Jornalista há quase 30 anos, escreve a coluna Aparte desde 1991. Já trabalhou em TV, rádio e foi editor chefe do Jornal da Paraíba e colunista das TVs Cabo Branco e Paraíba. É comentarista político das rádios Campina FM, Caturité AM e editor do portal de notícias Paraibaonline.

terça-feira, 22/08/2017

Rinha aquática

Sem perdão

O presidente Michel Temer (PMDB) declarou ontem, em entrevista à ´Correio FM´ (viabilizada pelo deputado Aguinaldo Ribeiro, PP/PB), que para quem “não acompanhou” a orientação partidária – na recente votação acerca do prosseguimento das investigações contra o seu governo – “não faz o menor sentido não receber nenhuma advertência ou punição”, sob pena de “desmoralizar o partido”.

O comentário, no caso concreto, dizia respeito à posição do deputado Veneziano – um desgarrado no PMDB que decidiu levar ao extremo (no tempo) a confrontação interna.

Tá longe

Sobre a condução que pretende aplicar à campanha para a sua sucessão, Temer ponderou que “vou esperar 2018”.

“É muito cedo para se falar sobre isso”, reforçou.

Na tela

A promotora de justiça da Saúde em Campina Grande, Adriana Amorim, é a entrevistada de hoje no programa ´Ideia Livre Política & Economia´, que começa às 22h15 na TV Itararé – canal 18.1 (HD) e 19 (analógico), como também através do endereço eletrônico www.tvitarare.com.br

Ebulição

A segunda-feira foi tumultuada em Campina Grande, por conta do novo capítulo envolvendo a questão do racionamento d´água na cidade.

Largada

Pela manhã, o governador reuniu assessores e jornalistas para uma entrevista coletiva, na sede local da Cagepa (bairro do Tambor).

Outorga

Primeiro a se pronunciar, o secretário de Recursos Hídricos, João Azevedo, enfatizou que a Cagepa já possui, desde o dia 18 de julho último, uma autorização da ANA (Agência Nacional das Águas) para retirar do açude de Boqueirão 1.350 litros por segundo, o que permitiria a suspensão do racionamento, “e não fizemos isso por responsabilidade”.

Balizamento

Azevedo insistiu que a decisão de interromper o racionamento “é conta, não é decisão política. Nem achismo. Os critérios foram absolutamente técnicos”.

Indignado

No começo de sua fala, Ricardo Coutinho disse que aproveitava a ocasião “para expressar a minha indignação. Tem gente na política que brinca muito com a necessidade das pessoas. Alguns se acham donos de cidades inteiras”.

Consistência

Ele criticou os que buscam “nas necessidades da população instrumentos para fazer política”.

“Se fosse para fazer uso eleitoreiro, demoraria oito meses. Mas as condições atuais são adequadas para isso (suspender o racionamento)”, adendou.

Lá atrás

Em seguida, RC apresentou aos presentes algumas matérias veiculadas na imprensa, entre as quais uma do próprio governo, de abril, renovando a disposição de só suspender o racionamento após a saída do ´volume morto´ (o que de fato ocorreu no dia de ontem).

MP

Foi também mostrado um texto, de abril último, publicado na página oficial do Ministério Público da Paraíba, na internet, anunciando para junho o fim do racionamento.

Resposta

Ricardo foi incisivo com o procurador de justiça Francisco Sagres, que na semana passada, um dia após o anúncio da data de suspensão do racionamento, pelo secretário João Azevedo, verbalizou: “Quem vai dizer do adiamento ou não, não será o secretário ou ninguém, mas sim a disponibilidade da água”.

Revide

“Ele (Sagres) está enganado. O secretário estava dentro de seu papel. Do governo trato eu, que sou o governador”, enfatizou RC.

Farpa

RC registrou como “ainda mais chocante”, o fato de no último dia 11 de julho o prefeito Romero Rodrigues (PSDB-CG) tem defendido o fim do racionamento.

“Foi uma fala eleitoreira, um comportamento puramente demagógico”, acentuou.

Inconsequentes

O governador também se reportou ao Legislativo campinense: “Os vereadores estão dizendo absurdos”.

Oculto

Ricardo declarou que “no meio disso tudo está uma guerra para enganar a população e poder se dar bem. Esse é o perfil mais cruel da política”.

Ofensiva

Ele recordou que “há alguns anos, eles tentaram a venda Cagepa a uma Odebrecht da vida, e eu não deixei. E agora querem vender a concessão do abastecimento de Campina”.

 

Autonomia

Ricardo Coutinho destacou que “temos água para abastecer Campina por 303 dias, sem racionamento”, mesmo que houvesse no presente a suspensão totalmente do bombeamento oriundo do Rio São Francisco.

“Insulto”

Romero reagiu prontamente e disse que “recebi com indignação (as críticas). O governador, que desprezou a cidade o tempo todo, vem hoje atirar contra todo mundo. Isso é um insulto! Parece que ele não tinha o que fazer no dia de hoje (ontem).

Melhor seria

O prefeito observou que Ricardo “poderia ter vindo anunciar uma ação estruturante para a cidade. Administrativamente, ele deixar muito a desejar”.

Circunstâncias

“O que nós falamos é que se o volume (d´água) que estava chegando era o dobro do que estava saindo, a lógica mandava o final do racionamento. Mas hoje está chegando menos água do que naquele período (mês passado), porque não estão fazendo gestão e nem há competência para cuidar do trecho entre Boqueirão e Monteiro”, discorreu Romero.

Omisso

O prefeito frisou que “o problema é a forma, o fazer proselitismo político. O Estado não fez o dever de casa, não revitalizou nem limpou o Rio Paraíba”.

Artimanha

“Ele (Ricardo) fala um monte de coisas para tentar enganar, confundir e aparecer. E não vai aparecer em Campina, porque nós não vamos permitir”, avisou RR.

Parcialmente

O ´bate-boca´ ainda ecoava pela cidade quando veio à tona a decisão liminar da juíza substituta da 2ª Vara da Fazenda Pública, Ana Carmem Pereira Jordão, acolhendo em parte a ação civil pública proposta pela Defensoria Pública do Estado.

Suposição

A magistrada cita que a Defensoria alega que existe apenas “mera expectativa” de saída do denominado ´volume morto´.

Fragilidade

Ela menciona que na petição inicial a Defensoria argumenta “a incerteza hídrica quanto à possibilidade” de ´Boqueirão´ de “suportar um abastecimento integral de mais de 700.000 pessoas, ainda em sua capacidade baixa”.

Precondições

No seu relatório preliminar, a juíza recorda que a ação defende que o manancial “alcance níveis mais confiáveis de volume hídrico”, e que “os desvios (d´água) grotescos sejam coibidos”, para só depois se cogitar a interrupção do racionamento.

Risco

Na sua decisão, a juíza escreve que “percebe-se que além dos impactos ambientais”, a suspensão do racionamento de água poderá provocar “o agravamento da já latente crise hídrica”.

Ação…

A magistrada invoca o “respeito ao princípio da prevenção, verdadeiro sustentáculo do direito ambiental”.

… Preventiva

Para ela, a suspensão do racionamento de água “pode acarretar prejuízos de difícil reparação ao meio ambiente”.

Redução

Ana Carmem decidiu reduzir de 96 horas para 72 horas semanais o racionamento d´água em Campina.

Domingo livre

Mas – simultaneamente – obriga a Cagepa a ofertar água a toda a cidade (as duas zonas) durante o domingo.

Mérito

Com todas as vênias devidas, a decisão judicial carece de melhor e maior fundamentação técnica e denota pouco conhecimento operacional do serviço d´água na cidade, o que recomendaria informações precisas antes da decisão.

Sorrateira

Ao comunicar que o governo estadual iria recorrer da decisão judicial, o secretário de Comunicação do Estado, Luís Torres, salientou que “a ação da Defensoria Pública foi montada só na base do ´achismo´, inspirada por interesses políticos de quem não têm coragem de se mostrar”.

Vai à luta

Através das redes sociais, o próprio governador, no turno da noite, escreveu que “decisão da Justiça se cumpre… e se recorre”.

– Lutaremos com todas as armas da legalidade e do bom senso para dar a Campina e região o direito à água – acrescentou RC.

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