Da Redação - Publicado em 26/06/2017 às 13:40

Colunista comenta ‘crise’ entre Elba Ramalho e o São João de Campina Grande

Uma Elba Ramalho aparentemente pouco à vontade foi a inferência psicológica possível de ser feita na véspera de São João em Campina.

Por sinal, a postura incomum começou com a sua indisponibilidade para dialogar com a imprensa local, salvo a conversa já tradicional e sem sobressaltos com a TV Paraíba.

Na conversa com o jornalista Carlos Siqueira, Elba revelou que no dia anterior havia feito um show para 200 mil pessoas na cidade de Cruz das Almas, no interior baiano.

A prefeitura local estimou em 80 mil pessoas, num município que tem aproximadamente 75 mil habitantes.

Ao longo do show, uma Elba com o encantamento de sempre, mas que em alguns instantes parecia longe, teluricamente falando.

Num determinado instante, ela sinalizou que aquele show, na noite ímpar da véspera de São João, poderia ter sabor de despedida.

Ao final da apresentação, numa entrevista rápida e meio que forçada à TV Maior, a cantora usou a expressão “é mais ou menos isso”, ao ser questionada sobre o que havia dito no palco.

Volto ao show. A despedida do palco foi emblemática para situar toda essa narrativa: “Seja bem-vinda, Marília Mendonça (cantora que se apresentaria no dia seguinte). Que Campina Grande te receba com muito amor”.

Recorra-se o verso belo de Dominguinhos/Gilberto Gil, tão bem cantado por Elba: “Eu quase que não consigo ficar na cidade sem viver contrariado”.

O problema dos artistas sertanejos ocupando espaços nas festas nordestinas – não somente no Maior São João do Mundo – é um tema posto em debate e é inteiramente pertinente que Elba o aborde e, eventualmente, extravase o seu descontentamento.

Mas, igualmente é indispensável que a discussão não se restrinja à superfície da aparência ou do produto final.

Aplica-se ao mundo do espetáculo um princípio da física: o espaço vazio não existe.

Os ‘estrangeiros’ estão ocupando um hiato deixado pelos ditos artistas regionais.

Entendo que existem espaços e necessidade para uma reconquista mútua: Elba depurando melhor as suas declarações externas sobre a sua terra natal e seus conterrâneos – a exemplo de sua equivocada postura no passado sobre a transposição das águas do Rio São Francisco; e a Paraíba (e Campina em particular) devendo ter sempre em conta, acima e apesar de tudo, que Elba Ramalho é uma vaidade para todos nós, uma porta-estandarte de nossa cultura e de nossas tradições.

A vida é feita (fundamentalmente) de (e por) gestos. E como Elba mesmo canta, “minha Campina Grande/ Eu vivo aqui tão só”.

Mais do que um verso, é uma prece de (e para ser) acolhida.

*fonte: coluna Aparte, com o jornalista Arimatéa Souza – paraibaonline.com.br

Simple Share Buttons