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Campina Grande - PB

Viver é apaixonante, crônico é não registrar

Governo anuncia ´festival´ de privatizações e inclui aeroportos de João Pessoa e CG - image data on https://paraibaonline.com.br18/06/2016 às 0:07

Fonte: Da Redação

ribamildo

Por Ribamildo Bezerra

Você e o papel. A cena é simples. Um mundo em branco à espera de um registro. As possibilidades são muitas. Visto de longe o evento chega a ser admirável. Não se pode compará-lo a um duelo ao pôr do sol, desses que a gente tem gravado graças aos filmes do Sérgio Leone, mas não deixa de ser um evento singular.

De algum modo naquele mesmo instante em outras partes do mundo, um número incontável de pessoas estará diante daquele universo limpo, que passará a ser construído no momento em que for dado o start à fascinante engrenagem que harmoniza a conexão ideia-linguagem.

O jornalista estará dando início ao seu ofício. O poeta tentará materializar o seu inspirado espanto. O tímido abraçará o único meio de se declarar para sua amada. Você faz parte do jogo. Não um jogo qualquer, mas o antigo e constante desafio de tentar representar o que se sente por símbolos gráficos. É bom lembrar que de certa forma ninguém não sairá vencedor. Os sentimentos não admitem traduções fiéis, melhor mesmo é se contentar em se aproximar muito daquilo que chamo do arremedo do feeling.

O processo sempre foi o mesmo. Tanto para um Charlie Paker ou Tom Jobim antes de iniciar qualquer aventura sonora, assim como para o mais comum dos mortais, o fremir das ideias incomodará sempre na busca por alguma forma de registro.

Nesse estranho labirinto de letras, claves, riscos e sombras valerá sempre a intenção de eternizar ideias, momentos, situações.

Se buscamos o registro de nossas emoções é porque de alguma forma queremos perpetuá-las. Uma forma de dizer que as mesmas não merecem ser esquecidas.

A escrita do primeiro registro será sempre um ato de coragem. Não falo de um ato heroico, mas simplesmente de coragem, dessa que a gente toma quando decide entrar debaixo do chuveiro num início de uma manhã gelada. Uma vez codificado, de súbito, pronto, aquele símbolo pedirá complemento e mais, e mais, e mais, até que você se dê por satisfeito, ou que as ideias já não tenham a mesma força do início. Tem-se em mãos uma jornada.

Quase sempre nas nossas vidas, funcionamos como folhas em branco. Iniciamos o dia em busca de um registro. Um sorriso, a desculpa, o aprendizado, a saudade, o trabalho, a farsa. Durante as próximas horas daquele dia uma história será escrita, sem previsão de enredo, sem desfecho certo. O que importará é que ela no mínimo se mostre interessante e valha a pena ser contada.

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