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Arimatéa Souza

quarta-feira, 30/09/2020

A encruzilhada econômica

A campanha na tela

A TV Itararé (canal 18.1) pactuou ontem com os representantes de partidos e/ou coligações que estão disputando as eleições deste ano em Campina Grande uma vigorosa programação acerca da disputa para a prefeitura, com uma série de entrevistas e debates no 1º turno (dois) e no 2º turno.

Em breve, mais detalhes.

 

Resgate

É importante reproduzir as declarações formuladas nesta terça-feira pelo presidente Jair Bolsonaro acerca dos aspectos político e (principalmente) econômico da crise que o país atravessa, sem horizonte de solução.

É o que segue.

Se correr…

“Minha crescente popularidade importuna adversários e grande parte da imprensa, que rotulam qualquer ação minha como eleitoreira. Se nada faço, sou omisso. Se faço, estou pensando em 2022.

Alfinetada

“A imprensa, que tanto apoiou o fique em casa, agora não apresenta opções de como atender a esses milhões de desassistidos.

Suspensão

“Eu estou pensando em 2021, pois temos milhões de brasileiros que perderam seus empregos ou rendas e deixarão de receber o auxílio emergencial a partir de janeiro de 2021.

No nascedouro

“Nós precisamos ter uma alternativa para isso, senão os problemas sociais serão enormes. Agora, tudo o que o governo, gente ligada ao governo ou líderes partidários pensam se transforma em críticas monstruosas contra nós.

Pra já

“Eu quero ver alternativa. Se esperar chegar 2021 para ver o que vai acontecer, podemos ter problemas sociais gravíssimos.

´Mesmo barco´

“Pessoal do mercado, não estou dando recado para vocês, (mas) se o Brasil for mal, todo mundo vai mal. Aquele ditado de que estamos no mesmo barco é o mais claro que existe do momento. O Brasil é um só.

Sem hesitar

“Eu quero a solução racional e preciso de ajuda no tocante a isso. Agora, se não aparecer nada, vou tomar aquela decisão que o militar toma. Pior do que uma decisão mal tomada, é uma indecisão. Eu não vou ficar indeciso”, afirmou.

Cobertor curto

O governo federal vive um dilema, parcialmente compartilhado (acima) pelo presidente Bolsonaro: como propiciar continuidade de um programa de renda mínima diante de um orçamento ´engessado´, e sem predisposição do ´andar de cima´ social e econômico em reavaliar e cortar excessos e/ou privilégios.

Bifurcação

Se salta à vista que incontáveis brasileiros, que deixaram a condição de ´invisíveis´ por força da pandemia do coronavírus, merecem e carecem de proteção social adicional e perene, igualmente é verdadeiro que o governo encontrou no auxílio emergencial o caminho que o levou a subir muito degraus nas regiões que foram as mais inóspitas, eleitoralmente falando, para ele no pleito de 2018: Norte e Nordeste.

Do limão…

Na verdade, os que fazem oposição ao presidente, caprichosamente, colocaram em suas mãos a fórmula da empatia popular.

… Uma limonada

Quando do justo clamor nacional por um plano emergencial de socorro aos desamparados, no começo da pandemia, em março/abril últimos, o governo concebeu uma ajuda financeira de 300 reais mensais.

Dupla intenção

Coube à oposição, no Congresso Nacional, elevar esse valor para R$ 600,00, num misto de realismo social com aposta no caos definitivo da política liberal do ministro Paulo Guedes (Economia).

Desdobramento

A injeção desse bilionário dinheiro nas regiões já referidas provocou um crescimento rápido e incontrolável das economias locais, ao ponto de desencadear uma preocupação impensável: um surto inflacionário por excesso de demanda, potencializado pela paralisação da maioria das cadeias produtivas industriais.

Simples assim

O raciocínio é singelo: muita procura por linhas de produtos, o comércio zerando o estoque rapidamente, em função dessa demanda, e o setor industrial rapidamente entregando o que havia estocado no período pré-pandêmico.

Ebulição

E aí nem a comoção provocada pela pandemia prevaleceu. Predominou, novamente, a milenar lei da oferta e da procura e os preços, dessas mercadorias com compra aquecida, permanecem subindo incontrolavelmente, até porque carece de tempo para a rearrumação dessa engrenagem, que em muitos casos depende de insumos importados, adquiridos por intermédio de um dólar que está elevado há muitos meses.

Gargalos

Podemos citar os ´vilões´ da já batizada ´inflação da Covid´: arroz, óleo de soja, leite e derivados, feijão, margarina, carnes, material de construção, material elétrico, entre outros.

Estourou o orçamento

De maneira estratificada, o humano e alentado acesso de numerosas parcelas de miseráveis do país ao mercado de consumo fez com que fatias da pobreza e de segmentos da chamada classe média ficassem alijados do acesso a produtos de seu consumo habitual.

Maximizar o lucro

Paralelamente, esse mesmo dólar valorizado, e a procura por mercadorias produzidas em larga escala pelo Brasil, por parte de muitos países atropelados em sua produção pela pandemia, fez com que a prevalência da exportação, em detrimento do mercado interno, fosse uma opção quase instintiva do setor produtivo, notadamente o agronegócio.

Pactuação

Do que está sumariamente exposto acima, confrontado com as palavras do presidente reproduzidas no começo da Coluna, depreende-se que o país precisa o quanto antes fazer escolhas e eleger prioridades com um mínimo de consenso.

Vai demorar

Não se espere, no curto prazo, a regularização dessa instabilidade de preços, particularmente do que deveria ser a intocável cesta básica, porque a ´espuma´ especulatória vai prevalecer enquanto a oferta não for satisfatoriamente elevada e a procura refluir.

Vermelhão

Além do mais, os brasileiros têm no ano que vem um ´encontro marcado´ com todo o (necessário) estouro das contas públicas deste ano, por força da pandemia.

Duas rotas

Quanto à continuidade do programa de proteção social – rebatizado como ´Renda Cidadã´ -, é simultaneamente um impositivo humanitário, mas também um perceptível estandarte na perspectiva da reeleição no pleito de 2022.

Erro fatal

Não é demais repisar que foi a oposição que botou no colo presidencial o instrumento para a conquista rápida e direta da popularidade quase sempre almejada por todo governante, especialmente o que sonha em permanecer prolongadamente no fascinante exercício do poder.

Criterioso

O que resta é definir, com clareza, discernimento e equidade social, as fontes financeiras que vão custear essa ação governamental, porque, do contrário, estaremos semeando – melhor dizendo, agravando – uma crise econômica já suficientemente aguda para comprometer pesadamente o destino de algumas gerações.

Justiça social

O auxílio – qualquer que seja o nome que venha a receber – terá que caber no ´figurino´ (orçamento) de um estado que não retome a sua nefasta e histórica prática perdulária, na maioria dos casos em favor de projetos personalistas de poder, que desdenham aviltantemente do conceito de nação.

Como dizia o escritor Millor Fernandes, o Brasil está “condenado à esperança”.

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