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Visita ao Cairo

Ailton Elisiário. Publicado em 3 de abril de 2019 às 12:02

Deixamos Alexandria rumo ao Cairo. Capital do Egito desde 1922 tem uma população metropolitana de cerca de 24 milhões de habitantes, sendo a maior cidade do mundo árabe e da África. Pode-se dizer que ela é um museu a céu aberto composto pelo antigo e pelo moderno, diante de tantos sítios arqueológicos e construções mais recentes. Fundada em 116 a.C. a parte chamada de Misr El Kadima ou Velho Cairo lhe dá o cenário antigo, onde se encontram as Pirâmides de Gizé. Pirâmides que visitamos, entrando numa delas, a de menor tamanho dedicada a Mikerinos. A pirâmide de Keops é a maior de todas, construída com mais de 2 milhões de blocos de pedra, com peso variável entre 4 e 14 toneladas. Kefren é a intermediária, mas existem outras bem menores ao lado delas.

Defrontamo-nos com a esfinge de Tebas e diante dela aguardei o seu desafio. Diz a mitologia que a esfinge estava sempre perguntando aos viajantes: “Qual o animal que de manhã tem quatro patas, ao entardecer duas e ao anoitecer três patas? Decifra-me ou te devoro.” A resposta era: o “homem”. Caso o enigma não fosse respondido, o viajante era devorado pela esfinge. Como estou vivo, claro que ela não me devorou, contrapondo-se ao desejo do irmão Rau que lá na cidade de Esperança ficou torcendo pela esfinge.

Estivemos visitando o Museu do Cairo, com seus tesouros da antiguidade, notadamente os de Tutankamon, o faraó-menino que morreu com 19 anos de idade. Filho do faraó Akhenaton, que introduziu o monoteísmo no Egito, Tutankamon fez voltar o Egito ao politeísmo, tendo sua tumba sido encontrada intacta no Vale dos Reis. Seu corpo mumificado estava num sarcófago coberto com uma máscara mortuária de ouro. Esta máscara é famosa, comparando-se em beleza e notabilidade à Mona Lisa de Leonardo da Vinci, em exposição no Museu do Louvre em Paris.

No barco-restaurante Pharaos a turma celebrou as pesquisas do dia, com um delicioso jantar e show em que a odalisca bagunçou os instintos de João Teodoro, com uma eletrizante dança do ventre. E o dançarino com uma coreografia exuberante inundou de cores e luzes o ambiente. À exceção dos hotéis e restaurantes turísticos, no Egito não se encontram bebidas alcoólicas, proibidos que são os cidadãos pelas regras muçulmanas. As bebidas nos lugares públicos são chás, cafés, sucos e refrigerantes.

No trajeto do caminho religioso fomos à Igreja Suspensa de Santa Maria, do Século IV, nomeada de Al-Mu’allaqah, construída nas ruinas da Fortaleza da Babilônia e a Igreja de São Jorge. Todavia, ressalta-se a Igreja Copta dedicada aos santos mártires Sérgio e Baccus, do Século V, também chamada de Igreja da Sagrada Família, construída sobre a gruta em que Jesus, Maria e José se esconderam, fugindo da perseguição de Herodes. Um ambiente de grande emoção por ali ter morado por algum tempo o nosso Salvador.

Fomos também à mesquita de Muhammad Ali chamada Mesquita de Alabastro, à Sinagoga de Ben Ezra, a mais antiga do Egito, a Cidadela de Saladino com seus aquedutos e o cemitério dos mamelucos. Interessante é que tanto nas mesquitas quanto nas igrejas, os homens ficam separados das mulheres. Nas mesquitas as mulheres ficam atrás dos homens separadas por uma balaustrada, nas igrejas elas ficam ao lado. Segundo nosso guia Alim Habib, as mulheres ficam atrás para evitar a descontração dos homens, caso elas ficassem à frente deles, em razão da forma em que se prostram em oração deixando elevada a parte inferior do corpo.

Terminamos a visita ao Cairo num passeio livre pelo mercado Khan el Khalili, onde como em todos outros locais de comércio, enfrentamos as investidas irritantes dos comerciantes oferecendo seus produtos, pedindo altos preços e negociando por muito bem menos. Enfrentamos um trânsito louco, quase sem semáforos, onde se misturam transeuntes e veículos de todas as espécies, ônibus, carros, motos, bicicletas, charretes, tuc tucs, que buzinam constantemente a qualquer hora do dia e da noite. Alim nos dizia que não se trata de um trânsito caótico, mas de um caos bem organizado.

O Cairo é cheio de vida e de contrastes como todo o Egito. Um país pobre, apesar de seus esplendores contados pela sua história antiga. Dominada ao longo do tempo por hicsos, gregos, romanos, ingleses, muçulmanos, o país tornou-se independente em 1922 e se constituiu república em 1953, porém, até hoje permanece sofrendo os negativos efeitos do seu sistema político.

Com área total de 1 milhão de quilômetros quadrados, sua economia baseia-se em produtos agrícolas e pecuários, com ênfase na mineração, em especial no petróleo, tendo 5% de sua terra agricultável. Sua população é composta de 98% de árabes egípcios e 2% de árabes beduínos e núbios. Em termos de religião 90% são muçulmanos, 9% cristãos ortodoxos e 1% cristãos católicos e evangélicos.

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Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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