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Professor Waldir L. Roque: O Congresso passou a boiada

Da Redação com Ascom. Publicado em 25 de julho de 2021 às 21:28.

Foto: Ascom

Em uma das reuniões ministeriais, o antigo ministro do Meio Ambiente disse em voz clara e bom tom: “É hora de irmos passando a boiada enquanto a impressa e o povo só falam em pandemia”. 

Recado dado, recado seguido. Quem seguiu à risca este conselho absurdo foi o Congresso Nacional, que na semana passada tocou a boiada de 5,7 bilhões de reais para o fundo eleitoral de 2022 e, considerando as circunstâncias da dependência do presidente à bancada do Centrão e outras mais, parece difícil ele vetar esse estouro da boiada.

Um país onde o desemprego já era alto antes da pandemia e cresceu bem mais a partir dela,  com a fome andando a passos largos, a maioria dos membros do Congresso pouco se importa, quer é dinheiro para as suas campanhas eleitorais, e muito! Os desvios de forma velada serão ainda maiores. 

Por que a população tem que bancar as campanhas eleitorais? Está na hora do povo brasileiro e da sociedade civil organizada ir a fundo neste tema. Não faz sentido tanto gasto de dinheiro, que não é gerado pelo congresso e sim recursos da população, para beneficiar as campanhas e os caciques partidários.

Veja que quase todos os partidos, com exceção do Novo, Rede e Verde, compactuaram com essa de passar a boiada de 5,7 bilhões de reais. Estes foram os únicos três partidos na Câmara a votar integralmente contra a passagem da boiada. As campanhas devem ser financiadas pelos partidos, com arrecadações junto a seus filiados e por meio de doações dentro de critérios rígidos.

A pandemia matou e ainda vai matar muitos brasileiros por falta de um governo capaz de gerenciá-la a contento. O governo negou a existência de uma doença sórdida e que poderia ter sido mais rapidamente combatida com vacinas, fez piadas delas e outras malandragens estão surgindo. 

A capacidade de desenvolvimento da sua própria vacina representa soberania e maturidade científica da nação, além ganhos econômicos. O Brasil e a África do Sul foram os únicos dos BRICS que não desenvolveram a sua própria vacina. 

A ciência brasileira detém conhecimento suficiente para o desenvolvimento e produção da vacina contra a covid-19, mas, infelizmente, a ciência brasileira tem sido relegada a um plano inferior nos últimos governos, incluindo o atual.

Se não bastasse, o próprio congresso com todas as suas regalias, ainda passa a boiada. O povo brasileiro não merece isso, trabalha para aqueles que deveriam zelar pelo recurso público, mas estes o usurpam. 

Fazer milagre e campanha com o dinheiro dos outros é fácil e da forma como os recursos são distribuídos para os grandes e pequenos partidos é ainda melhor, pois o compromisso é mínimo. Depois tudo é aprovado pela Justiça Eleitoral e dá no que dá, como temos visto.

É preciso mudar o país para melhor, para algo mais sério, mas como fazer isso se os que estão no Congresso ditam as regras, quase sempre em benefício próprio? É o cachorro correndo atrás do rabo, gira gira, mas nada sai do lugar em benefício da população.  

A CPI da pandemia está expondo a falta de zelo e possível tentativa de corrupção, mas a disputa é política. Será que no final vamos ter, como sempre, pizza com sobremesa de marmelada acompanhada de chá de camomila para baixar a pressão? É esperar para ver, mas não se engane, enquanto tudo acontece, a boiada está passando. Este é o Congresso brasileiro, com raras exceções.

Waldir L. Roque é professor Titular da UFPb, PhD e atua no LaMEP – Laboratório de Modelagem em Engenharia de Petróleo

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