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Vantagens competitivas

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 20 de fevereiro de 2019 às 10:50

Para o comentário desta semana busquei inspiração em Michael Porter, da Harvard Business School, no magnífico A Vantagem Competitiva das Nações, que preconizava uma nova forma de enfrentar crises, como a que castigou a economia dos Estados Unidos na década de 1980, antes da posse do Presidente Reagan.

Perguntava Porter “por que algumas nações têm êxito e outras fracassam na competição internacional? Essa talvez seja a pergunta econômica mais frequente em nossa época”.

No livro, o autor faz uma análise de possíveis competidores internacionais dos Estados Unidos e os reflexos ocasionados na sua economia. Em miúdos, os pontos fortes e fracos do seu próprio país

O conceito nasceu no século XIX, desenvolvido pelo economista inglês David Ricardo (1772-1823). Basicamente quer dizer que a “consequência prática dessa concepção teórica é que cada país deveria dedicar-se ou especializar-se onde os custos comparativos fossem menores.” Custo comparativo, de forma simplificada, relaciona e compara quanto gastam dois países distintos para produzir determinados produtos. Possui a vantagem o país que produz a custo menor.

Segundo Porter, à época, “como explicar por que estão na Alemanha os principais fabricantes de máquinas impressoras, carros de luxo e produtos químicos e a pequena Suíça é sede dos líderes das indústrias farmacêuticas, do chocolate e também do comércio?”

Mudando o que for necessário, a indagação se aplica ao Brasil e às suas regiões tão díspares em matéria de desenvolvimento econômico e social.

Como explicar por que estados e municípios de grande significado econômico no passado se viram mergulhados numa crise que se arrasta por décadas em que nada se faça para reverter esse quadro?

É fato que nossos dirigentes, de modo geral, tanto a nível estadual quanto municipal têm se contentado a visitas frequentes à Brasília, levando pleitos, maioria das vezes para emendas parlamentares, que mais parecem fruto da magnanimidade do Deputado ou Senador, ou favor pelos votos conseguidos nas eleições. Não temos conhecimento que tenham frutificado propostas de desenvolvimento integrado que tivessem foco na região. Só o individualismo.

Tomemos Campina Grande como paradigma. Segmentos outrora pujantes, murcharam, e pouco ou nada deixaram em seu lugar.

Em Campina Grande, o que restou do apogeu do “boom” do algodão, que nos transformou na Liverpool do Brasil, segundo maior centro mundial de comercio do produto? O que permaneceu da indústria do couro e do calçado, dos cerca de sete estabelecimentos de crédito que tinham sede na cidade?

E o fim da ligação ferroviária que tinha feito de Campina centro econômico, não apenas regional, reconhecido no mundo, e potencialmente grande centro de logística integrada?

Justiça seja feita. Não se pode culpar nossos dirigentes públicos pelas perdas, todas elas vinculadas, a bem da verdade, a interesses econômicos maiores, com centros de decisão inalcançáveis, muito além do nosso domínio. Mas todos têm uma parcela de culpa ao pouco fazerem para compensar os incalculáveis prejuízos.

À falta de estratégias de adaptação à nova realidade, mostra um quadro de perda de importância relativa de Campina Grande na comparação com outros municípios do Nordeste no período 2002-2016, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE.

Paraíba Online • Vantagens competitivas

Não é uma visão pessimista. Somos realistas esperançosos, mas é necessário a mobilização de sociedade, governantes e instituições ligadas ao desenvolvimento social e econômico.

Nosso potencial é muito grande, citando-se apenas um exemplo, o fato de que sediamos em Campina Grande, um dos maiores conjuntos de instituições de ciência e tecnologia do Brasil, com rica produção que, fatalmente, vai gerar riquezas em outro lugar se permanecermos inertes. Não podemos continuar a exportar valores humanos ao invés de procurar criar oportunidades para que permaneçam entre nós, gerando, AQUI, conhecimentos, empregos e renda.

Vamos construir uma matriz de potencialidades de Campina Grande, identificando, criando e recriando oportunidades de negócios. O que outras comunidades igualmente competentes fizeram, para replicar produzindo mais e melhor os produtos para os quais temos efetivas vantagens.  Quais são as nossas vantagens competitivas? Como transformar o potencial em algo concreto?

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Arlindo Pereira de Almeida

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