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Vale a pena abraçar o sofrimento?

Dom Delson. Publicado em 19 de outubro de 2021 às 12:17

A vida cristã torna-se autêntica quando ela, abraçando a Cristo, não foge dos sofrimentos próprios desta vida: “Vós bebereis o cálice que eu devo beber, e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado (Mc 10,38). Referido “batismo” trata-se do sofrimento da cruz de Nosso Senhor. Toda nossa vida deve caminhar com Cristo, e Ele, segundo os relatos do Evangelho caminhou decididamente para Jerusalém, ou seja, para o cumprimento do Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição.

O sofrimento de Cristo na terra passou pela imolação. Ele incansavelmente se doou aos homens. Não fugiu da dor. Contudo, o seu passar pelo sofrimento não comportou uma atitude interior passiva, mas, a partir da oração, transformou a dor humana em lugar de amor. O Papa Francisco, repetidas vezes, tem dito a Igreja que devemos erguer o nosso olhar para a cruz de Jesus. E ao determos o olhar nesta, o Bom Deus nos concederá a graça do assombro.

Diante dos sofrimentos cotidianos tendemos ao espanto que fatalmente nos leva à desesperança. Parece que o coração vai se escondendo nos medos que nos paralisam. O cristão não prega o sofrimento pelo sofrimento, mas o sofrimento como caminho de conversão. A loucura da cruz é capacidade que o Senhor nos oferece de converter os nossos sofrimentos em grito de amor a Deus e de misericórdia para com os nossos irmãos.

O que fazemos quando o sofrimento vem nos visitar? Nos encasulamos? A atitude madura de fé leva-nos a compreensão sincera de que o sofrimento é uma proveitosa oportunidade para nos voltarmos para Deus e para aqueles que até carregam um sofrimento maior do que o nosso.

O único sofrimento que devemos temer é aquele decorrente do pecado, a perda da vida eterna. “O Filho unigênito foi dado à humanidade para proteger o homem, antes de mais nada, deste mal definitivo e do sofrimento definitivo. Na sua missão salvífica, portanto, o Filho deve atingir o mal nas suas próprias raízes transcendentais, a partir das quais se desenvolve na história do homem. Estas raízes transcendentais do mal estão pegadas ao pecado e à morte: elas estão, de fato, na base da perda da vida eterna. A missão do Filho unigênito consiste em vencer o pecado e a morte” (São João Paulo II).

Cristo santificou o sofrimento cotidiano da vida humana. Ele toma a nossa mão vacilante quando fraquejamos diante das inevitáveis lutas nesta terra. Seu amor nos protege do mal e nos dá força para não sucumbirmos. Temos os sacramentos da Igreja como caminho de restauração para a vida eterna. Unamo-nos à Virgem Maria que, sofrendo aos pés da cruz de Seu Filho, não afundou o seu coração na falta de esperança, mas encheu-se da presença consoladora de Deus e prosseguiu na fé. Que seu sim confiante nos acompanhe na inevitável noite escura do sofrimento ao longo de nossa estrada para o céu.

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