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Eleição no Bota-PB: STJD alerta sobre risco de punição ao clube por participação de ex-dirigente

Da Redação com Ascom. Publicado em 6 de outubro de 2020 às 9:14.

Foto: Daniela Lameira/STJD

Foto: Daniela Lameira/STJD

Em entrevista ao Blog do jornalista Maurílio Júnior, nesta segunda-feira (05), o procurador-geral do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, Ronaldo Botelho, alertou sobre o risco de punição que o Botafogo-PB pode sofrer em caso de confirmação da presença do ex-vice-presidente de futebol do clube, Breno Morais, no processo eleitoral do time da Capital.

O ex-dirigente, banido do futebol por participação na Operação Cartola, tem trabalhado ativamente nos bastidores da chapa de oposição, que tem Alexandre Cavalcanti como candidato à presidente.

“Veja bem, qualquer dirigente banido do futebol pela Justiça Desportiva, não pode participar de qualquer ato administrativo, frequentar a sede administrativa, frequentar a parte de diretoria, participar de reuniões. Ele não pode participar de qualquer assunto relacionado ao futebol. Ele está proibido”, esclareceu.

Na última sexta-feira (02), o Botafogo-PB notificou o STJD sobre a participação de Breno Morais em uma reunião da comissão eleitoral, que definiu os detalhes do pleito que vai eleger o novo Conselho Deliberativo do clube, marcado para o próximo domingo (11).

“O dirigente já estando banido ele já está fora da esfera esportiva, então quem pode sofrer a eventual punição é o clube. Havendo alguma notícia de infração, uma denúncia, nós vamos analisar a que título entrou, como entrou, quem liberou a entrada dele, o que ele foi fazer lá, se ele está atuando como dirigente, atuando de alguma forma politicamente ou tendo decisões dentro do clube. Desta forma, certamente o clube será punido”, explicou Botelho.

Em nota divulgada na semana passada, Breno Morais afirmou que não estava impedido de frequentar a sede do Botafogo-PB, nem de participar da eleição do clube, já que, segundo ele, suas cautelares foram derrubadas pela 4ª Vara Cível de João Pessoa, onde é réu em dois processos oriundos da Operação Cartola. Ele, inclusive, tem dado entrevistas a programas de rádio confirmando ativamente sua participação na campanha de Alexandre Cavalcanti. No entanto, de acordo com o procurador do STJD, a decisão da Justiça Comum não muda nada em relação à esfera esportiva.

“Eu não conheço essa medida, mas uma coisa é a Justiça Criminal e outra coisa é a esfera esportiva, até porque as decisões do poder judiciário não retiram os efeitos produzidos na Justiça Desportiva. Ademais, uma questão é ele frequentar a sede social do clube, outra questão é ele participar da administração do clube, que são coisas distintas”, revelou Botelho, antes de concluir:

“Na verdade ele está banido do futebol, se ele está banido do futebol, ele não pode praticar nenhum ato relacionado ao futebol. Ele não pode estar dentro do clube fazendo política para um ou para outro candidato. Ele não pode mais fazer isso”, concluiu.

O caso é parecido com o do ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Marco Pollo Del Nero, banido pela Fifa por corrupção. Ele não pode frequentar a sede da entidade máxima do futebol brasileiro, nem outros eventos esportivos. Del Nero, que também era conselheiro do Palmeiras, foi impedido de participar ativamente do clube, justamente pelo risco de punição.

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