A saga do Santos rumo à final da Taça Libertadores

Da redação com Folhapress. Publicado em 14 de janeiro de 2021 às 12:59.

Foto: Ivan Storti/Santos FC

Foto: Ivan Storti/Santos FC

GABRIELA BRINO
SANTOS, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Quem vê o Santos classificado para a final da Copa Libertadores, depois de um 3 a 0 contra o Boca Juniors (ARG) na noite de quarta-feira (13), na Vila Belmiro, não imagina a quantidade de problemas que o clube precisou enfrentar para chegar até aqui.

No próximo dia 30, no Maracanã, no duelo contra o Palmeiras, o Santos buscará o tetracampeonato do torneio depois de muitas superações -desde o surto de Covid-19 no elenco, com internação do técnico Cuca, até rusgas com membros da diretoria e penalizações na Fifa por problemas financeiros que impedem o clube de contratar jogadores até hoje.

Afinal, como o Santos alcançou a final da Libertadores?

Cuca sem dúvidas é o maior fator que levou o Santos à final da competição continental. Desde sua primeira passagem, em 2018, o comandante se abriu para a equipe, geriu todos os tantos problemas extracampo e acalmou os ânimos do jeito que ele mais gosta, com conversas.

De volta ao Santos, o treinador se viu praticamente na mesma situação do trabalho anterior: uma diretoria rachada -ao menos até Andres Rueda assumir a presidência em janeiro deste ano- e um elenco totalmente desanimado e convencido de que não poderia mais.

O treinador se aproximou de todos então e conversou: animou e passou confiança aos mais jovens, além de dar gás aos mais experientes.

Por já conhecer parte do elenco, além do estilo de jogo do Santos, Cuca se aproveitou de sua experiência e blindou o elenco de todo o entorno. Os agora ex-presidentes José Carlos Peres e Orlando Rollo, por exemplo, não eram assunto no CT Rei Pelé, mesmo enquanto se destacavam na imprensa por causa das tantas desavenças.

A chegada de atletas da base ao profissional, apesar do motivo, foi uma grata surpresa a Cuca e também pesou na campanha do Santos na Libertadores.

Os meninos tiveram suas promoções apressadas pelo clube devido ao impedimento de contratações. Alguns estavam nos planos, outros foram agilizados, mas a verdade é que, se não fossem por eles, o Santos talvez não chegasse à final.

Kaio Jorge e Sandry, por exemplo, ambos aos 18 anos, estão entre os mais utilizados e bancados pelo comandante santista. O primeiro passou a ser utilizado após Uribe não agradar. Desde então, não saiu mais da equipe, por sua importância tática. O segundo foi testado algumas vezes, mas voltou de vez após dois jogos seguros contra o Grêmio, pelas quartas de final da Libertadores.

No percurso até a final, no entanto, a diretoria anterior foi uma das dores de cabeça do Santos, com brigas políticas e um quadro financeiro quebrado a ponto de levar o clube a ser punido pela Fifa por causa de dívidas, o que impediu Cuca de buscar novos jogadores no mercado.

Por ter débitos com os clubes de Soteldo, Cléber Reis e Felipe Aguilar, o Santos ficou sem poder contratar por três janelas. Após a chegada de Rueda, no início do ano, ainda resta buscar acordos com Atlético Nacional, da Colômbia, e Huachipato, do Chile, sendo que o primeiro já está encaminhado.

Fora isso, Peres e Rollo tiveram um casamento que deu errado. Desde que assumiram o Santos, a dupla teve desavenças políticas. O presidente acusava o vice de golpe, e o vice insistia em participar da rotina santista mesmo diante da situação. No fim das contas, Peres sofreu impeachment no fim do ano passado, e Rollo assumiu o clube por três meses.

Não bastasse o tumulto político, um surto de Covid-19 no elenco deu um grande susto no clube. Até porque o Santos teve um dos melhores protocolos contra o novo coronavírus, mas, de repente, se viu com 17 jogadores contaminados ao mesmo tempo.

Atualmente, apenas Marinho, Lucas Lourenço, Pará, Felipe Jonatan e Lucas Braga não foram diagnosticados com o coronavírus. Até Cuca e sua comissão tiveram problemas com a doença. O treinador, inclusive, teve complicações e passou quatro dias na UTI, mas superou a doença e voltou ao comando da equipe.

Por causa disso, os auxiliares de Cuca voltaram a utilizar o que tinham em mãos. Os garotos voltaram aos holofotes, mesclados com alguns titulares disponíveis.

Mesmo com o desgaste da sequência do time nas competições, o Santos superou a situação e seguiu forte rumo à final da Libertadores -na caminhada, eliminou LDU nas oitavas, o Grêmio nas quartas e o Boca na semifinal.

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