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Clubes de São Paulo fazem contas e ainda não tomaram decisão sobre o futuro

Da redação com Folhapress. Publicado em 4 de abril de 2020 às 9:27.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Sem data definida para a volta do futebol, dirigentes de clubes das quatro divisões profissionais do futebol paulista começam a se questionar quando será possível retomar os estaduais e se vale a pena.

Os torneios da A1, A2 e A3 foram paralisados durante a primeira fase por causa da pandemia de coronavírus. A Segunda Divisão (como é chamada a série depois da A3) começaria em 18 de abril.

A reportagem teve acesso a conversas de WhatsApp de cartolas. Eles pedem que a FPF (Federação Paulista de Futebol) defina uma data limite em que seja possível reiniciar os torneios. A partir dali, se tornaria inviável completar as competições em 2020.

Presidentes de dois clubes da Série A2 e outros dois da A3 disseram à reportagem que se trata de uma corrida contra o tempo e que se os campeonatos não forem retomados até a metade de maio, o melhor pode ser cancelá-los e começar tudo de novo em 2021.

“Tem time que acredita que não vai ter como terminar o campeonato. Eu não dispensei nenhum jogador, mas não sei como vai ser. Nossa entrada de recursos no momento é zero. Trata-se de uma situação dramática. Como vou pagar elenco e funcionários sem dinheiro?”, afirma Rogério Levada, presidente do Paulista de Jundiaí, atualmente na A3.

O futebol paulista está paralisado desde 16 de março, quando Guarani e Ponte Preta se enfrentaram pela elite, em Campinas. Por causa da pandemia de coronavírus, a FPF reuniu os clubes e comunicou a interrupção do campeonato.

A ideia do presidente Reinaldo Carneiro Bastos é que as competições voltassem até o final de abril, quando termina as férias coletivas dadas pelos clubes aos seus atletas. Mas os cartolas ouvidos pela reportagem veem com ceticismo um retorno tão rápido. Mesmos os da Série A1.

“Se voltar em maio, não teremos elenco. Vou ter três jogadores do profissional, cinco do sub-20 e acabou. Não temos calendário para o segundo semestre. O planejamento era até 7 de abril, um dia depois das quartas de final”, afirma Sidnei Riquetto, presidente do Santo André, time de melhor campanha na principal divisão do estado.

Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Um dos problemas maiores para as equipes, e que está por trás da possibilidade de que os Estaduais não acabem, é a extensão contratual. Pela Lei Pelé, não é possível fazer prorrogação menor de três meses. Isso faz com que os dirigentes tenham de esticar o planejamento financeiro por muito mais que o esperado.

A reportagem apurou que os dirigentes da FPF se consideram de mãos atadas. Carneiro Bastos e Mauro Silva, um dos vice-presidentes, têm conversado com dirigentes dos clubes sobre o assunto. A mensagem é que enquanto as restrições sociais impostas pelo governo estadual não forem revogadas e a pandemia, controlada, é impossível ter uma data para a volta do futebol.

Não há discussão, por enquanto, sobre revogar os torneios. A proposta da FPF é, quando a pandemia tiver sido debelada, reunir os presidentes de todas as agremiações e chegar a um acordo sobre qual a melhor fórmula para terminar os campeonatos.

Na elite do Estado, restavam duas rodadas para o final da fase de classificação. Uma a mais que na A2. Na A3, ainda há cinco para disputar.

Para os 16 times da A1 também há outra questão financeira. A quarta e última parcela dos direitos de transmissão do torneio, pagos pela Globo, não foi repassada ainda pela Federação. Segundo os dirigentes, se isso acontecer apenas quando o torneio for retomado, as dívidas vão se acumular. Mesmo aos grandes.

Consultada, a entidade não se pronunciou sobre o repasse do dinheiro da Globo.

“Conversei com o Reinaldo [Carneiro Bastos]. A gente tem de voltar com as séries A2 e A3 porque senão vai ser um caos. Acho que daqui uma semana teremos uma posição. Pode ser uma volta com portões fechados, porque dá para exibir na TV, negociar algumas outras coisas que possibilitem aos clubes receber algum dinheiro e pagar os jogadores”, acredita Rinaldo Martorelli, presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo.

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