse processo, você deixou de pagar a conta. Por isso que tem de afunilar no digital, não tem alternativa.”
De acordo com o CEO, há cidades em que não vale a pena estar mais. “Cidade abaixo de 20 mil habitantes é bem complicado de rentabilizar. O Bradesco Expresso, porém, continua em 100% dos municípios brasileiros, com mais de 39 mil representantes.”
O Bradesco Expresso funciona em estabelecimentos comerciais, como mercadinhos e farmácias, que recebem dinheiro e têm um tablet com os sistemas do Bradesco.
FINTECHS
O executivo diz que o modelo de negócios de fintechs como o Nubank, cujo atendimento é 100% digital, o preocupava no passado.
“Isso tirava meu sono lá em 2018, 2019. Tirava mesmo. Agora, temos umas coisas muito boas também. Temos uma capacidade de competir muito maior do que a gente tinha”, disse ele.
Para competir com as fintechs, a saída encontrada tem sido fazer um atendimento mais digital, fora da agência para os clientes de mais baixa renda. “Hoje que a gente está com 19 milhões de clientes, fully digital. Atendimento é só digital. Não é mais agência.”
Para ele, as fintechs se posicionaram para a baixa renda, mas não conseguiram ainda ganhar o público de alta renda. Ele também diz que não quer parte dos clientes de estratos econômicos mais baixos que as fintechs possuem. “Tem clientes ali [de baixa renda] pelos quais eu não quero competir, não. A gente já testou. Tem grupos muito complicados, porque são inadimplentes mesmo.”
*com informações de Júlia Moura e Carolina Mandl/folhapress
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