Turismo & Gastronomia

´Oásis´ brasileiro: Gramado atrai público de alto poder aquisitivo

Da Redação*
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 14:09

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Foto: Keiny Andrade/Folhapress

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O aumento de experiências e empreendimentos voltados às classes A e B tem transformado o perfil do turismo em Gramado (RS), especialmente durante o período do Natal, quando a cidade da Serra Gaúcha recebe turistas atraídos pela tradicional decoração natalina.

A cidade espera que 2,8 milhões de pessoas passem pelo tradicional Natal Luz, evento gratuito para o público que se aglomera nas calçadas para acompanhar os desfiles temáticos. No entanto, para quem busca melhor visibilidade, é preciso chegar cedo para garantir um lugar em pé na grade e enfrentar a multidão.

Para maior conforto, é necessário desembolsar valores que chegam a até R$ 420 nas cadeiras e R$ 540 nos lounges, que tem docinhos, salgadinhos e espumante livres.

A edição deste ano trouxe o Passaporte Experience, que, por R$ 999, possibilita ao turista participar do desfile de Natal.

O visitante recebe um kit com figurino e uma espumante em homenagem aos 40 anos do evento e desfila em um carro alegórico com o elenco. Os ingressos para o espetáculo Nativitaten, show de luzes e música em um lago de Gramado, custam a partir de R$ 180.

“Cada vez mais a gente tem tentado criar produtos que são exclusivos”, diz Bertolucci. Segundo ele, os ingressos para os melhores lugares estão quase sempre indisponíveis devido à alta procura.

“Isso já mostra também que existe uma intenção do público de buscar um serviço mais exclusivo.”

O antigo turismo bucólico deu espaço à chegada de marcas de roupas e perfumaria importadas, ao aluguel de carros de alto padrão para passeios com tempo cronometrado e à inauguração de empreendimentos de luxo.

Além da hotelaria de alto padrão, Gramado amplia sua oferta com experiências diferenciadas ligadas ao bem-estar, ao turismo wellness, como o spa Kurotel, e ao enoturismo.

A cidade também cresce no segmento de destination wedding, com serviços voltados a casais com maior poder aquisitivo, área historicamente associada ao romantismo e ao turismo de inverno.

O secretário afirma que ampliar a aposta em experiências mais exclusivas e em um público menor, porém com maior poder aquisitivo, também ajuda a responder a um problema enfrentado por Gramado: as limitações do crescimento urbano em uma cidade de 137 km².

Ele cita como exemplo o investimento de R$ 1 bilhão em um complexo turístico em uma área de 205 hectares ainda livre no território. O projeto, que tem como sócio o empresário Dody Sirena, inclui um resort do Club Med, uma pista de esqui e investimentos adicionais da marca em Gramado.

De acordo com Janyck Daudet, CEO do ClubMed para a América Latina, um dos fatores para a escolha de Gramado foi a demanda crescente por experiências de maior valor agregado.

“Nos últimos anos, Gramado deixou de ser apenas um destino sazonal e passou a atrair um público disposto a investir em hospedagem, gastronomia e lazer de alto padrão”, disse Daudet.

Bertolucci diz que é preciso pensar na sustentabilidade social, econômica e ambiental de uma cidade que hoje exige grande circulação de pessoas para dar conta da sua oferta. Nesse contexto, investir em experiências de alto padrão, voltadas a turistas que gastam mais na cidade, pode ser um bom caminho.

“O mercado de luxo precisa de menos gente, e essa quantidade menor de pessoas gera uma boa receita para a cidade”, diz o secretário.

Entretanto, ele não acredita que a mudança de perfil vá levar a um aumento generalizado de preços e prejudicar o turismo para o público geral em Gramado.

“A cidade não vai migrar totalmente para esse modelo. Ao contrário, o que estamos fazendo é um mapeamento do inventário do que já existe no mercado de luxo para potencializar esses players de alguma forma e atrair esse público”, diz.

“O restaurante mais popular, com preço mais acessível, tende a funcionar sempre e manter bom movimento. Já o restaurante mais caro, com mais exclusividade, também funciona, mas em número menor”, afirma.

Ele aponta ainda que o mercado de luxo demora a se consolidar e que o perfil médio do consumidor brasileiro ainda é de renda mais baixa.

“O público da classe A existe, mas vemos claramente um grande volume de visitantes das classes B e C. O que isso quer dizer? É uma questão de oferta e demanda.”

*CARLOS VILLELA/folhapress

 

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