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Torcedores ignoram pandemia e recebem Palmeiras com festa

Da redação com Folhapress. Publicado em 31 de janeiro de 2021 às 10:05.

Foto: Reprodução

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Com mais de 13 mil novos casos de Covid-19 e 200 óbitos registrados nas últimas 24 horas no estado de São Paulo, o Palmeiras foi recebido com aglomeração na chegada ao Centro de Treinamento (CT) da equipe, na Barra Funda (zona oeste da capital), após o título da Libertadores conquistado neste sábado (30).

Mais de mil torcedores -a enorme maioria jovens (inclusive crianças), sem máscara e sem respeitar qualquer distanciamento social- se reuniram no local. Por isso, foi montado um cordão com grades de ferro, o clube mobilizou uma equipe de seguranças e parte da avenida Marquês de São Vicente foi interditada.

Os presentes tiveram de aguardar até a madrugada, depois das 2h, para verem a chegada dos jogadores. Em um ônibus, eles passaram por uma fila de sinalizadores, fogos de artifício e bandeiras até entrarem na casa alviverde.

Inicialmente, o clube havia previsto até um trio elétrico para a festa, mas cancelou os planos. Do lado de fora, foi possível ver um canhão de luz aceso dentro do CT alviverde e uma chuva de fogos nas cores do clube.

Depois, o elenco levou a taça da Libertadores até os portões do centro de treinamento, e foi recebido pelos palmeirenses. A festa, que começou ainda antes da partida, por volta da hora do almoço, nos arredores do estádio, durou a madrugada.

Cantando, tocando e sem respeitar os protocolos sanitários contra a Covid-19, os palmeirenses aguardaram por horas em frente ao CT pela chegada do elenco que venceu o Santos, por 1 a 0, no Maracanã.

Também houve aglomeração no aeroporto de Guarulhos, onde o time desembarcou. Dona da Crefisa, patrocinadora do Palmeiras, Leila Pereira chegou ao centro de treinamento com seu marido bem antes da equipe, por volta de 23h30, e foi aplaudida pelos torcedores no local.

Pouco depois de entrar no local, voltou para o portão, onde foi novamente recebida pela torcida, amontoada, a gritos de “tia Leila” e “Leila eu te amo”. A reunião de torcedores do Palmeiras aconteceu mesmo com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo prevendo aglomerações para o evento e em tese ter criado estratégias para evitar aglomerações.

Antes da partida, a Polícia Militar de São Paulo se reuniu com as torcidas do clubes e divulgou a chamada “Operação Final da Libertadores”. Segundo informou a secretaria, os esforços estavam focados nos arredores do estádio palmeirense, com atenção para a rua Palestra Itália.

No entanto, a decisão foi de não isolar a área antes, durante ou depois da partida. A PM também não informou quantos policiais seriam deslocados para evitar o acúmulo de pessoas. “As equipes ficarão responsáveis pela intensificação do policiamento na área do estádio, nos arredores e principais locais que possam haver aglomeração de pessoas”, afirmava a nota enviada pela assessoria de imprensa do órgão.

O aeroporto de Guarulhos, onde o elenco palmeirense chegou após a conquista, por meio da sua assessoria de imprensa, afirmou que a medida que tomaria seria fazer o desembarque do campeão pela pista, e não pelo saguão. O capitão Matheus, da PM, afirmou que a força designou três pelotões para a operação da noite deste sábado, dois no centro de treinamento (onde um trecho da via foi fechado) e um no aeroporto de Guarulhos, onde o time desembarcou.

“A nossa missão é garantir a segurança das pessoas e da delegação. Toda vez que tem situação de aglomeração, o máximo que nós fazemos é dar ciência para a secretaria de vigilância sanitária para ver se eles tomam as providências necessárias”, afirmou.

O bancário Edmar Zanatta, 48, foi para os arredores do estádio Allianz Parque após o jogo. Diz que deduziu que haveria festa no centro de treinamento, já que a partida foi em um final de semana. “Eu tomo os cuidados, tenho meu álcool em gel, aqui entre nós [ele e dois amigos] eu fico mais à vontade, mas quando fica um contingente maior, eu ponho a máscara”, afirmou.

Guilherme, estudante de 17 anos, foi com a mãe para a frente do estádio após assistirem à partida em casa, com a família. “Nessas horas, não passa pela cabeça. O título é superior à Covid”, disse. Renato Trevellin, comerciante de 44 anos, chegou com a família (esposa, um filho e uma filha) por volta das 22h nos arredores do centro de treinamento. Disse que escolheu o local por ser mais sossegado que o estádio, mas que evitará se aproximar dos focos de aglomeração.

“De vir acho difícil de evitar, porque é um título que faz 20 anos que a torcida espera e já era de se esperar [que tivesse festa]. Eu tenho consciência e não vou lá no meio [da aglomeração], mas as pessoas, infelizmente, muitas nem usam máscara”, comentou.

A aglomeração na recepção ao elenco dá continuidade a uma série de desrespeitos às medidas de controle da pandemia que envolvem a decisão da Libertadores. Segundo a CET (Companhia Estadual de Trânsito), também houve aglomeração na avenida Marquês de São Vicente, que ficou interditada no sentido Barra Funda/Lapa, após o apito final.

Os arredores do estádio Allianz Parque também estavam tomados por torcedores para ver o jogo e depois comemorando o título alviverde, sem distanciamento social e muitos sem máscara. No embarque do time para o Rio de Janeiro, houve presença de torcida para apoiar o time, nos arredores do aeroporto de Guarulhos.

Antes da partida deste sábado, a vigilância sanitária do Rio de Janeiro atuou em bares e restaurantes que vendiam bebida e alimentos para pessoas em pé, ao redor do estádio do Maracanã. Também dentro do palco da final houve aglomeração nas arquibancadas e foram vistas pessoas sem máscara, principalmente na hora de tirar foto, muitas vezes abraçadas e em grupo.

Não houve venda de ingressos para o jogo, mas a Conmebol (confederação sul-americana) aguardava até 5.000 pessoas no Maracanã, entre torcedores e familiares convidados pelos clubes, representantes de patrocinadores da entidade, jornalistas e funcionários, com a promessa de que medidas preventivas contra a Covid-19 seriam adotadas.

Não foi, porém, o que se viu no Maracanã neste sábado. Os torcedores convidados -cerca de 500, de ambos os clubes– se aglomeraram assim que entraram no estádio. Em vez de se espalharem pelo local, que tem capacidade para mais de 78 mil torcedores, palmeirenses e santistas ficaram concentrados de um lado das arquibancadas, apenas separados entre si.

Tudo isso acontece quando o país inteiro enfrenta um dos momentos de maior perigo da pandemia, tendo registrado até aqui mais de 222 mil mortes e 9,1 milhões de casos. Aos finais de semana, a cidade de São Paulo, assim como todo o estado, ficam na fase vermelha da quarentena para tentar controlar a pandemia do coronavírus, que registra picos de casos desde o início do ano.

Isso significa que apenas serviços essenciais, como supermercados e farmácias, podem estar abertos. Restaurantes e bares não podem atender o público, apenas podem funcionar para entrega e retirada.

Também para tentar conter a pandemia, tanto o governo do estado, quanto a prefeitura municipal de São Paulo cancelaram o ponto facultativo durante o Carnaval, em fevereiro.

Neste sábado (30), o Brasil bateu recorde na média móvel de novos casos de coronavírus nos últimos seis meses.

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