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Cardiologista aponta sete benefícios da caminhada para o coração

Da Redação com Ascom. Publicado em 31 de julho de 2021 às 10:16.

Foto: Reprodução

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O cardiologista e pesquisador Valério Vasconcelos, autor do livro “O coração gosta de coisas boas”, é também adepto das atividades físicas – na verdade, é um triatleta. Ele costuma acordar antes das 4h para dar início à sua rotina de exercícios. “Escolhi ser triatleta não só porque o triatlo é um esporte apaixonante, que envolve três modalidades esportivas (natação, ciclismo e corrida) em que todas têm grande importância para prevenir a doença cardiovascular, mas também porque o triatlo é para mim um estilo de vida”, revela.

Para quem está sedentário e até ouvir a palavra triatlo assusta, um bom começo pode ser a simples caminhada. Abaixo, o médico aponta (e comenta) sete benefícios que a prática proporciona ao coração. Antes de sair caminhando por aí, porém, é importante buscar avaliação por um profissional especializado para prescrição de atividades físicas. “Isso vale para pessoas saudáveis, mas especialmente para grupos específicos, como pacientes com problemas cardiovasculares”, orienta.

Melhora o condicionamento vascular

A movimentação dos membros inferiores por meio das caminhadas aumenta o fluxo da circulação do sangue e melhora o retorno do sangue venoso ao coração. Isso ocorre devido ao maior estímulo dos músculos, sobretudo da panturrilha, a popular “batata da perna”, que atua como um verdadeiro coração das pernas, ajudando a transportar o sangue e os nutrientes de volta ao coração. Por promover uma melhora na circulação, a corrida e a caminhada contribuem para fortalecer a parede dos vasos sanguíneos, impedindo a obstrução de veias e artérias (responsável por desencadear o aparecimento de diversas doenças vasculares).

Reduz a pressão arterial

Está comprovado: a prática regular de exercícios físicos melhora o funcionamento de diversos sistemas do corpo. Quem faz exercícios físicos de forma rotineira se previne contra diversos problemas de saúde, tais como a hipertensão arterial sistêmica (HAS), popularmente conhecida como pressão alta. A prática regular de exercícios físicos pode ser tão eficaz na redução de riscos de infarto quanto um medicamento, no entanto, se a pessoa já faz uso de algum remédio, não deve abandonar o tratamento. Nas pessoas com pressão alta, a atividade física ajuda a reduzir a pressão arterial e a dose de medicamento, chegando mesmo a eliminar a necessidade de usá-los, além de controlar outros fatores de risco normalmente associados à hipertensão, como obesidade, colesterol, diabetes e estresse.

Regula os níveis de colesterol no corpo

Por diminuir os níveis de “colesterol ruim” (LDL) e aumentar os de “colesterol bom” (HDL), a caminhada é essencial para o controle do colesterol no sangue. O exercício rotineiro estimula, por exemplo, a produção da lipase, uma enzima que barra o acúmulo de gorduras nas paredes das artérias.

Com isso, os riscos de doenças do sistema circulatório, infarto e derrame cerebral são reduzidos. Alguns estudos têm demonstrado que um aumento nos níveis de HDL (da ordem de 1 mg/dl) produz redução de 2%-3% na incidência de entupimento das artérias do coração. Também foi demonstrado que níveis elevados de HDL, o “colesterol bom”, podem impedir a progressão da placa de gordura, promovendo, aliás, sua regressão.

Protege contra derrames e infartos

O comportamento sedentário está associado ao risco aumentado de ser acometido por alguma doença, dentre elas infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). A prática de atividades físicas previne o AVC ao diminuir os fatores de risco que podem desencadear a doença. Se adotada regularmente, a prática de exercícios físicos melhora o controle do diabetes e da hipertensão arterial e controla os níveis elevados de triglicérides; também promove a elevação do “colesterol bom” (HDL). Aliás, a prática da atividade física, nos últimos anos, foi associada à menor taxa das principais doenças cardíacas em até um terço, ao se corrigir alguns fatores de risco como excesso de gorduras e vida sedentária. O bom controle e a regularidade dos hábitos saudáveis diminuem a chance de infartos e de derrames.

Relaxa e combate o estresse

O estresse contínuo pode elevar os batimentos cardíacos e a pressão arterial; esse quadro, muitas vezes, pode culminar em um ataque cardíaco e levar à morte. Além de proporcionar sensação de bem-estar, a caminhada pode melhorar a autoestima, reduzir sintomas depressivos e ansiosos e trazer benefícios ao organismo como um todo. Quando uma pessoa caminha, há maior oxigenação do sangue, e esse fornecimento extra de oxigênio provoca sensação de serenidade (algo que pode durar até depois da atividade física). Além disso, durante o esforço físico, o corpo produz até cinco vezes mais endorfina do que em repouso. Tal substância, aliás, é conhecida como o “hormônio da felicidade”, pois contribui diretamente para a manutenção do bom humor. A endorfina previne estados depressivos associados a situações de maior estresse e contribui para amenizar sintomas relacionados à ansiedade

Ajuda a emagrecer e a manter o peso em equilíbrio

É sabido que, durante a prática de exercício físico, o fluxo de sangue aumenta, o que leva os vasos sanguíneos a se expandirem, diminuindo a pressão. Outra vantagem é que a caminhada faz as válvulas do coração trabalharem mais. Resultado: há melhora da circulação de hemoglobina e da oxigenação do corpo. A caminhada rápida pode queimar entre 300 e 400 calorias em uma hora, mas é necessário que a atividade física seja praticada de forma regular para que os resultados se mantenham. A caminhada deve ser diária e é necessário manter o ritmo, o passo tem que ser de 3 km/h. De uma maneira geral, a caminhada é uma atividade física simples, fácil e reduz os fatores de risco para a doença cardiovascular, tais como: melhora do controle do peso, diminuição dos níveis de açúcar do sangue, redução do colesterol e da pressão arterial, como já citado.

Reduz o risco de mortalidade cardiovascular

As doenças cardiovasculares fazem parte de um grupo chamado de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) e representam, atualmente, uma ameaça à saúde, sendo alvo constante das políticas de saúde pública no mundo todo, devido às morbidades associadas. Causam redução significativa da produtividade, incapacidades, efeitos adversos na qualidade de vida e custos materiais diretos aos pacientes e familiares, além de um importante impacto financeiro sobre o sistema de saúde. Os programas de exercícios físicos representam uma importante estratégia na prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares. A prática regular de exercícios pode reduzir, em até 60%, o risco de mortalidade cardiovascular. Um guia do serviço de saúde pública da Inglaterra, com o objetivo de evitar o sedentarismo, estimula britânicos a andar pelo menos 10 minutos por dia. A diretriz tem por base estudos que apontam que mesmo essa pequena quantidade já é capaz de reduzir o risco de morte precoce por doenças cardiovasculares em 15%.

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