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Educação e Ciência
Foto: Pixabay/ilustrativa
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No quadro semanal “Português Nosso de Cada Dia”, veiculado na Rádio Caturité FM, o professor Golbery Rodrigues trouxe uma reflexão atual e necessária sobre o uso de expressões populares na língua portuguesa, destacando como a mudança de valores sociais impacta diretamente o modo como falamos.
Durante a participação, Golbery chamou atenção para a expressão “enforca-gato”, popularmente utilizada para se referir à abraçadeira de nylon. Segundo ele, trata-se de um termo antigo, amplamente difundido e, na maioria das vezes, usado sem qualquer intenção negativa. Ainda assim, o professor propôs um olhar mais atento sobre o peso das imagens evocadas pelas palavras.
“As palavras envelhecem e algumas delas pedem cuidado. Esse termo surgiu por associação visual. A peça aperta, prende, fixa. Não foi criada para ferir, foi criada para explicar rapidamente um objeto. Mas as imagens evocadas pelas palavras importam”, explicou.
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Golbery ressaltou que, na contemporaneidade, a sensibilidade social mudou, especialmente em relação aos animais. “Hoje, cães e gatos deixaram de ser vistos apenas como animais. Para muitos, são companheiros, membros da casa e até filhos”, destacou, acrescentando que a língua acompanha essas transformações da sociedade.
O professor fez ainda uma comparação para ilustrar o impacto das imagens linguísticas. “Nós não dizemos ‘enforca a criança’ para nenhum objeto, porque a repercussão seria imediata e negativa. Mesmo sem intenção, a imagem chocaria. Com os animais, essa sensibilidade também mudou”, afirmou.
Durante o quadro, Golbery deixou claro que quem utiliza a expressão não está defendendo violência nem agindo com crueldade. “É costume linguístico, aprendido, repetido, herdado. Mas a consciência linguística nos permite escolher melhor quando há alternativas”, pontuou.
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Como forma de ampliar o repertório e incentivar o uso de termos mais neutros, especialmente em ambientes formais, técnicos ou institucionais, o professor apresentou dez alternativas à expressão popular. Entre elas estão: abraçadeira de nylon, abraçadeira plástica, cinta de fixação, cinta plástica, lacre plástico, fixador plástico, abraçadeira ajustável, cinta de amarração, presilha plástica ou simplesmente abraçadeira.
“Reoxigenar o vocabulário não é censurar ninguém, é ampliar o repertório. Em conversas informais, a língua popular segue viva, mas em documentos, aulas e textos técnicos é preciso cuidado”, reforçou.

Foto: ParaibaOnline/Arquivo
Encerrando sua participação, Golbery Rodrigues deixou uma reflexão ao público. “As palavras não são culpadas, mas nós somos responsáveis por escolhê-las. Quando a sociedade muda, a língua nos convida a mudar também. Reoxigenar a fala é um gesto de atenção ao outro e de maturidade linguística”, concluiu.
O quadro “Português Nosso de Cada Dia” vai ao ar semanalmente na Rádio Caturité FM, trazendo orientações, reflexões e curiosidades sobre o uso consciente da língua portuguesa.
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